O “Virgem Dolorosa” saiu do porto da Figueira da Foz às 23h11 de terça-feira, para mais uma maratona de pesca. A bordo iam 17 tripulantes, 15 portugueses e dois indonésios, com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos. De acordo com os dados registados no site Vessel Finder, a embarcação rumou a Sul.
A jornada de trabalho parecia correr normalmente. A tripulação terá detetado um cardume e realizado pesca ao cerco. A última posição conhecida do “Virgem Dolorosa” foi reportada pelo site às 03h07 desta quarta-feira, entre as praias de Vieira de Leiria e São Pedro de Moel. Segundo as informações transmitidas aos jornalistas, pelo presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, o peixe já estava dentro da traineira quando a tragédia aconteceu.

Às 4h33 desta madrugada, o comando local da Polícia Marítima da Nazaré recebeu um pedido de socorro. O “Virgem Dolorosa” – que, nesse momento, se encontrava a cerca de uma milha da costa (o equivalente a 1852 metros) – estava a afundar ao largo de São Pedro de Moel, município da Marinha Grande.
De acordo com a Autoridade Marítima Nacional (AMN), após o alerta foram de imediato iniciadas buscas através de quatro embarcações de pesca que se encontravam nas proximidades, e que foram responsáveis pelos primeiros resgates (salvaram 11 tripulantes, nove portugueses e dois indonésios).
Foram também ativadas duas embarcações da Estação Salva-vidas da Nazaré e da Figueira da Foz, uma equipa de vigilância aérea do Comando-local da Polícia Marítima da Nazaré e uma aeronave da Força Aérea Portuguesa. Para o local deslocaram-se ainda elementos do Projeto “SeaWatch”, da AMN, e o Grupo de Mergulho Forense da Polícia Marítima.
Ao todo, participaram na operação de resgate 38 elementos e 20 meios de socorro. À chegada ao local do naufrágio, o socorro confirmou que a embarcação já estava a afundar, parcialmente submersa, como se pode confirmar num vídeo (acima) divulgado pelas autoridades.

Das 11 pessoas resgatadas, apenas uma inspira cuidados. Mas há já três mortes confirmadas – dois pescadores viviam em Buarcos e outro em Lavos, no município da Figueira da Foz. A identidade de Joel Reboca (foto à direita) é a primeira a ser conhecida. Há ainda três desaparecidos. Nas redes sociais multiplicam-se as manifestações de solidariedade. Os mortos e os desaparecidos têm todos nacionalidade portuguesa.
O adornamento da embarcação permanece, para já, um mistério. Em comunicado, a AMN reconhece que as causas que estiveram na origem do acidente são ainda “desconhecidas”.
Aos jornalistas, o armador António Lé, presidente da Organização de Produtores da Figueira da Foz, garantiu que a embarcação era “moderna” e que “os tripulantes eram habituais e experientes”.
Marcelo apresenta condolências às famílias
Em comunicado, publicado no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que “lamenta profundamente o naufrágio de uma embarcação na faina da pesca e o falecimento de pescadores”.
“Esta profissão, que tanto enriquece a nossa tradição marítima, também nos recorda os riscos e desafios enfrentados por muitos dos nossos compatriotas, os quais merecem o nosso respeito e admiração. A perda das vidas destes valorosos homens é uma tragédia para todos nós”, lê-se na nota do Presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa “endereça as sinceras condolências às famílias, associando-se à dor e ao luto daqueles que perderam um ente querido, um colega de faina ou um amigo, bem como deseja rápida recuperação aos feridos desta trágica ocorrência”.