A Apple lançou quatro novos iPhones, mas seria mais justo dizer que lançou dois mais dois. Explicamos de forma sucinta: o iPhone 14 e o iPhone 14 Plus usam o mesmo CPU já conhecido do ano passado e têm duas câmaras na traseira (entre eles, a principal diferença está no tamanho do ecrã); enquanto o iPhone 14 Pro e o iPhone 14 Pro Max incorporam um novo processador e possuem três câmaras na traseira (novamente, é a dimensão do ecrã que mais diferencia estes dois modelos entre si). Há, claro, mais diferenças entre estas duas linhas, razão pela qual decidimos juntar no mesmo artigo a análise ao iPhone 14 e ao 14 Pro.
Para começar, há diferenças no próprio design. Como é apanágio da Apple, a qualidade de construção é premium, mas o iPhone 14 conjuga a parte de trás em vidro com um chassis em alumínio e Ceramic Shield na frente, enquanto o 14 Pro, apesar de recorrer ao mesmo material à frente, usa aço inoxidável e vidro mate texturado. Na prática, ambos são muitos confortáveis na mão – fruto também de serem versões de 6,1 polegadas (tanto o Plus como o Pro Max já têm ecrãs de 6,7 polegadas) – e elegantes, mas nota-se a maior tendência do iPhone 14 para ficar marcado por dedadas, enquanto o módulo de câmaras traseiro do 14 Pro é muito saliente do chassis.

O ecrã do iPhone 14 ainda fica por uma taxa de atualização de 60 Hz
Passemos a alguns pontos em comum aos dois smartphones. Ambos possuem resistência a água, salpicos e pó, com a certificação IP68 a garantir que podem ficar debaixo de água até 30 minutos à profundidade máxima de 6 metros. O Face ID, ou seja, a autenticação feita através de reconhecimento facial recorrendo à câmara frontal TrueDepth, funciona muito bem e até pode ser configurada para se usar com máscara (consequência do Covid-19). A juntar a isto está a nova funcionalidade Deteção de Acidente, em que o iPhone, se detetar que teve um acidente de automóvel grave, liga para o 112 e notifica os seus contactos de emergência (que podem ser configurados nas Definições). Não testámos (felizmente!) esta novidade na prática, mas, para conseguir que funcione, a Apple disponibiliza um novo acelerómetro de Força G que deteta acelerações e paragens abruptas até 256 G, um giroscópio para detetar mudanças súbitas na orientação do automóvel e um barómetro que deteta as alterações de pressão quando os airbags abrem.

Os dois telemóveis suportam eSIM – aliás, nos Estados Unidos não são sequer vendidos modelos com ranhura para SIM físico – e têm capacidade de comunicação via satélite, o que, em emergências, permite enviar mensagens de texto curtas quando o iPhone está no exterior (há também um software que gera mensagens pré-escritas a partir de perguntas simples feitas ao utilizador que procura apoio). Mas, importante, esta funcionalidade só vai estar disponível, numa fase inicial, nos EUA e Canadá (onde até será de utilização gratuita durante dois anos, desconhecendo-se, para já, o preço após essa data).
Uma ilha para explorar
Começamos agora a entrar no campo das diferenças entre os dois iPhone. E arrancamos com o software. Ambos contam com o novo iOS 16 como sistema operativo (atualizável para a versão 16.0.3), que fornece mais formas de personalizar o Ecrã Bloqueado (com fotos, por exemplo) e, neste modo, as notificações passam a surgir em cascata da parte de baixo do painel. E gostámos da expansão da funcionalidade Live Text ao vídeo, isto é, o software é capaz de reconhecer texto num vídeo que esteja em pausa para permitir copiar palavras, fazer pesquisas, traduções, conversões de câmbio, etc.

