Concertos
1. Pop dell’Arte Cantam por Abril
A banda de João Peste atua no Musicbox, em Lisboa, para assinalar 40 anos de vida ao mesmo tempo que celebra a liberdade. Oportunidade rara para ouvir os Pop Dell’Arte cantarem temas ligados à Revolução dos Cravos com o convidado especial Luís San-Payo. Musicbox, Lisboa > 24 abr, qui 21h > €15,50
2. Sérgio Godinho e A Garota Não
Com mais de meio de século de carreira, o autor de Liberdade e Maré Alta junta-se a uma das vozes que, nos últimos anos, mais fizeram por trazer o espírito da música de intervenção, com temas sociais e políticos, para os nossos dias: Cátia Mazari Oliveira, mais conhecida como A Garota Não. À meia-noite há fogo de artifício ao som de Grândola, Vila Morena e, depois, sobe ao palco o músico luso-angolano Ivandro. Parque da Quinta dos Franceses, Seixal > 24 abr, qui 21h30 > grátis
3. GNR + Van Zee
Rui Reininho, Tóli César Machado e Jorge Romão atuam em Almada, apropriadamente na Praça da Liberdade, na véspera do 25 de Abril. A seguir aos GNR sobe ao palco Van Zee, jovem músico nascido ilha na Madeira muitos anos depois do 25 de Abril de 1974 – tem apenas 22 anos, mas acumula sucessos desde 2020. Pç. da Liberdade, Almada > 24 abr, qui 22h30 > grátis
4. Camané Trio
No próprio feriado do 25 de Abril, a revolução celebra-se ao ar livre, bem no centro de Lisboa, com a grande voz do fado, Camané. Já lá vai o tempo em que este género musical era só conotado com conservadorismo e tradição… Lg. do Intendente, Lisboa > 25 abr, sex 21h > grátis
5. Dino d’Santiago
Espetáculo especialmente pensado por Dino d’Santiago para celebrar os valores de Abril. Cinema-Teatro Joaquim de Almeida, Montijo > 26 abr, sáb 21h30 > grátis
6. JP Simões canta José Mário Branco
É uma paixão antiga, a que JP Simões sente pela música de José Mário Branco, iniciada ainda durante a adolescência, quando ouviu na rádio o tema Inquietação, do qual, anos mais tarde, faria uma versão no seu álbum de estreia a solo, 1970 (2006). O alinhamento para o concerto obedeceu a um critério bastante simples: “Escolhi as canções que soassem o mais natural possível na minha voz e nos arranjos. Portanto, tudo aquilo que soou mais forçado acabou por ficar de parte. Foi um processo, digamos, muito intuitivo, pois são temas que também me tocam bastante.” Em palco estará, também, o músico Nuno Ferreira (responsável pelos arranjos), o contrabaixista Pedro Pinto e Ruca Rebordão na percussão. Coliseu do Porto > 23 abr, qua 21h > €12,5 a €20
7. Capicua
Depois de uma homenagem a Carlos Paredes (que começa às 22h) a rapper do Porto vai atuar bem no centro da sua cidade. Algumas das canções do seu novíssimo álbum, Um Gelado Antes do Fim do Mundo, marcarão, certamente, presença neste concerto. Logo a seguir há uma atuação do Coral de Letras da Universidade do Porto e um espetáculo de fogo de artifício. Av. dos Aliados, Porto > 24 abr, qui 22h15 > grátis
8. Paulo de Carvalho
A freguesia de Benfica celebra o 25 de Abril com vários concertos no Palácio Baldaya. Paulo de Carvalho, um dos dois nomes, ao lado de José Afonso, para sempre ligados à Revolução dos Cravos por terem tido uma canção sua (E Depois do Adeus, no seu caso) a servir de senha na rádio, vai ser o último, no dia 27, às 17h. Antes, passam por esse palco, entre outros, Jorge Palma (24 abril, 21h), Cláudia Pascoal (25, 17h), Samuel Úria (25, 21h) e Luca Argel (26, 21h). Palácio Baldaya, Lisboa > 27 abr, dom 17h > grátis
Escuta coletiva
9. “…e temos o povo…”
No átrio das ruínas do Convento do Carmo, as comemorações deste ano propõem uma experiência inédita: uma sessão de escuta coletiva da reportagem transmitida pela Rádio Renascença nas primeiras horas do 25 de Abril de 1974. É a primeira vez, desde esse dia histórico, que há uma retransmissão integral desta peça radiofónica da autoria de Adelino Gomes, Paulo Coelho e Pedro Laranjeira. No local estarão, apresentando esta iniciativa, os curadores Adelino Gomes, Isabel Meira e André Cunha, com a participação especial de Joaquim Furtado. Ruínas do Carmo, Lisboa > 25 abr, sex 18h-22h > grátis
Exposições
10. Haverá Eleições. 1975, as Primeiras Eleições Livres em Portugal
Assinalam-se por estes dias os 50 das primeiras eleições parlamentares livres, por sufrágio direto e universal, que aconteceram a 25 de abril de 1975, com uma afluência às urnas de 92% dos eleitores recenseados. Esta exposição – com curadoria do politólogo Pedro Magalhães e da cineasta Catarina Vasconcelos – permite-nos recordar e contextualizar esse dia histórico. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa > até 22 out, qua-seg 10h-18h > grátis
11. Antes de Ser Independência Foi Luta de Libertação
Com curadoria de Rita Rato, uma viagem às independências das ex-colónias que, na sua maioria, agora assinalam meio século. O próprio título da exposição mostra uma (nova?) maneira de olhar a História: não se fala aqui de Guerra Colonial, mas de “lutas de libertação”. Muitos documentos que foram chegando ao centro de documentação do Museu do Aljube são aqui revelados. Museu do Aljube, Lisboa > até 30 jan 2026, ter-dom 10h-18h > €3
12. Cartazes sem Censura – 25 de Abril e a Revolução do Verão Quente
A entrada é livre na inauguração, às 19h de quarta-feira, 23 de abril, desta exposição que revisita a iconografia que invadiu as ruas portuguesas entre o 25 de Abril de 1974 e o Verão Quente de 1975. De repente, tudo era possível, tudo podia ser dito e reivindicado nas paredes e em cartazes mais ou menos improvisados. MAC/CCB, Lisboa > 23 abr-28 set, ter-dom 10h-18h30 > €7
13. Francisco Sá Carneiro e a Construção da Democracia
Não é um nome que se costuma associar à Revolução dos Cravos, mas foi, sem dúvida, uma das personagens mais carismáticas nos primeiros anos da democracia portuguesa. Esta exposição, com a colaboração do arquivo Ephemera, idealizado e construído por Pacheco Pereira, mostra vários documentos inéditos relacionados com o político do PPD/PSD que morreu precocemente, aos 44 anos, em 1980, quando era primeiro-ministro. Átrio da Câmara Municipal do Porto > 23 abr-30 jun, seg-sex 9h-19h, sáb e feriados 10h-19h > grátis

