Já se sabe que a atividade cerebral depende da chegada de açúcares, convertidos em trifosfato de adenosina (ATP, da sigla inglesa) para alimentar as necessidades de energia e tratar do processamento de informação. Mesmo que a pessoa esteja com fome, estes consumos por parte do cérebro não mudam muito. No entanto, há muito que os investigadores se perguntavam se os cérebros podem ter um modo de ‘baixo consumo’ que se ativa sob determinadas circunstâncias, como longos períodos de fome, à semelhança do que acontece com aparelhos eletrónicos, como smartphones ou portáteis.
Um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado na revista Neuron, descobriu que em ratos que foram privados de comida durante um longo período de tempo, perdendo 15 a 20% do seu peso saudável, os seus cérebros reduziram a ATP consumida em 29%. Para compensar esta redução, a forma como estes ratos veem o mundo foi alterada, com Zahid Padamsey, que lidera o estudo, a explicar que “o que estamos a ter com este modo de baixo consumo é uma imagem de baixa resolução do mundo”, cita a Wired. Na prática, os ratos esfomeados viram o cérebro a baixar as suas necessidades e a reduzir o detalhe de informação captada e processada pelos olhos, tal como acontece nos smartphones que desligam funções não essenciais para preservar bateria durante mais tempo.
O estudo está a ser bastante bem acolhido pelos pares e prevê-se que possa vir a ter implicações importantes em trabalhos posteriores sobre subnutrição e sobre a forma como algumas dietas podem ter impacto na forma como as pessoas veem o mundo ou obtêm perceções sobre o que os rodeia.
No trabalho atual, os investigadores procuram perceber como a falta de comida durante períodos prolongados de tempo tem impacto no cérebro dos ratos. As cobaias viram as doses serem reduzidas ao longo de três semanas, até perderem 15% do seu peso, apesar de terem passado por um regime alimentar completo antes de se começar a experiência. Depois deste período de redução, foi medida a atividade neuronal, nomeadamente a que está ligada ao córtex visual quando os ratos viam imagens de barras pretas em diferentes orientações e ângulos. As respostas do cérebro, ou seja, os picos de atividade elétrica, registaram-se quando os ratos viam imagens com as orientações preferidas, em determinados ângulos, com a atividade a baixar quando os ângulos eram diferentes dos que eram esperados.
Leia a análise completa sobre este estudo e outros relacionados publicada na Wired.