Ned Stark perdeu literalmente a cabeça por ter confiado na pessoa errada. Tal como muitos portugueses perderam dinheiro ao fiarem-se no banco errado. À semelhança de Portugal, o problema dos Sete Reinos é a dívida soberana. Por lá, o Banco de Ferro desempenha o papel de uma troika de roupagem medieval. E, afinal, os Lannister não pagam as dívidas, tentam renegociá-las
Enquanto não estreia a sexta temporada da série da HBO A Guerra dos Tronos nem sai do prelo o sexto volume da saga As Crónicas do Gelo e do Fogo ( A Song of Ice and Fire), de George R. R. Martin, a VISÃO voltou a olhar para os vídeos e a percorrer as páginas dos cinco volumes já editados. E não é que conseguimos ver ali alguns paralelismos com a nossa realidade económica? Dirão que não será uma ideia muito original, que já saíram dezenas de livros e centenas de artigos a dissecar, em todos os aspetos, o universo fantástico e cruel de A Guerra dos Tronos. Até livros de receitas saíram, imagine-se. Ainda, assim, vale a pena partilhar com os leitores, sejam ou não entusiastas desta saga, as ilações que tiramos.
Não é só por ser um mundo povoado de “caminhantes brancos”, lobos ferozes, dragões e gente péssima que os Sete Reinos estão longe de serem um mundo prefeito. Sem o dramatismo épico da narrativa de Martin, o nosso também não o é. Em ambos há desigualdades sociais gritantes e em ambos a igualdade de géneros é uma ficção. Com a agravante de Westeros ser uma fantasia medieval habitada por personagens, ao passo que o nosso mundo é uma realidade do século XXI onde mora gente de carne e osso.
![eddard-ned-stark-1024.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039077eddard-ned-stark-1024.jpg)
Ned Stark, senhor de Winterfell e guardião do Norte, quer estar preparado para o inverno.
HBO
O inverno está (mesmo) a chegar
Logo no início da saga, Ned Stark fala sobre o seu filho mais novo, Rickon, de três anos, com a mulher, Catelyn:
“Ele tem de aprender a enfrentar os seus medos. Não vai ter três anos para sempre. E o inverno está a chegar.”
“O inverno está a chegar” é o lema da casa Stark, os senhores de Winterfell e guardiões do Norte. Numa terra onde o inverno pode durar vários anos, nunca é demasiado cedo para uma pessoa se preparar para o que está para vir.
É uma máxima sensata. Adaptando-a à economia familiar significa: devemos poupar enquanto podemos. O problema, em Portugal, para muitas famílias é a ginástica que têm de fazer para esticar os vencimentos até ao final do mês. As estatísticas do INE confirmam que a capacidade de financiamento e o rendimento disponível das famílias diminuiu nos últimos anos. Assim, a taxa de poupança sofreu uma erosão brutal: em 20 anos, desceu de €12,9 em cada €100 (1995) de rendimento disponível para €4 (2015). Que os deuses antigos nos livrem do inverno.
![robert-stark-1024.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039079robert-stark-1024.jpg)
Robb Stark escolheu com o coração e deitou tudo a perder
HBO
A economia é a ciência das escolhas racionais
Há decisões na vida, sobretudo as relativas a investimentos ou mesmo em relação ao pé de meia familiar, que devem ser tomadas com a cabeça e não com o coração. Isso tanto na vida real como na criação ficcional de Martin. Robb Stark, aclamado rei do Norte pelos seus pares, apaixona-se quando já tem o trono de ferro ao seu alcance, na sequência de uma série de vitórias militares sobre os Lannister. A paixão leva-o a romper com o pacto forjado entre a sua mãe, Catelyn, e Walder Frey, um poderoso e pouco fiável aliado, para o casar com uma filha deste. Despeitado, o irascível Frey vinga-se e Robb é assassinado com uma punhalada no coração.
Tywin, o cruel chefe da família Lannister, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, é racional. Um estratego frio e calculista no que respeita a decisões de poder, militares ou de negócios. Por ser detentor de minas auríferas, é tido como o homem mais poderoso dos Sete Reinos. Sobre ele circula mesmo a lenda de que defeca ouro. O que não corresponde à verdade, como constará Tyrion, o seu mal-amado filho anão, quando o mata perfurando-lhe os intestinos com um dardo de besta.
![Varys.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039084Varys.jpg)
Lorde Varys (ao centro) está sempre bem informado.
HBO
Informação é luz na noite escura e cheia de horrores
Melisandre, a sacerdotisa vermelha de Asshai, di-lo com toda a clareza:
“A noite é escura e cheia de horrores.”
