Nas últimas décadas tem-se difundido a ideia de que o século XXI será o “século da China”, uma expressão muitas vezes associada ao trabalho de Henry Kissinger. Em 2024, Joe Biden chegou, inclusive, a afirmar que os EUA estariam em “competição com a China para vencer o século XXI”, uma declaração proferida pouco depois de o novo Conceito Estratégico da NATO, de 2022, salientar os “desafios sistémicos” que a China lança à ordem internacional.
Após décadas de ascensão silenciosa, a China, beneficiando da janela de oportunidade aberta pela crise de 2008, adotou gradualmente uma postura mais assertiva. Sob a liderança de Xi Jinping, e sob o lema do “sonho chinês”, a China inaugurou uma “diplomacia de grande potência”, passando a exigir um “lugar ao sol”. Foi neste contexto que lançou uma iniciativa global designada de Faixa e Rota, na qual Portugal participa desde 2018. Apesar das promessas de desenvolvimento e de conetividade, esta iniciativa é um instrumento para a China expandir a sua influência e reforçar as suas capacidades geopolíticas em diversas áreas geográficas.
A China tem o objetivo de reconfigurar os padrões e estruturas internacionais de modo a que estes se alinhem mais com a sua visão do mundo e se tornem mais favoráveis aos seus interesses