14. O Salto: Migrações e Exílios de Ontem e Hoje
Muitos fugiam à Guerra Colonial, outros estavam, sobretudo, preocupados com um futuro melhor e com trabalhos mais bem pagos do que os que conseguiam encontrar em Portugal. Esta exposição evoca histórias de exílios e migrações, sobretudo dos mais de 220 mil jovens portugueses que, entre 1961 e 1974, saltaram as fronteiras nacionais, clandestinamente. Casa do Parlamento – Centro Interpretativo, Lisboa > até 30 abr, seg-sáb 10h-18h > grátis
15. Arquitectas da Liberdade
Aqui se sublinha o papel das mulheres na luta pelo direito à habitação e a casas dignas, antes e depois do 25 de Abril de 1974. Museu do Aljube, Lisboa > até 30 abr, ter-dom 10h-18h > €3

16. Bonecos para o povo de João Abel Manta
A Sociedade Nacional de Belas-Artes expõe uma amostra significativa do trabalho gráfico de João Abel Manta. Do artista, nascido em Lisboa em 1928, podem ver-se trabalhos do período de 1974-75, desenhos que realizou na Prisão de Caxias em 1948, exemplos da sua contribuição para a imprensa durante o PREC e um conjunto de documentos provenientes do seu arquivo (originais, fotografias, cartas e recortes de imprensa). SNBA, Lisboa > até 31 de maio, seg-sex 12h-19h, sáb 14h19h > grátis

