Escrevia ela na sua folha, livre de si mesma:
Quero lá saber, não me importo com isto, estou-me nas tintas para as palavras desorganizadas que escrevo nestas linhas, só lê quem quer, só publica quem quer, que mundo este, com cada vez menos liberdade e mais interesse, interesse em não sei bem o quê, a vida é curta e sem sentido, cria-os!, não interessa o que pensam, faz parte do processo, quero lá saber, que tenho a ver com isto que têm criado antes de nascer, eu nunca morri para me dizerem o que tenho de fazer, a alma é eterna, o espírito tranquilo, tenho tempo, ou não, não existe sequer, porquê preocupar, porquê lamentar, ama!, é o que é preciso, sem medos, aproveita a ilusão, olha-te no espelho, às vezes não me consigo ver, porque estou em todo o lado, sem confusões nem ilusões, olho-me para mim, de dentro para dentro, o mais distante possível, assim vejo tudo, e regresso, para voltar, não sei bem para quê, como quem lê apenas uma página de um livro que desconhece mas sabe que tem princípio e fim, não aqui, porque não está aqui, está aí também, só está aí, e aqui também, basta olhar para ver, tu consegues, porque eu consigo, já está, deixou de ter sentido, finalmente, não é para ter, é para sentir, a vida é assim, de tão simples, não se explica, para quê, que me importa, não interessa, imagina!, é só, encontra ao pé do infinito a proximidade do momento, já lá está, pede!, se é isso que pensas, não esperes por amanhã, nunca terás, não existe, é só agora, vá!, e depois encontra-te, mas deixa-me estar, estou bem livre, agora, não há mais nada, é isto e nada, que também é tudo, deixando de ser, pois é, pode-se sempre parar de ler, e de escrever, para quê interpretar, já está, não é mais que isto, inventa!, tem muito significado e nenhum ao mesmo tempo, tem o que quiseres dar, é o que recebes, os espelhos são assim, fiéis, justos, nada a acrescentar.
A folha era branca. Só agora tinha reparado.