A Expertus não inventou o ovo – mas usa um “ovo de Colombo” capaz de acelerar o estudo do cancro e da forma como evolui no corpo humano. Para isso, recorre a ovos para fazer testes que permitem apurar, em 15 dias, a forma como determinadas células malignas se expandem ou qual o impacto que os diferentes fármacos podem ter no combate ao cancro.
Além de três vezes mais rápida que os testes com ratinhos, a técnica desenvolvida dentro dos laboratórios do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) permite reduzir o número de mamíferos sacrificados em testes relacionados com fármacos ou a análise de células tumorais.
Hoje, as normas definem que um fármaco usado no tratamento do cancro tem de obter, previamente, resultados positivos em dois tipos de mamíferos. Geralmente, os testes de laboratório costumam recorrer a ratinhos. Recorrendo a técnicas de enxerto de células, que replicam tumores humanos noutros animais, a Expertus propõe que, antes dos testes efetuados com ratinhos, se façam testes em ovos – através da inoculação de células tumorais humanas na membrana corioalantóide do embrião da galinha.
Ao recorrer aos ovos, a Expertus consegue apresentar respostas mais rápidas e contribuir para a redução do número de testes em ratinhos (que são mais caros que os ovos).
A startup já apresentou a sua ideia de negócio no concurso Building Global Innovators, tendo ganho uma das edições do concurso Arrisca C.
«Os nossos potenciais clientes são investigadores e empresas farmacêuticas que precisam de validar resultados de testes», refere Marta Teixeira Pinto, diretora Científica desta startup que está a ser incubada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC).
A Expertus foi criada com o propósito de atuar como uma empresa de prestação de serviços que realiza os diferentes testes. Marta Teixeira Pinto recorda que o negócio, apesar de aparentemente simples, assume contornos de pioneirismo a nível mundial: «Identificámos mais duas empresas com serviços similares, mas que apenas fazem testes limitados a fármacos e não inoculam células malignas humanas (em ovos)».