Sempre que há eleições regionais na Madeira, mais cedo ou mais tarde ouvimos dizer: “Não se podem fazer leituras nacionais, não se podem extrapolar os resultados para o contexto nacional…”. Numa região autónoma onde, na prática, não tem havido alternância democrática em 50 anos de democracia, com o PSD sempre no poder, há sempre um fundo de verdade óbvia nessa observação.
Mas desta vez é um pouco diferente… Quando estas eleições regionais foram marcadas ninguém imaginava que aconteceriam menos de dois meses antes de novas eleições legislativas em Portugal. Só esse acaso, na montanha russa em que se transformou a politica nacional, convida a leituras nacionais e, sobretudo, a que os líderes políticos tentem capitalizar ganhos e relativizar perdas.
E há algumas semelhanças nestas duas eleições. Ambas foram antecipadas e funcionam como uma espécie de plebiscito sobre o governante em funções. Miguel Albuquerque é arguido e suspeito da prática de vários crimes graves(incluindo corrupção ativa e passiva e abuso de poder) e o seu governo caiu na sequência de uma moção de censura. Luís Montenegro não é arguido mas enredou-se numa teia de respostas a conta-gotas, ou falta de respostas, quanto a suspeitas relacionadas com a empresa familiar Spinumviva (incluindo o recebimento mensal de uma avença da empresa de casinos Solverde). O seu governo caiu na sequência de uma moção de confiança.
Ora, Miguel Albuquerque conseguiu a sua maior vitória desde que é líder do PSD-Madeira
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