
António Chaves
1. Armazém Luxury Housing, Porto
Ao projeto arquitetónico ousado deste pequeno hotel, somou-se uma decoração atenta ao mínimo detalhe
Ao longo destes anos, percorremos vários hotéis e sabemos como uma boa produção fotográfica consegue favorecer um lugar. No caso do Armazém Luxury Housing, por muito inspiradoras que sejam as fotografias, não há como fazer uma visita e ver tudo ao vivo e a cores. Só aí se tem a verdadeira perceção do preciosismo da intervenção arquitetónica de Luís Sobral (do gabinete Pedra Líquida) e da magia dos ambientes criados pela decoração de Fernanda Gramaxo, a proprietária deste hotel, com gestão familiar, aberto em agosto no Porto. Foram precisos três anos para transformar o antigo armazém de ferro num hotel com vários pormenores a evocar o passado industrial, em conjugação com tecidos bordados e aveludados, madeiras, tapetes coloridos e lustres brilhantes. Aqui, o luxo está associado à elegância, ao conforto e à simplicidade. Todos os nove quartos têm características únicas, como a janela a enquadrar a Sé do Porto e o casario da Baixa ou a claraboia por cima da cama para observar as estrelas. Fernanda e as filhas, também envolvidas no projeto, fazem questão de receber os hóspedes com todas as atenções, para que se sintam em casa. Surpreendente é ainda a tranquilidade dentro de portas, principalmente se tivermos em conta que, lá fora, está o movimentado Largo de São Domingos. A paz, afinal, também é um luxo. Lg. S. Domingos, 74, Porto > T. 22 340 2090 > €190 a €300

Lucília Monteiro
2. Armazéns do Castelo, Porto
A centenária casa do Porto continua em ‘‘work in progress’’
A frase continua por lá, We are thinking about…, anunciando muitos planos. Mas a incógnita mantém-se. Pouco resta dos tecidos vendidos a metro e dos têxteis-lar que eram a alma dos centenários Armazéns do Castelo. Quando a vizinha Livraria Lello tomou as rédeas do negócio, em março, concentraram-se ali os produtos portugueses, com história, que poderiam captar a atenção da massa de turistas que percorre todos os dias a Rua das Carmelitas. As originais montras exibem brinquedos artesanais de madeira, sabonetes, artigos de cortiça, vinho do Porto, azeite, cerâmica e joias de filigrana. No interior, o merchandising da Lello é a única ligação evidente à livraria. De resto, a imensa sala dos fundos, com entrada própria pela Rua das Galerias de Paris, tem sido palco de tertúlias culturais e lançamento de livros. Uma dinâmica que, segundo os responsáveis, será reforçada em 2017. Na abertura, houve uma subtil lavagem de cara da loja. Intervenções mais profundas, só o futuro dirá. R. das Carmelitas, 166, Porto > T. 22 200 3874 > seg-sáb 10h-19h30

Lucília Monteiro
3. Lugar da Vista Alegre, Ílhavo
De sítio industrial a polo cultural e turístico
A visita guiada feita por Duarte José Fradinho, funcionário da Fábrica de Porcelana Vista Alegre e morador no bairro operário, leva-nos numa viagem ao passado e às histórias do Lugar da Vista Alegre, em Ílhavo. À data da construção, no ano de 1824, era um exemplo raro de iniciativa privada, uma aldeia industrial autossuficiente e inovadora com a primeira fábrica portuguesa de porcelana, corpo de bombeiros, escola básica, teatro, capela e posto de saúde. Em 2016, depois de intervencionados vários edifícios (museu, teatro, capela, escola) e da abertura em 2015 do Montebelo Vista Alegre Hotel, transformou-se num complexo turístico e cultural onde se pode passear, dormir, ver teatro e fazer compras (tem três lojas: Vista Alegre, Outlet e Bordallo Pinheiro). Um lugar que merece uma visita de um ou dois dias, para explorar devidamente este recanto nas margens do rio Boco, visitar a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, assistir a uma peça de teatro no edifício criado em 1826 para o entretenimento cultural dos operários, visitar o museu ou ficar a conhecer o processo de produção das peças de cerâmica da secção de pintura artística manual da Fábrica. Lugar da Vista Alegre, Ílhavo > T. 234 320 600 > museu: 10h-19h; capela: 10h45, 11h45, 15h, 16h, 17h, 18h > museu e capela €6; capela €1,50; Montebelo Vista Alegre Hotel a partir de €95 (quarto duplo)