O iPhone 14 Pro é, contudo, o único que permite ter o Ecrã Bloqueado sempre visível (ou Always-On Display, se preferir a mais popular expressão inglesa). Uma novidade que permite ver constantemente as horas e notificações – pode adicionar outros widgets, como calendário, meteorologia, bolsa, etc. – sem ser preciso tocar no telemóvel, mas nada de novo para vários utilizadores de Android. Para poupar bateria, o ecrã escurece quando está virado para baixo ou no bolso. E já que falamos de autonomia, notámos uma ligeira melhoria naquilo que sempre foi um dos calcanhares de Aquiles do iPhone: a obrigatoriedade de carregar diariamente o telefone.

O ponto que esteticamente mais marca a diferença entre as duas versões do iPhone que aqui testamos é o ‘notch’ ou entalhe. Enquanto o 14 mantém a câmara frontal, altifalantes estéreo e microfone integrados numa inestética ‘monocelha’, o 14 Pro inova com a Ilha Dinâmica. Confessamos que foi um dos aspetos que mais nos chamou a atenção. O entalhe até acaba por ser mais largo, mas deixa de estar colado à parte superior do ecrã e proporciona uma forma diferente de interagir com o smartphone. É, na prática, uma fusão bem-sucedida entre hardware e software, já que permite que a zona se expanda e forneça informação adicional quando, por exemplo, recebemos uma chamada (nome e fotografia do interlocutor, duração da chamada, níveis de voz) ou estamos a ouvir música (aparece a onda sonora e a capa do álbum, se tivermos esse ficheiro no telefone). Apps de terceiros também conseguirão tirar partido desta ‘Dynamic Island’ – acreditamos que será ainda mais bem potenciada no futuro –, mas o que mais impressiona é a forma fluída como entra e sai de cena.

Entramos agora no campo do hardware. A Apple nunca o divulga oficialmente, mas podemos quebrar o ‘segredo’ e revelar que estes iPhones têm 6 GB de RAM. As versões que testámos possuem 128 GB de armazenamento, o que é pouco para o preço pedido. É no campo do processador que está a grande diferença. O iPhone 14 usa o A15 Bionic de 5 nanómetros que já marcava presença no iPhone 13 do ano passado – uma forma de lidar com a escassez mundial de chips? –, enquanto o 14 Pro estreia o A16 Bionic de 4 nanómetros. Numa utilização quotidiana, ambos os smartphones apresentam um desempenho mais do que satisfatório. Esmiuçando a performance e os resultados dos benchmarks, constatamos que o iPhone 14 perde para topos de gama Android de preço similar, como o Xiaomi 12 Pro, e fica em linha com o Samsung Galaxy S22, que é mais barato. No iPhone 14 Pro nota-se que o CPU A16 traz um salto qualitativo a nível de processamento e comportamento gráfico, o que o já faz lutar pelo título de smartphone mais poderoso do mercado (embora não arrecade o prémio).
Mais resolução, mais detalhe
Eis-nos chegados à área da fotografia e vídeo, aquela que costuma ser uma das grandes mais-valias da Apple. E não é exceção com estes iPhone. A câmara frontal de ambos é igual: 12 MP de resolução e abertura de ƒ/1,9. É uma das nossas preferidas para tirar selfies, devido aos resultados naturais e à textura da pele que apresenta no modo Padrão – é também possível mudar os parâmetros predefinidos para Contraste Intenso, Vibrante, Tons Quentes ou Tons Frios. Uma das chaves para o sucesso nos retratos (extensível, neste caso, aos feitos também com a câmara traseira) é o bom efeito ‘bokeh’ que conseguimos, com o contorno da pessoa bem definido e o fundo desfocado de maneira suave para não descair para o terreno da artificialidade. E é muito fácil tirar fotos com um ar mais artístico com os seis filtros de luz que a Apple disponibiliza (Natural, Estúdio, Contorno, Palco, Palco Mono e High‑Key Mono).

