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A Comissão Europeia atribuiu ao Instituto Pedro Nunes a liderança de um dos 16 programas de desenvolvimento de soluções e funcionalidades que recorrem à plataforma tecnológica Fiware. Ao instituto de Coimbra calhou a gestão de um programa de desenvolvimento de ferramentas que contribuem para a criação de cidades inteligentes.
O programa gerido pelo IPN vai contar com um total de cinco milhões de euros, para o financiamento de 150 ideias, produtos, aplicações que possam trazer inovação para o espaço urbano.
É o único programa de aceleração de soluções na plataforma FIWARE que é coordenado por uma entidade portuguesa. Neelie Kroes, a ainda comissária europeia da Agenda Digital, comenta da seguinte forma a participação portuguesa, numa declaração enviada para a Exame Informática: «Vamos atribuir 80 milhões de euros às aceleradoras, uma vez que são as entidades que compreendem as necessidades das startups. O Soul-Fi, que é gerido por portugueses, é uma dessas aceleradoras. Acredito que vai acabar por premiar as melhores ideias e tornar as nossas cidades mais inteligentes e sustentáveis».
O programa de aceleração, denominado Startups Optimizing Urban Life with Future Internet (Soul-Fi), vai ser apresentado a 5 de setembro no Palácio da Bolsa do Porto. O Soul-Fi prevê lançar candidaturas para a captação de apoios em 2014, 2015 e 2016. Cada candidatura anual é composta por duas fases: uma primeira que prevê a atribuição de cerca de 10 mil euros a cada ideia inovadora selecionada com o objetivo de desenvolver um conceito; e uma segunda fase que prevê a atribuição de 70 a 90 mil euros para a implementação de uma empresa.
«Nem todas as ideias que recebem o apoio na primeira fase passarão para a segunda fase. E é por isso que contamos apoiar um total de 150 ideias», explica Carlos Bento coordenador do Soul-Fi e diretor do Laboratório de Informática e Sistemas do IPN, quando inquirido pela Exame Informática.
As soluções desenvolvidas com o apoio do programa de aceleração poderão ser testadas, posteriormente, em quatro cidades europeias: Valladolid, Amesterdão, Roterdão e Birmingham.
Carlos Bento acredita que mais cidades poderão vir a participar no programa de aceleração: «O Porto terá todas as condições para participar neste iniciativa aceleradora. Além de estar dotada das infraestruturas necessárias, conta ainda com centros de competências como o Future Cities». O responsável do IPN admite que cidades de menor dimensão, como Águeda, que «já levou a cabo várias experiências no uso de sensores», e Coimbra, «pelo património», têm igualmente condições para se candidatarem a testar as soluções apoiadas pelo Soul-Fi.
As candidaturas para a primeira fase deverão estender-se pelo mês de setembro. Carlos Bento admite que, no final de outubro, já sejam conhecidos os primeiros projetos selecionados. O programa de apoio destina-se a pequenas e médias empresas sedeadas na UE.
«As empresas que chegam à segunda fase não beneficiam apenas do apoio financeiro e podem tirar partido da integração num ecossistema que facilita a inovação e a partilha de experiências com outras empresas e que, mais tarde, poderá ser importante para aceder a mais investimentos», recorda Carlos Bento.
A plataforma FIWARE agrega várias interfaces de aplicações e descrita pela Comissão Europeia como um elemento diferenciador que permitirá à economia e à sociedade dar um novo salto tecnológico através do desenvolvimento de soluções que facilitam o acesso a repositórios de dados ou abrem caminho a novas funcionalidades. A par do programa Soul-Fi, a Comissão Europeia prevê apoiar mais 15 programas, com um investimento total de 80 milhões de euros.