Lucília Monteiro
4. Convento São Francisco, Coimbra
Um centro para pôr Coimbra no mapa cultural
O convento São Francisco era um dos projetos mais esperados em Coimbra, desde que a câmara municipal adquiriu o edifício em 1986 – e o impacto do edifício na margem esquerda do rio Mondego já é inegável. Não só pela sua dimensão, mas pela forma como tem mexido com esta zona da cidade, bem mais animada desde a sua reabertura, em abril, como Centro de Convenções e Espaço Cultural. A reabilitação tem a assinatura de dois grandes nomes da arquitetura portuguesa: Carrilho da Graça foi o responsável pela recuperação dos espaços do convento do séc. XVII e pelo novo edifício adjacente (com um auditório de 1125 lugares); e Gonçalo Byrne ficou encarregue da igreja, onde também se realizam espetáculos. Deste ano, ficarão na memória concertos como o de Benjamin Clementine, Maria Rita, Jorge Palma, Tindersticks ou Michael Nyman, a Mostra que é Circo, os Encontros Internacionais de Jazz ou as atividades para crianças (muitas promovidas pela Editora Bruaá, responsável pela livraria do Convento). A ambição, assumida pelo presidente da câmara Manuel Machado, é competir com estruturas como o Centro Cultural de Belém ou a Fundação de Serralves, e criar uma nova centralidade cultural em Portugal. Por definir, está o modelo de gestão, que poderá implicar a criação de uma empresa municipal. Av. da Guarda Inglesa, 1-A, Santa Cruz, Coimbra > T. 239 857 190

Rui Duarte Silva
4. Coleção Miró, Porto
Além de Barcelona e de Palma de Maiorca, o Porto é a nova casa do artista catalão
O País esteve (e ainda está) de olhos postos na Casa de Serralves. É ali que, desde o início de outubro, se tem mostrado a coleção de Joan Miró na posse do Estado, aquela que esteve prestes a ser vendida em leilão. Na exposição Joan Miró – Materialidade e Metamorfose, o percurso artístico de 60 anos do artista catalão (1924 a 1981) é percorrido através de 78 obras de pintura, desenho, esculturas, colagens e tapeçarias, nos dois pisos do edifício art déco da Casa de Serralves, com curadoria do especialista mundial Robert Lubar Messeri. Certo é que a coleção de Miró ficará no Porto de forma permanente, resta ainda saber como e quando voltará a ser mostrada depois de esta exposição encerrar a 28 de janeiro. Tal como fez para esta mostra, o arquiteto Siza Vieira terá ainda que readaptar a Casa de Serralves para, então, de forma definitiva, acolher o núcleo Miró no Porto. Tem sido muito o entusiasmo em torno da exposição e, embora Serralves não divulgue os números de visitantes, sabe-se que há dias em que a fila extravasa para a rua. E só isso já prova que as obras de Miró nunca deviam ter corrido o risco de sair do País. Casa de Serralves, Museu de Arte Contemporânea de Serralves > R. D. João de Castro, 210, Porto > T. 22 615 6500 > até 28 jan, ter-sex 10h-18h, sáb, dom e fer 10h-19h > €11 a €16

Lucília Monteiro
6. The Blini, Vila Nova de Gaia
Será a mais gourmet das marisqueiras e aquela com melhor vista sobre o rio Douro
Preparava-se o Porto para celebrar a noite de S. João, em junho, quando, do outro lado do rio, em Vila Nova de Gaia, o chefe José Cordeiro servia o primeiro jantar no seu restaurante situado sobre os antigos armazéns de vinho, com uma vista privilegiada sobre o Douro. Era a concretização de um sonho antigo: abrir uma marisqueira gourmet. E, ao mesmo tempo, poder regressar à cidade onde vive com a família, ficando mais próximo das suas raízes transmontanas. O The Blini começou por servir três menus de degustação, mas tem uma nova carta desde o início de dezembro para “dar maior liberdade de escolha ao cliente”, justifica o chefe Cordeiro que mantém o seu restaurante homónimo na Praça do Comércio, em Lisboa, e que, há dois meses, fechou o da Baixa do Porto. Entre as novidades da carta do The Blini estão a parrilhada portuguesa de peixes e mariscos, o polvo assado no forno ou o bacalhau de cura nacional confitado. O naco de vazia maturada com risotto de cogumelos é a única sugestão de carne, mas, confessa o chefe, “não tem sido muito procurado”. Quem entra nesta marisqueira, encontra logo aquilo que procura no aquário com mais de dois metros de comprimento, onde moram dezenas de lavagantes, lagostas, sapateiras e santolas vindos do mar da nossa costa. O marisco é o prato forte ali e a prová-lo estão os 15 a 20 quilos de ostras servidos por semana. R. General Torres, 344, Vila Nova de Gaia > T. 22 405 5306 > ter-sáb 12h-15h, 17h-24h, dom 12h-15h

Lucília Monteiro