




São estudantes de vários pontos do mundo, alguns já começaram a dar os primeiros passos como empresários, e têm em mãos projetos tecnológicos que podem revolucionar o mundo. Em comum, têm apenas duas características: são inventivos e acabam de participar na final internacional da Imagine Cup. Nem todos ganharam prémios (por vezes as boas ideias pecam na fase de implementação…), mas há uma boa probabilidade de, pelo menos, servirem de inspiração a novas ferramentas tecnológicas que podem transformar a forma como milhões de pessoas vivem ou lidam com as tecnologias.
Em Portugal, a Imagine Cup já mudou a vida de, pelo menos uma pessoa, Ana Ferraz, investigadora da Universidade do Minho, venceu a modalidade de Cidadania desta competição tecnológica, com o desenvolvimento de um detetor de tipo sanguíneo barato e portátil.
Eis um apanhado de cinco projetos que vimos nas miniolímpiadas da Microsoft, que decorreram a semana passada em São Petersburgo, Rússia:
i-Chum – Os óculos desenvolvidos pela equipa de estudantes do Sri Lanka não devolvem a visão aos cegos – mas podem recolher informação de várias proveniências que permite que uma pessoa com incapacidade visual tenha uma noção aproximada dos objetos e das pessoas que estão nas imediações. O protótipo apresentado no Imagine Cup tinha por peça central uns vulgares óculos escuros de plástico… que servem apenas de suporte a um arsenal de sensores. Uma câmara, sonares , acelerómetros, sensores RGB, acelerómetros, auscultadores e microfone: todos estes dispositivos estão conectados a um tablet que processa a informação à medida que o utilizador se desloca. O sistema pode ser usado para distinguir as cores dos semáforos ou alertar para a presença de umas escadas, mas também para informar que alguém conhecido acaba de chegar – e que por sinal está a sorrir. Não menos promissora é a funcionalidade de leitura de jornais (através da câmara e do reconhecimento ótico de carateres) e narração desses textos através dos auscultadores. Todo o processamento é assegurado por um tablet, que tem de ser transportado pelo utilizador. A solução foi ganhou o Prémio Nativo Digital da Samsung.
Swasthya Sanjivani – A equipa indiana apareceu no Imagine Cup com duas sugestões: um dispensador de medicamentos regulado através de uma app; e um módulo robotizado que permite fazer análises de sangue e urina para a despistagem de doenças como anemia, diabetes, doenças renais, ou icterícia. Sobre o primeiro dispositivo pouco haverá a dizer, mas o segundo pode revelar-se especialmente importante em locais onde clínicas e médicos escasseiam. Colocado em espaços comunitários ou edilidades, o laboratório de análises portátil distingue-se ainda por enviar resultados para médicos e especialistas através da Internet. Os investigadores indianos já criaram uma empresa para explorar o novo filão de negócio. Em agosto a nova máquina deverá fazer a estreia comercial.
SRGX – Sergio Rivas, investigador da Universidade de Múrcia, de Espanha, desenvolveu um capacete que permite controlar um par de câmaras apenas e só com os movimentos dos olhos. O controlo das câmaras é feito através de sensores de eletrencefalografia que monitorizam a atividade cerebral associada aos movimentos dos olhos. O sistema, que pressupõe a existência de um computador ou de um tablet para fazer o processamento relacionado com o controlo das câmaras, permite ainda funcionalidades de zoom, exposição e foco. Cirurgias às distância ou pessoas com mobilidade reduzida são alguns dos potenciais desta solução.
Water Facts – A equipa da Universidade de Huazhong, China, propõe o uso de sensores zigbee para descobrir fugas e perdas de água na canalização. A solução, que compreende ainda uma app que pode correr em tablets, telemóveis e PC, recorre a estatísticas de consumo de água de uma família (ou de uma empresa), para detetar e localizar um cano roto. Além de poder fechar os canos que aparentemente têm ruturas, a app permite ainda fechar uma torneira que inadvertidamente ficou aberta – mesmo quando o utilizador está a muitos quilómetros de distância.
Colinked – A equipa da Universidade de Exeter, no Reino Unido, foi uma das grandes vencedoras da competição tecnológica, ao garantir o primeiro lugar na modalidade de Inovação, com uma app que permite criar redes sociais assentes na tecnologia bluetooth. Como primeira prova de conceito, os estudantes britânicos criaram a solução SoundSynk, que classifica os utilizadores de acordo com as preferências musicais e ainda tem o atrativo de permitir reproduzir o mesmo tema em simultâneo para vários dispositivos (telemóveis, colunas de som, computadores, boxes de TV… desde que tenham Bluetooth). A solução, que faz de cada dispositivo um repetidor de sinal de rede, também poderá revelar-se útil para localizar pessoas em cenários de catástrofe. A solução já abriu caminho à criação de uma empresa. A tecnologia vai ser cedida com custos residuais a empresas e entidades que pretendam lançar novas soluções.