Festival
17. Festival Política
Conversas, exposições (uma delas evoca os 50 anos das primeiras eleições livres em Portugal), música (com destaque para o hip-hop mais interventivo), sessões de cinema e humor marcam mais uma edição deste festival muito peculiar em que se debate o presente e o futuro, aos ombros do passado. Em destaque nesta edição, 50 anos depois do Verão Quente, estão as “atuais revoluções em curso”. Programação completa em festivalpolitica.pt. Cinema São Jorge, Lisboa > 24-26 abr, qui-sáb > grátis
De cravo ao peito ou ao ombro
18. Pregadeira Cravo Em madeira, desenhado e produzido em Trás-os-Montes pela Cut Out. €10 > bycutout.com
19. Saco “Sempre” Ilustração e bordado da autoria de Joana Caetano, em algodão. €45 > jubela.etsy.com
20. Colete “Liberdade” Em algodão e feito em Portugal, uma parceria entre a Casa Tigre e o Armazém das Malhas. €49 > casa-tigre.com
Teatro
21. A Tragédia de Aristides Inhassoro
Uma história que remete para a Guerra Colonial (ou luta de libertação, depende do ponto de vista), centrada num capitão negro ao serviço do Exército português em Moçambique. Um texto de Pedro Galiza com encenação de João Cardoso apresentado pelo grupo Assédio Teatro. São Luiz Teatro Municipal, Lisboa > 24-27 abr, qui-sáb 20h, dom 17h30 > €12 a €15

22. 50 Madrugadas
Com encenação e dramaturgia de Jorge Gomes Ribeiro, com a marca do grupo Companhia da Esquina, esta peça evoca o enérgico imaginário do poeta José Carlos Ary dos Santos. A ação passa-se na redação de um jornal onde se prepara um artigo sobre fado e democracia. Nessa noite, memórias vão-se des(a)fiando entre poemas e canções. Museu do Fado, Lisboa > 24 abr-3 mai, 19h > €5
23. Quis Saber Quem Sou
Uma criação do atual diretor do Teatro Nacional D. Maria II, Pedro Penim, que leva ao palco do Coliseu dos Recreios “as canções da revolução, as palavras de ordem, as cantigas que são armas, mas também as histórias pessoais das gerações que fizeram o 25 de Abril”. Nesta peça de teatro que às vezes parece um concerto, ou vice-versa, representam jovens atores e cantores que foram escolhidos em audições feitas em todo o País. Coliseu dos Recreios, Lisboa > 25-26 abr, sáb-dom 21h > €5 a €25
24. O Monte
Esta peça do Teatro Livre, com texto de João Ascenso e encenação de Cucha Carvalheiro e Miguel Sopas, leva-nos para um monte alentejano em 1987. A sua ação inspira-se num relato da atriz Luísa Ortigoso (que está em palco) sobre um ex-preso político que, anos depois do fim da ditadura, encontra o seu torturador. Impunidade? (In)justiça? Perdão? Temas que ficam para reflexão e que não perdem atualidade por muitos anos que passem sobre acontecimentos traumáticos de um tempo de luta e resistência. Teatro do Bairro, Lisboa > 24 abr-4mai, qua-sex 21h30, sáb-dom 18h > €15
Livros
25. Anónimos de Abril
É livro, mas também é disco (disponível em formato digital) e espetáculo ao vivo. Aqui, honra-se “o nome e as histórias de figuras que tiveram a coragem de enfrentar e fragilizar o regime que durante 48 anos oprimiu os portugueses”. As oito canções originais trazem-nos as palavras de José Fialho Gouveia e composições e vozes de Rogério Charraz e Joana Alegre (com a participação especial de João Afonso). No livro, há textos de Fialho Gouveia, Miguel Carvalho e Aurora Rodrigues (e ilustrações de Marta Nunes) dedicados às vidas e lutas de anónimos defensores da liberdade. Zigurate, 128 págs., €18,40

