Fazer férias em Portugal está cada vez mais caro e ameaça ficar (ainda mais) fora das possibilidades dos portugueses. A taxa de inflação nos estabelecimentos hoteleiros superou os 32%, no último ano – a maior subida entre os pares europeus e o dobro do agravamento de preços médio na União Europeia (15,9%) –, segundo dados do Eurostat. Portugal não é só o País europeu onde os preços mais sobem, é também um dos países do mundo com o preço da dormida mais cara. Já em 2021, o Fórum Económico Mundial calculava em €114 o preço médio dos quartos em Portugal (em hotéis com um mínimo de 3 estrelas), o que posicionava o país em 84º lugar entre um total de 99 países (sendo o 99º o mais caro). A inflação – com destaque para a energia e alimentação – explica parte, mas não explica tudo. Tal como em outros setores, a procura internacional é um dos principais fatores de suporte a este enorme aumento de preços, num mercado que tenta recuperar os rendimentos perdidos durante a pandemia.
Os grupos hoteleiros esperam uma estabilização dos preços, estratégia que poderá ser alterada, se os custos continuarem a subir
Nos hotéis Vila Galé, “a fatura do gás duplicou, os custos com a água subiram 8% e, ao nível alimentar, os mesmos artigos comprados em dezembro de 2022 custavam, em média, mais 22% do que no ano anterior”, conta Gonçalo Rebelo de Almeida, CEO do grupo, que detém 27 unidades em Portugal. Subidas consecutivas de preços que, diz, “foram impossíveis de acomodar totalmente sem as refletir no preço final”. O aumento médio, naquele que é o segundo maior grupo hoteleiro nacional, ficou, no entanto, pelos 14%, muito abaixo da subida de preços global, num setor cuja taxa de inflação é, aliás, pouco homogénea. Por exemplo, em Lisboa, o preço médio do quarto vendido em hotéis de 3 estrelas disparou 47,6%, entre janeiro e novembro – números do portal de dados abertos da Administração Pública –, enquanto, nos hotéis de 5 estrelas, o aumento ficou-se pelos 24,2%. A sazonalidade é outro fator a ter em conta: de acordo com o Eurostat, em setembro, a taxa de inflação homóloga superou os 51%; entre junho e outubro, foi superior a 40%.
