Luís Montenegro anunciou uma comunicação ao País depois de uma reunião com as ministras da Justiça e da Administração Interna, no dia em que a PJ deteve os suspeitos do ataque a um autocarro que provocou queimaduras graves a um motorista e em que houve mais uma grande operação policial no Martim Moniz. A operação Portugal Sempre Seguro, que decorre desde 4 de novembro, é uma forma de o Governo manter o tema da segurança no topo da agenda mediática, mas Luís Montenegro, que por várias vezes falou já nas perceções de segurança admite agora que “Portugal é um país seguro, um dos mais seguros do mundo”, aliás, um dos grandes argumentos para captar turistas e investimento imobiliário. Porquê então esta comunicação ao País? “Portugal é um país seguro, mas é preciso não viver à sombra da bananeira”.
Num dia em que ainda decorreram votações na especialidade do Orçamento do Estado para 2025, o primeiro-ministro resolveu ainda anunciar à hora dos telejornais um investimento de mais 20 milhões na aquisição de “600 veículos para a PSP e para a GNR”, que será aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros.
Luís Montenegro aproveitou para dar os dados da Operação Portugal Sempre Seguro, durante a qual foram feitas mais de 170 operações, que envolveram mais de 4 mil efetivos de várias forças e serviços, fiscalizadas mais de 7 mil pessoas e mais de 10 mil veículos automóveis.
Uma reunião para analisar uma megaoperação
Montenegro justificou a reunião com as ministras da Justiça e da Administração Interna e os diretores da PJ, da PSP e da GNR, como tendo servido para analisar a megaoperação lançada esta manhã pela PJ para investigar e deter os autores dos tumultos que seguiram à morte de Odair Moniz.
“O Governo está empenhado em poder dar à sociedade as respostas que a sociedade almeja para não só sermos um país seguro como também para darmos condições de tranquilidade às forças de segurança”, disse o primeiro-ministro.
Luís Montenegro foi questionado sobre o dramatismo de ter anunciado uma comunicação ao País sobre segurança interna e sobre se isso não põe em causa a imagem de Portugal como um país seguro, tal como demonstram os relatórios sobre o tema. “Não escolhi a hora em função de nada especial e a conferência de imprensa que estamos a realizar visa dar nota das nossas decisões e da forma como elas são implementadas e, por via disso, tranquilizar o país”, respondeu.
“Temos de tudo fazer para melhorar o desempenho da salvaguarda dos direitos das pessoas”, insistiu.
Montenegro não fala sobre dúvidas relativas à atuação policial
Montenegro não teve uma palavra sobre as dúvidas que subsistem relativamente à atuação policial nos bairros periféricos e em particular no caso que levou à morte de Odair Moniz e não se comprometeu com uma ida a essas zonas, depois de questionado pelos jornalistas.
“Estamos no terreno todos os dias. Não estamos indiferentes às circunstâncias que determinadas zonas enfrentam. É consabido que o Governo reuniu com os presidentes das Câmaras afetadas e com as associações de moradores. Não teremos nenhum problema em estar no terreno quando tivermos de estar no terreno”, afirmou.