São, de facto, muitas as ameaças que pairam sobre os Sete Reinos. O chefe dos serviços de informações dos trono de ferro, Lorde Varys, conhecido como “Aranha”, tem um exército de “passarinhos” que o vão mantendo informado sobre o que se passa dentro e fora de Westeros. O problema é quando a coroa prefere ignorar as ameaças por estarem distantes, rotulando-as de lendas – sejam os dragões de Daenerys Targaryen, do outro lado do mar, ou os “caminhantes brancos”, que estão para lá da muralha guardada por uma “patrulha da noite” cada vez mais desfalcada.
Também nós estamos sujeitos a forças desconhecidas suscetíveis de mexerem com as nossas vidas e bolsos. Pode ser uma bolha imobiliária no outro lado do planeta, mais uma crise de dívida soberana a causar estragos na estabilidade ou outro banco nacional a estoirar. A informação é vital, não podemos fechar os olhos ao que se passa à nossa volta nem meter todos os ovos no mesmo cesto.
![sesaon415.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039466sesaon415.jpg)
Daenerys Targaryen podia ser CEO de uma satrup
HBO
Valorizar o que se tem, mesmo quando é pouco
Exilada política, vendida pelo irmão ao chefe de uma tribo nómada Dothraky, que ela aprende a amar, Daenerys Targaryen vê-se viúva de um momento para o outro. A maioria dos súbditos do seu marido abandonaram-na para seguir um líder mais forte. Com o que resta da tribo e o seu fiel cavaleiro Jorah Mormont, Daenerys atravessa os desertos de Essos. Leva consigo o que tem: três dragões recém-nascidos, uma espécie que se julgava extinta há 800 anos, e o nome da antiga dinastia poderosa dos Targaryen.
Os dragões fazem sensação nas cidades por onde passa. Há quem lhos cobice e queira roubar, mas também quem ofereça valiosos presentes só para poder vê-los. Um esclavagista quer dar um exército de oito mil escravos eunucos, treinados para a guerra desde a infância, em troca de um dos animais. É claro que o mercador de escravos acaba carbonizado e Daenerys fica com o dragão e à frente de uma tropa de elite que ela usa para conquistar várias cidades e libertar escravos. O passo seguinte de Daenerys, a “mãe dos dragões”, poderá ser o desembarque em Westeros para reclamar o trono de ferro. Mas, para isso, é preciso que até lá ela não seja devorada por um dos seus “filhotes”.
Moral da história: Daenerys podia ser a jovem CEO de uma startup. Tem uma ideia válida e, inicialmente, ativos reduzidos que ela sabe valorizar recorrendo à sua tenacidade e inteligência. Pode duvidar pontualmente, mas não deixa de acreditar nas suas capacidades. Comete alguns erros à medida que vai crescendo, mas aprende com eles e tenta corrigir o rumo. É uma promessa com potencial para se concretizar.
![TywinLannister.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039486TywinLannister.jpg)
Tywin Lannister é um estratego arguto, mas deixou que o seu poder e riqueza assentassem num único recurso finito: o ouro.
HBO
O ouro não se come e acaba
Por possuírem minas de ouro, os Lannister são tidos como a família mais rica dos Sete Reinos. Mas isso é uma ilusão, que eles próprios alimentam para se agarrarem ao poder. Na verdade, a quantidade de ouro que injetam na economia para garantirem esse poder, emprestando inclusivamente à coroa, que eles controlam através da malévola rainha Cersei (primeiro como mulher do rei Robert, depois como mãe dos herdeiros Joffrey e Tommen), levaram à inflação.
O ouro não se come nem aquece, e quanto mais circula menos vale. A oferta abundante de um bem diminui o seu valor de mercado. É necessário despender mais para adquirir o que se precisa. E para se manterem no poder e travarem as suas guerras, os Lannister precisam de muita coisa. As quantidades de ouro necessárias para mobilizar esses recursos, incluindo militares, tornaram-se cada vez maiores e acabam por levar as minas dos Lannister à exaustão. Quando, lá para o quinto volume da saga e na quinta temporada da série, o chefe do clã, Tywin, confessa à filha Cersei que as minas estão secas há três anos, já os Lannister se aliaram aos Tyrell, cuja fortuna é muito maior.
Esta família controla uma vasta região fértil do sul de Westeros, tida como o celeiro dos Sete Reinos. O grau de dependência dos Lannister face aos Tyrell – que ambicionam o poder político – é enorme. Sem os Tyrell, os Lannister dificilmente conseguiriam manter um estilo de vida faustoso, nem as suas guerras ou alimentar a capital, Kings Landing, a abarrotar de gente empobrecida e faminta. Orientada para o consumo e para a ostentação de riqueza da classe dominante, a economia dos Lannister dependeu de um recurso finito – o ouro. Os Tyrell enriquecem investindo em recursos renováveis e na produtividade das suas terras.