Em comum, os dois iPhones têm a capacidade de gravar vídeo cinematográfico, uma funcionalidade herdada do iPhone 13 e que permite mudar o ponto de foco automaticamente ou alterá-lo na fase de edição. Os dois smartphones fazem uma bela câmara lenta (1080p a 240 fotogramas por segundo) e são capazes de gravar em 4K até 60 fps, contando ainda com o modo Ação, que reforça a estabilização, mas limita a resolução a 2,8K (a um máximo de 60 fps). E achámos o zoom parco em ambos: o iPhone 14 chega a um ótico de 2x e digital de 5x, enquanto o 14 Pro vai até um ótico de 3x e um digital de 15x.

Uma das razões para este curto zoom do iPhone 14 prende-se com o facto de apenas ter duas câmaras na traseira: a principal de 12 MP, f/1.5, 26 mm, 1/1.7″, 1.9µm, estabilização ótica de imagem com movimento do sensor, lente de sete elementos; e a ultra grande angular de 12 MP, f/2.4, 13mm, 120˚, lente de cinco elementos. Conseguimos captar boas imagens com ele, já que as cores são equilibradas, saturadas q.b., mesmo à noite (o modo noturno é ativado automaticamente e aumenta o tempo de exposição consoante a iluminação do cenário no momento), mas já vimos melhores resultados – mais resolução e detalhe, e menos ruído em situações desafiantes – e mais funcionalidades nos concorrentes Android desta gama de preço.
O iPhone 14 Pro, por sua vez, eleva um pouco mais a fasquia. O módulo de câmaras na traseira é totalmente diferente e conjuga: a principal de 48 MP, 24 mm, ƒ/1,78, estabilização ótica de imagem de segunda geração com movimento do sensor, lente de sete elementos; a ultra grande angular de 12 MP, 13 mm, ƒ/2,2, 120°, lente de seis elementos; e a teleobjetiva de 12 MP, 77 mm, ƒ/2,8, estabilização ótica de imagem, lente de seis elementos. Aqui já se nota uma capacidade de chegar a maior detalhe, já que o sensor Quad Pixel tira proveito dos 48 megapixéis para agrupar quatro pixéis num único e captar mais detalhe num formato de 12 MP. Mas quem quiser levar a coisa mais a sério, deve fotografar a 48 MP em ProRAW, que dá origem a um ficheiro de 10 bits que usa o formato Linear DNG para preservar mais informação e gama dinâmica, o que dá mais margem de manobra para uma posterior edição. É, sem dúvida, um forte candidato ao trono de melhor câmara num smartphone, embora nos pareça que, uma forma global, o S22 Ultra da Samsung leve uma ligeira vantagem.

Tome nota
Apple iPhone 14 – €1019,99 (nos.pt)
Benchmarks: Antutu 821563 CPU 207478 GPU 348844 Memória 134460 UX 130781 / 3DMark Wild Life Extreme 2884 (17,3 fps) / Geekbench Single-Core 1743 Multi-Core 4693
Características Ecrã Super Retina XDR OLED de 6,1” (2532×1170, 60 Hz) * Processador A15 Bionic * 6 GB de RAM * 128 GB de armazenamento * Câmara frontal de 12 MP e traseiras de 12 MP + 12 MP * Bateria de 3279 mAh * iOS 16.0.2 * 146,7×71,5×7,8 mm * 172 g
Desempenho: 4,5
Características: 4,5
Qualidade/preço: 2,5
Global: 3,8
Tome nota
Apple iPhone 14 Pro – €1349
Benchmarks: Antutu 950046 CPU 245226 GPU 420614 Memória 139559 UX 144647 / 3DMark Wild Life Extreme 3371 (20,24 fps) / Geekbench 5 Single-Core 1886 Multi-Core 5344
Características Ecrã Super Retina XDR OLED de 6,1” (2556×1179, 120 Hz) * Processador A16 Bionic * 6 GB de RAM * 128 GB de armazenamento * Câmara frontal de 12 MP e traseiras de 48 MP + 12 MP + 12 MP * Bateria de 3200 mAh * iOS 16.0.2 * 147,5×71,5×7,9 mm * 206 g