“Consegui ser futebolista, fiz o sempre sonhei e estou feliz por isso.” Yordanov chegou a Portugal em 1991, jogou no Sporting durante uma década e foi o primeiro capitão estrangeiro, em Alvalade. Em 1997, na Bulgária, durante o estágio de preparação de uma partida contra a Rússia, sentiu uma súbita falta de força na perna esquerda. No início pensou que se trava apenas de cansaço, mas o sintoma não passava, o que obrigou a optar por não jogar no encontro. Quando regressou a Portugal foi submetido a uma bateria de exames pela equipa médica do Sporting, e acabou por descobrir que sofria de Esclerose Múltipla, aos 29 anos. Hoje, 16 anos depois, Yordanov ainda se emociona ao recordar o momento em que foi diagnosticado: “O Dr. Fernando Ferreira deu-me a notícia de lágrimas nos olhos”
O búlgaro, que nunca tinha ouvido falar em Esclerose Múltipla, convocou uma conferência de imprensa onde admitiu publicamente que sofria da doença: “Tinha a obrigação de o revelar aos portugueses”, considera. Em 1997, falava-se pouco de EM e o antigo jogador achou que era importante falar sobre a patologia. A comunicação foi uma pedrada no charco apanhando tudo e todos de surpresa, já que a notícia punha em risco a sua carreira nos relvados: “Tiro o chapéu à imprensa, que preservou a minha vida pessoal naquela altura. Fui muito bem tratado pelos jornalistas”, diz o ex-jogador.
Yordanov pediu aos médicos que o deixassem jogar no mundial de 1998, em França. João de Sá, o neurologista que o acompanha desde o início, assumiu com ele o risco de suspender a medicação durante esse período, uma vez que os tratamentos punham em causa do rendimento do jogador. O búlgaro acabou por manter-se nos relvados por mais três anos.
Ao longo de 16 anos, os vários surtos já deixaram sequelas, mas Yordanov tenta desvalorizá-las, preferindo aprender a conviver com elas e aproveitando ao máximo o dia-a-dia, ao lado da mulher, Valentina, e da filha, Maria, de 19 anos. Para o antigo jogador o apoio da família foi crucial.
Atualmente já não faz praticamente desporto, porque não pode, mas continua a seguir atentamente o futebol, a sua grande paixão. Já abriu um restaurante e fundou uma empresa de camiões, que mantém até hoje.
Para Yordanov, a Esclerose Múltipla foi uma partida de mau gosto que a vida lhe pregou mas, ao fim de tantos anos, já encara a doença como um desafio: “Apareceu-me a mim… Tenho de lutar como qualquer pessoa quando lhe aparece uma coisa má, porque a vida não é só feita de coisas boas.”