Quatro pavilhões, 1900 metros quadrados de área expositiva focada em soluções e componentes de engenharia, soluções energéticas e ecossistemas digitais, com a presença de empresas de setores como a metalomecânica, automóvel, aeronáutica, têxteis, moldes, tecnologias digitais e renováveis. Será esta a cara com que Portugal irá aparecer como país-parceiro da Hannover Messe 2022, considerada a principal feira de tecnologia industrial a nível mundial, e onde o País é apresentado como tendo a terceira maior taxa de formados em Engenharia na Europa e o terceiro País mais seguro do mundo.
Mas o que o Governo quer, explicou esta segunda-feira o ministro da Economia em conferência de imprensa, é usar o certame como montra das valências tecnológicas de vários setores, para que o País possa ser “reconhecido pela sua força industrial”. “Uma das coisas em que Portugal está a tornar-se mais capaz é em termos de digitalização da indústria, nas energias verdes, nos avanços na descarbonização da economia”, resumiu Pedro Siza Vieira, numa intervenção na residência do embaixador alemão em Portugal, no âmbito da visita do ministro-presidente da Baixa Saxónia, Stephen Weil, e do presidente da Deutsche Messe (organizadora da feira), Jochen Köckler.
O ministro salientou ainda a necessidade de aproximar geograficamente os players das cadeias de valor para reduzir o impacto ambiental e as incertezas para a indústria e para a economia (reveladas sobretudo durante a pandemia) e sublinhou que se pretende destacar na feira as capacidades e a produtividade do País perante as empresas de todo o mundo que ali estarão presentes e não uma economia de baixos custos de mão de obra.
Com o lema “Portugal Makes Sense” (Portugal Faz Sentido”, na tradução para português), o Governo espera a participação de cerca de pelo menos uma centena de empresas , sendo que mais de 80 delas já se inscreveram. Luís da Castro Henriques, presidente da Aicep, espera que levem consigo casos de sucesso e soluções competitivas, entre as quais as desenvolvidas em parceria com investidores alemães.
O investimento na participação nacional na feira, que retoma o formato presencial após dois anos de interrupção por causa da pandemia, ascende a mais de 4 milhões de euros, sendo que estão reservados 1,2 milhões de euros para apoiar a presença de pequenas e médias empresas. Neste caso, podem ser suportados até 45% dos custos de participação.
Na última edição presencial, em 2019, a Hannover Messe teve 215 mil visitantes e 6.500 expositores. Em 2022 a feira decorre de 25 a 29 de abril e celebrará os seus 75 anos de atividade.
As 574 empresas alemãs a operar em Portugal são responsáveis, segundo a embaixada alemã, por mais de 50 mil postos de trabalho. Nos primeiros oito meses deste ano, segundo dados do INE citados pela Aicep, as exportações portuguesas de bens para a Alemanha (sobretudo máquinas e aparelhos como automóveis e outros veículos) aumentaram 11,6% em relação ao período homólogo, que tinha sido fortemente marcado pela pandemia, para os 4,5 mil milhões de euros. No mesmo período, Portugal fez compras de 6,7 milhões ao mercado germânico.