Um novo estudo calcula que 90% das infraestruturas construídas pelos povos indígenas, antes da chegada de Colombo, ainda permanecem por descobrir, na floresta da Amazónia. Se estes valores estiverem corretos, significa que só uma pequena fração de todas as construções destes povos é conhecida atualmente.
Os povos indígenas habitam aquela região há mais de 12 mil anos e, com o passar do tempo, foram construindo estruturas complexas, como estradas e monumentos fúnebres, modificando os ecossistemas locais com boas práticas de gestão de terreno e domesticando plantas que são úteis hoje em dia.
Agora, uma equipa liderada por Vinicius Peripato, investigador brasileiro, reporta ter encontrado pelo menos 24 novos locais, incluindo vilas fortificadas, praças e outras estruturas complexas. A descoberta foi feita com recurso ao LiDAR. Ao extrapolar os resultados encontrados naquela fração de terreno analisado, a equipa concluiu que “entre 10272 e 23648 locais permanecem por descobrir” e que a maior parte se localiza na região sudoeste da Amazónia, cita o Vice.
Ajuda do LiDAR
“Durante a era pré-Colombo, a Amazónia era o lar para sociedades densas e complexas ao longo de toda a área florestal. Estas sociedades indígenas antigas tinham conhecimento profundo do movimento da Terra, das dinâmicas dos rios, do enriquecimento do solo, da ecologia de animais e plantas, o que lhes permitiu criar zonas de terreno domesticadas que eram mais produtivas para humanos”, explica a equipa no estudo publicado na Science.
Muitos destes locais estarão em zonas de difícil acesso ou mesmo inacessíveis, o que complica a sua descoberta ou mesmo deteção. Estes investigadores usaram a técnica de LiDAR, de disparar lasers a partir de veículos no ar para o solo para mapear o tempo que demoram a ser refletidos, conseguindo desta forma desenhar as estruturas, o que seria difícil de outra forma.
A descoberta reforça o direito que estes povos indígenas têm ao solo “servindo de prova tangível de uma ocupação ancestral, uma forma de vida e a sua relação com a floresta. Hoje, o povo indígena assiste a um difícil reconhecimento do seu direito à terra originalmente habitada pelos seus antecessores”, descreve Peripato.