![mockingbird2.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039503mockingbird2.jpg)
Brienne de Tarth faz muito uso dos músculos e da espada para ser levada a sério num mundo machista.
HBO
Salário desigual para trabalho igual
Uma mulher pode chegar ao topo, até no mundo medieval d’ A Guerra dos Tronos. Contudo, tal como na vida real do século XXI, também em Westeros tem de se esforçar muito mais do que um homem para ascender na carreira e dar-se ao respeito. Um exemplo típico disso é a amazona Brienne de Tarth. Metida numa armadura e de espada em riste, quer a dignidade de um cavaleiro. É mais valente e forte do que muitos deles. Ainda assim, são poucos os que levam a sério a sua perícia nas artes militares, pelo menos até terem de a defrontar.
Igualmente subestimada é Arya Stark, apesar do seu impressionante manejo da espada Agulha. Contudo, ambas sabem transformar a subvalorização de que são alvo numa fraqueza dos seus adversários.
Em plena Europa do século XXI, a anos-luz do cenário fantasiado por George R. R. Martin, a nossa sociedade não é assim tão diferente, subvalorizando as mulheres e o seu trabalho. Em Portugal, a remuneração média mensal das mulheres é cerca de 17% inferior à dos homens, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística.
![Jorah.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039520Jorah.jpg)
Jorah Mormont tem uma perspetiva da sociedade: o povo miúdo está-se nas tintas para as guerras dos grandes senhores.
HBO
Sociedade de classes
No capítulo 23 d’A Guerra dos Tronos (1.º volume da saga), a diferença de interesses entre as várias classes é ilustrada num diálogo em que Daenarys Targeryan e o seu protetor, Jorah Mormont, discutem se Viserys, irmão de Daenarys e pretendente ao trono de ferro, tem qualidades para ser rei.
“Ainda assim”, diz ela, “o povo comum espera-o. O magistrado Illyrio diz que estão a bordar pendões com o dragão e a rezar pelo regresso de Viserys, através do Mar Estreiro, para os libertar”
“O povo comum reza por chuva, crianças saudáveis e por um verão que nunca acabe”, conta-lhe Ser Jorah. “É irrelevante para eles se os grandes senhores jogam o seu jogo dos tronos, enquanto os deixarem estar em paz.”
Ele encolhe os ombros. “Nunca estão”.
As desigualdades em Westeros são gritantes, mesmo nas regiões que não mergulharam no caos da guerra e onde persiste uma relativa paz social. As divergências de interesses entre quem domina e os que são dominados é bastante evidente.
Com as devidas distâncias, tal ainda acontece nas nossas sociedades democráticas, nas quais os interesses das elites com influência económica e política colidem, muitas vezes, com os da população em geral. Não serão os níveis elevados de abstenção em atos eleitorais resultado do fosso crescente entre as elites e o “povo miúdo”, cada vez mais nas tintas para o “jogo de tronos” da gente graúda”?
![thelawsofgodsandmen1.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039536thelawsofgodsandmen1.jpg)
Tyrion Lannister explica a dívida soberana: “Se falharmos os pagamento, o banco vai financiar os nossos inimigos. De uma maneira ou outra, vai receber sempre o seu ouro de volta”
HELEN SLOAN/HBO
“Um Lannister paga sempre o que deve” (quando não empurra com a barriga)
Segundo o adágio popular de Westeros, “um Lannister paga sempre o que deve”. A confiança depositada nesse credo é uma das fontes de poder do clã. Contudo, com o desenrolar da história vamos percebendo que o verdadeiro poder reside no Banco de Ferro, da cidade livre de Braavos. Seria hoje um misto de Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, que não hesita em imiscuir-se nos jogos políticos locais. O trono, controlado pelos Lannister, está brutalmente endividado aos próprios Lannister, a uma série de mercadores e ao Banco de Ferro.
Tal como muitos países da atualidade, o grande problema dos Sete Reinos chama-se dívida soberana. E, tal como no mundo real, o Estado procura tapar buracos orçamentais aumentando os impostos.
No terceiro episódio da terceira temporada da série, Tyrion Lannister, o filho mal-amado de Tywin e recém-empossado para a pasta das Finanças, comenta com o seu guarda-costas, Bron, a quem explica os mecanismos dos empréstimos: “Não é com o meu pai [a dívida da coroa a este] que me preocupo. É com o Banco de Ferro de Braavos. Devemos-lhe milhões. Se falharmos os pagamentos, o banco vai financiar os nossos inimigos. De uma maneira ou outra, vai receber sempre o seu ouro de volta.”
