Imaculadas, assépticas, brancas. Corredor abaixo, vemos as novíssimas salas do Comprehensive Cell Therapy Center da Fundação Champalimaud onde só se entra com roupa especial e depois de um banho de desinfeção. Como num bloco operatório, aguardam a entrada de um paciente, mas o que chega ali são as suas células imunes. Chegam “enfraquecidas”, cansadas da batalha, são soldados que talvez até nem tenham visto ou reconhecido as tropas inimigas. Ali, as células são ativadas com agentes desenvolvidos em laboratório, ou mesmo geneticamente modificadas, e voltam a ser reintroduzidas no doente.

“Podemos usar um método molecular para fazer com que as células que não reconheçam o tumor passem a reconhecê-lo para que o ataquem. É como se transformássemos um exército de mil soldados numa armada de um bilião”, diz Markus Maurer, investigador e diretor do centro, tentando explicar em termos simples, para entendimento geral, um procedimento altamente complexo de fabrico de células modificadas ou de vacinas antitumorais personalizadas. Porque o remédio, aqui, é feito para um só doente de cada vez.
