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O dia de lançamento já continha o presságio: o lançamento dos dois satélites Doresa e Milena, que deveriam atuar como mais um passo no plano estratégico da Europa na conquista do Espaço e no desenvolvimento de um sistema de localização concorrente do norte-americano, teve de ser adiado devido à condições climatéricas que se fizeram sentir no Centro Espacial da Guiana Francesa, na América Sul.
Passadas as 24 horas previstas para o adiamento, Agência Espacial Europeia (ESA) e a Arianespace fizeram um primeiro anúncio dando como bem sucedido o lançamento dos dois satélites Galileo. Ontem, as duas entidades fizeram novo anúncio: os dois satélites foram lançados para uma órbita errada.
Depois do presságio e do erro, foi a vez da ironia: a confirmação da órbita errada foi confirmada publicamente pela Força Aérea dos EUA, que diz ter detetado três objetos a orbitarem a 13.700 quilómetros e com uma inclinação de 49,7 graus face ao equador terrestre.
Os números divulgados nos EUA contrastam de sobremaneira com os que foram divulgados inicialmente pela Arianespace e a ESA como sendo aqueles que os dois satélites tinham alcançado (23.500 quilómetros de altitude e 55 graus de inclinação face ao equador).
Face aos dados apresentados pelas autoridades norte-americanas, a Arianespace, empresa francesa responsável pelo lançamento, não teve outra alternativa senão fazer novo comunicado: «Observações complementares levadas a cabo depois da separação dos satélites Galileo FOC M1 durante o voo do (foguetão) Soyuz VS09 revelaram uma discrepância entre a órbita identificada como alvo e a órbita alcançada».
Ainda não se sabe se os dois satélites conseguirão, através de sistemas de propulsão internos, mudar a localização para a órbita desejada e, assim, menorizar os efeitos deste erro, aparentemente, provocado pelo terceiro módulo do foguetão russo Soyuz que se encontra ao serviço da Arianespace.
A companhia francesa já fez saber que vai investigar as causas da falha. O que leva a crer que este “caso” não deverá ficar por aqui e a todo o momento poderão ser acrescentados novidades.
Na agenda da ESA, prevê-se que estes dois satélites ficassem operacionais em novembro. Resta saber se este lançamento falhado não acabará por provocar um qualquer atraso.
É possível que os responsáveis da Arianspace não sejam muito dados a superstições, mas talvez devam tomar o erro como referência para os próximos tempos: de acordo com a Space.com, este foi o primeiro voo de lançamento com satélites da constelação Galileo totalmente equipados e operacionais – e é apenas o primeiro passo de um programa de cinco lançamentos que envolvem foguetões Soyuz e Ariane.
Atualmente, já se encontram em órbita quatro satélites Galileo. Estes satélites, lançados em 2011 e 2012, são descritos como sendo de demonstração de capacidade. A constelação deverá ficar completa em 2019, com o lançamento de 30 satélites, e um investimento total de 5,5 mil milhões de euros.