26. Breve História do PREC
O jornalista Rui Cardoso dedica-se aqui a contar de forma “concisa” o “período mais conturbado da democracia portuguesa”, 50 anos depois do Processo Revolucionário em Curso. Uma história cheia de episódios picarescos, vitórias, derrotas, muitas ilusões e desilusões, confusões. “Portugal parecia um manicómio em autogestão, mas, pelo menos transitoriamente, foi o povo quem fez a História”, escreve o autor. Oficina do Livro, 224 págs., €15,90
Cinema
27. Ciclo Portugal 1974 – Um Sítio que Não Existe, um Tempo que Verdadeiramente Existiu
Na Cinemateca assinalam-se os 51 anos da Revolução sublinhando o olhar exterior de quem por esses tempos passou por Portugal. Há muitas preciosidades e raridades na programação, com diversas origens geográficas e diferentes graus de compromisso com os ideais revolucionários de Abril. Certo é que o 25 de Abril de 1974 foi um cenário de sonho e experimentação para muitos revolucionários de todo o mundo que aqui viram uma janela abrir-se, num canto da Europa, para utopias várias. Toda a programação do ciclo aqui. Cinemateca Portuguesa, Lisboa > 22-30 abr

Televisão
28. Rumo à Liberdade
Rumo à Liberdade, o documentário com duas partes que António Barreto assina e que irá estrear-se na RTP Memória, reflete sobre o antes e o depois do 25 de Abril, num arco temporal que vai do final dos anos 1950 até à aprovação da Constituição, em 1976. Andante e Allegro, nome de cada uma das partes do documentário de duas horas, apontam também para o ritmo político que marcou esses anos. A partir de um texto escrito pelo sociólogo, a equipa de pesquisa da RTP procurou imagens no arquivo da televisão pública. Sentado num cadeirão ou em voz off, o sociólogo não se limita a debitar uma sucessão de factos no tempo; relaciona-os, descasca camadas, revela acontecimentos. Passados 51 anos do 25 de Abril de 1974, António Barreto não tem dúvidas: “O essencial de Abril cumpriu-se: acabar com a ditadura, a libertação dos presos políticos, o fim da Guerra Colonial. Daí para a frente, os portugueses escolheram; o que está errado, fomos nós que fizemos errado”, sublinha. RTP Memória > 25-26 abr, sex-sáb 21h
29. Daqui Houve Resistência
Tendemos quase sempre a olhar para os acontecimentos a partir das grandes cidades. Daqui Houve Resistência propõe um olhar descentralizado sobre a luta contra a ditadura em Portugal, em particular no Norte do País, nos últimos anos do regime de Salazar/Marcello Caetano, entre 1961 e 1974. A série, produzida pela Bando à Parte (do realizador Rodrigo Areias) para a RTP, é um retrato da coragem e dos sacrifícios de operários, estudantes, militares e ativistas políticos, a partir do livro 25 – Guimarães, Daqui Houve Resistência, um conjunto de 25 depoimentos recolhidos por César Machado, que assina o argumento da série em conjunto com Pedro Bastos. Edgar Pêra e Carlos Amaral realizaram os cinco episódios gravados em Guimarães e nas envolventes de Braga, Vila Nova de Famalicão e Fafe. Com os atores António Durães, João Pedro Vaz, Miguel Borges, Diana Sá, João Nunes Monteiro, Carolina Amaral e Nuno Nolasco, entre outros. RTP 1 > Estreia 25 abr, sex 21h > 5 episódios (1 na estreia, restantes 4 episódios nos dias 28-29 abr, seg-ter, 1-2 mai, qui-sex 21h)

30. Revolução (Sem) Sangue
Este filme, realizado por Rui Pedro Sousa em 2024 (e que agora chega à RTP), aborda um tema pouco falado quando se recorda o 25 de Abril de 1974: as suas cinco vítimas mortais, com destaque aqui para os quatro jovens que perderam a vida nesses dias atribulados (a outra vítima era um agente da PIDE). Nesta longa-metragem baseada em factos reais, acompanhamos a vida desses jovens antes da Revolução, seguindo-os, depois, nos seus últimos momentos.. Com, entre outros, Lucas Dutra, Rui Pedro Silva, São José Correia, Helena Caldeira e João Arrais. RTP 1 > 24 abr, qui 22h30
Disco
31. Cantos da Revolução
O jovem músico paulistano Paulo Tó dedicou todo um disco a releituras de canções que marcaram a História da revolução portuguesa de 1974. Nele colaboram músicos de vários países lusófonos – Brasil, Angola e Moçambique. Além de clássicos como Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, de José Mário Branco, e Que Força É Essa?, de Sérgio Godinho, há outras versões menos óbvias, como a de Ajuste de Contas, de Fausto. Cantos da Revolução, com dez faixas, está já disponível nas plataformas de streaming.



