O Presidente do Brasil reduziu o número de ministérios dos anteriores 29 para 22, mais sete do que prometera em campanha. Nomeou dois superministros – o guru ultraliberal Paulo Guedes e o superjuiz Sérgio Moro -, seis militares, dois pastores evangélicos e apenas duas mulheres. Como na tropa à moda antiga.
Seis dos seus governantes estão a ser, ou já foram, investigados por obtenção de ganhos financeiros ilegais: Luiz Henrique Mandetta, Teresa Cristina, Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes, Marcos Pontes e Marcelo Antonio. E quatro deles transitam do anterior governo de Michel Temer.
É este o elenco que vai governar o Brasil nos próximos quatro anos:
ONYX LORENZONI
Ministro da Casa Civil. Este veterinário de formação é o braço direito de Bolsonaro. Está a ser investigado por ter recebido dinheiro de uma empresa de produção de carne para financiar a sua campanha ao cargo de deputado federal, em 2012 e 2014.
SÉRGIO MORO
Ministro da Justiça e Segurança. O juiz federal conduziu a operação Lava Jato e que deu ordem de prisão a Lula da Silva, impedindo a sua candidatura presidencial.
AUGUSTO HELENO
Ministro da Segurança Institucional. Este general do Exército na reserva é um dos homens mais próximos do Presidente. A sua atuação musculada nas operações de paz do Haiti é controversa.
PAULO GUEDES
Ministro da Economia (com a tutela da Fazenda, Planeamento, Desenvolvimento e Gestão e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Economista de convicções ultraliberais, formado na Escola de Chicago, está a ser investigado por fraudes com fundos de pensões.
MARCOS PONTES
Ministro da Ciência e Tecnologia. O astronauta brasileiro, militar na reserva, chegou a ser investigado por envolvimento em atividade comercial ilícita, mas o processo foi arquivado.

FERNANDO AZEVEDO E SILVA
Ministro da Defesa. General na reserva, ocupou funções políticas nos governos de Collor, Lula e Dilma. Próximo de Augusto Helena, foi outro dos intervenientes nas operações de paz no Haiti.
ERNESTO ARAÚJO
Ministro das Relações Exteriores. Diplomata de carreira, é um defensor do reforço das relações com o governo norte-americano de Donald Trump.
TARCíSIO FREITAS
Ministro da Infraestrutura. Formado em engenharia civil, anunciou a criação de um órgão de combate à corrupção nas obras públicas.
TERESA CRISTINA
Ministra da Agricultura. A deputada federal e empresária foi indicada para o cargo pela poderosa Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). É investigada por concessão de incentivos fiscais irregulares a empresas quando era secretária estadual do Mato Grosso do Sul.
RICARDO RODRÍGUEZ
Ministro da Educação. Colombiano naturalizado brasileiro, é um desconhecido da comunidade educacional. Promete acabar com a “ideologia” nas escolas e promover conceitos como a família e os valores.
OSMAR TERRA
Ministro da Cidadania. Foi titular do Desenvolvimento Social no anterior governo de Michel Temer. É um crítico da descriminalização das drogas e admite restringir a venda de bebidas alcoólicas.
LUIZ HENRIQUE MANDETTA
Ministro da Saúde. Médico ortopedista, é investigado por fraude e vantagem indevida quando era secretário da Saúde em Campo Grande. Vai gerir o segundo maior orçamento ministerial.
BENTO COSTA LIMA
Ministro das Minas e Energia. Este almirante da Marinha é quem vai conduzir a privatização da Eletrobras, a maior empresa elétrica do País.
RICARDO SALLES
Ministro do Meio Ambiente. Advogado, é líder do movimento Endireita Brasil e concorreu a deputado estadual pelo Partido Novo, sem conseguir eleger-se. Defende “a bala” como resposta às ações do Movimento dos Sem Terra e é investigado por atos administrativos.
MARCELO ANTONIO
Ministro do Turismo. Participou na discussão da Lei Geral do Turismo e das medidas do Plano Brasil + Turismo. Foi coordenador da campanha de Bolsonaro em Minas Gerais e já foi investigado por transações com empresas.
GUSTAVO CANUTO
Ministro do Desenvolvimento Regional. Funcionário federal, vai tomar conta das pastas da Integração e das Cidades e promete unir as políticas de desenvolvimento regional e de desenvolvimento urbano, com o foco no crescimento económico.
DAMARIS ALVES
Ministra dos Direitos Humanos. Pastora evangélica e advogada, fazia parte do gabinete do senador Magno Malta, um dos principais apoiantes de Bolsonaro escolhido para fazer uma oração transmitida para todo o Brasil na noite eleitoral.
GUSTAVO BEBIANNO
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Outro dos homens de confiança do Presidente, foi um dos seus braços direitos durante a campanha eleitoral.
WAGNER ROSÁRIO
Ministro da Transparência. Foi capitão do Exército e é um dos quatro ministros que transitam do anterior governo.
CARLOS ALBERTO CRUZ
Ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República. Ex-comandante das forças da ONU no Haiti e no Congo, foi secretário nacional de Segurança Pública. Transita do anterior governo.
ANDRÉ LUIS MENDONÇA
Ministro da Advocacia-Geral da União. O pastor evangélico conhece bem a casa. Transita do anterior governo de Michel Temer.
ROBERTO CAMPOS NETO
Governador do Banco Central. Ainda com estatuto de Ministério, o Banco Central do Brasil vai ser dirigido por um economista proveniente do Banco Santander.