Lá para o quinto volume da saga, Cersei Lannister, a rainha regente, não se mostra disponível para pagar – ou, pelo menos, pretende adiar o pagamento. Renegoceia prazos com alguns credores menores e sonha com a criação de uma espécie de banco central próprio para reconquistar a soberania financeira. Quem não quer ouvir falar em renegociação é o Banco de Ferro que envia o seu emissário, Noho Dimittis, a Kings Landing. Cersei Lannister fá-lo esperar durante duas semanas a fio, até o receber em audiência. Tenta despachá-lo, dizendo-lhe para tratar do assunto com um responsável das finanças dos Sete Reinos [ela nomeou, entretanto, outro para o lugar do irmão]. Nesse contexto produz-se o seguinte diálogo:
“Já falei com o Lorde Gyles seis vezes. Ele tosse sobre mim e vem com desculpas, Vossa Graça, mas o ouro é que nunca aparece.”
“Fale com ele uma sétima vez”, sugere Cersei agradavelmente. “O número sete é sagrado para os nossos deuses.”
“Estou a ver que Vossa Graça gosta de dizer piadas.”
“Quando digo piadas sorrio. Vê-me sorrir? Ouve-me rir? Garanto-lhe que rio quando digo uma piada.”
“O rei Robert –“
“– morreu.” disse ela rispidamente. “O Banco de Ferro receberá o seu ouro quando esta rebelião for esmagada.”
O Banco de Ferro vira as costas aos Lannister e começa a financiar a campanha militar de Stannis Baratheon, irmão do defunto Rei Robert e pretendente ao trono. Ou seja, o credor intervém na política dos Sete Reinos, apostando em quem lhe garanta não ficar a perder. Qualquer semelhança com o que aconteceu no início da presente década em Itália e na Grécia, onde por pressão da troika foram nomeados governos de tecnocratas não eleitos, é mera coincidência.
E agora, um palpite: Com Stannis fora da corrida, na quinta temporada, a atuação do Banco de Ferro nos episódios que ansiosamente se esperam pode ser uma pista para o desfecho da trama. A próxima aposta do sistema financeiro será a que ocupará o trono de ferro?
![PetyrBaelish.jpg](https://images.trustinnews.pt/uploads/sites/5/2019/10/8039611PetyrBaelish.jpg)
Peter Baelish (Littlefinger, ao centro) é mestre da intriga paliciana. Confiaria a este homem as suas poupanças?
HBO
A confiança como fator de estabilidade
Quase no final da primeira temporada da série e do primeiro volume da saga, Ned Stark é traído na sala do trono. Enquanto os seus homens morrem à sua volta, “Littlefinger” [Petyr Baelish] puxa o punhal de Ned da bainha e encosta-lhe a lâmina ao pescoço. E, com um sorriso cinicamente apologético, diz-lhe:
“Avisei-o para não confiar em mim.”
Confiar, confiança, desconfiar, suspeitar, desconfiança e suspeita são palavras utilizadas em grande abundância nos guiões televisivos e nos cinco livros até agora publicados. São as traições permanentes e inesperadas que causam mais instabilidade em Westeros. São também elas aquilo que mais agarra o leitor e o telespetador.
Mas na vida real ninguém gosta de ser atraiçoado. A desconfiança retrai-nos e condiciona as nossas decisões. Todos os dias, enfrentamos questões de confiança, seja na vida pessoal ou profissional e, sobretudo, quando se trata de confiar a alguém as poupanças de uma vida de trabalho.
Nos últimos dias deste ano, as centenas de portugueses que compraram obrigações subordinadas do Banif, tendo sido alegadamente levados a crer tratarem-se de simples depósitos, deverão ter sentido algo semelhante à frieza do aço do punhal encostado ao pescoço de Ned Stark. Antes desses, houve os que adquiriram as obrigações de um BES, uma instituição centenária que governantes, supervisores e o próprio Presidente da República garantiam ser sólida.
Sem confiança não há estabilidade. Sem estabilidade a economia descarrila. A história económica ensina que uma crise de confiança pode aumentar a probabilidade ou mesmo precipitar acontecimentos, como corridas aos depósitos. Não se trata de um simples estado de alma. Os índices de confiança podem ser medidos, e são uma importante ferramenta de análise e previsão económica. É confiando que as pessoas podem ter expetativas e decidir se realizam ou adiam um investimento produtivo.
Sem essa confiança ficaremos mais perto do mundo ficcionado por Martin e daquela passagem onde Davos Seaworth reflete sobre a biografia do amigo em quem mais confia, Salladhor Saan, um pirata de má fama, contrabandista, mercador e banqueiro: “Quando um pirata se torna suficientemente rico, transformam-no num príncipe”.