O período de confinamento de António Costa, logo a seguir às eleições de 30 de janeiro, parecia feito de encomenda para preparar, em resguardo, o elenco do seu primeiro governo em maioria absoluta. Conforme a VISÃO escreveu oportunamente (edição nº 1508) este executivo terá um cunho muito mais marcadamente político. E a agregação de áreas em menor número de ministérios – embora o primeiro-ministro queira evitar a designação de “superministros”, por estar negativamente associada a uma má experiência de António Guterres – deverá confirmar-se, como também escrevemos na mesma edição, em áreas como as do Planeamento e Coesão Territorial ou os dois níveis de escolaridade – Educação e Ensino Superior. Mais curto, mais ágil e politicamente mais operacional, o Governo servirá, também, para reforçar o perfil executivo de alguns dos quadros mais promissores do PS – com a inclusão de todos os nomes tidos como possíveis sucessores de António Costa – e lançará algumas figuras independentes, num ramalhete de abrangência e sinal de vitalidade. Neste aspeto, é curioso observar a lista de personalidades independentes que subscreveram um documento de apoio a António Costa, na última semana de campanha, e no qual o primeiro-ministro indigitado poderá pescar alguns nomes. Figuras como Sampaio da Nóvoa – que apareceu num dos últimos comícios, tendo obtido de António Costa um caloroso agradecimento e elogio públicos – ou Elvira Fortunato podem fazer parte das opções. O primeiro pode até substituir Tiago Brandão Rodrigues, na Educação (embora também se fale na eventualidade da promoção do secretário de Estado, João Costa): poucos, no PS, apostam na manutenção deste ministro, até porque já detém o recorde de longevidade, na respetiva pasta.

Além dos delfins – já lá vamos – emergem outros nomes, como o de José Luís Carneiro, na Administração Interna (o seu nome já é dado como certo nalguns setores ligados à segurança interna), falando-se ainda da surpresa de Fernando Araújo, presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, no Porto, que também subscreveu o documento de apoio citado. Araújo tem sido muito elogiado, como exemplo de competência e sentido ético: recentemente, devido a um incêndio que afetou instalações críticas dos cuidados de saúde, sinistro não atribuído a qualquer tipo de negligência do hospital, apresentou a demissão, “por a culpa não poder morrer solteira”. Além de a sua saída não ter sido aceite, ainda reforçou o seu prestígio. Por ter sido secretário de Estado de Adalberto Campos Fernandes, a sua entrada para a pasta da Saúde, caso Marta Temido não quisesse continuar, seria sempre surpreendente (Lacerda Sales, o secretário de Estado, não é o favorito nas “casas de apostas”…). Mas o atual administrador do São João também pode vir a liderar um novo modelo de Direção-Geral de Gestão da Saúde, mais transversal, conforme consta no programa eleitoral do PS.
