Justamente. A poesia que escreve sai-lhe dos pés, dos sapatos de atacadores, de sola dupla e grossa, com chapinhas de metal no calcanhar e na parte dianteira…
Desde pequeno que Dante Marinho, 28 anos, é um aficionado do sapateado. Via a irmã dançar e ficava fascinado pela energia, pela firmeza dos movimentos, pelo som. “O sapateado é fazer música com os pés, embora seja preciso o corpo todo para ter o produto final”, explica.
O que ele dança (e ensina) é o sapateado americano. Uma mistura do irlandês, que obriga a uma postura corporal mais reta, e do africano, que concede uma maior liberdade de movimentos. Nas aulas, dependendo do gosto dos alunos, Dante oscila entre o “rithum and tap“, mais focado no som, e “o lado mais Broadway, Fred Astaire”, que dá importância aos jogos de braços e a toda a postura corporal.
Entre os portugueses, Dante vê com pena que o sapateado não goza de grande popularidade, mas não desiste de chamar a atenção para a dança, colocando vídeos no blogue que criou e na página do facebook. Um dos que aconselha é o da abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney, com os Tap Dogs. Treze minutos capazes de deixar qualquer um a olhar para os pés de outra forma.
Nas aulas de iniciação, o método causa surpresa. É como se toda a gente já fizesse sapateado sem o saber. “Começo por pegar em tudo o que as pessoas já fazem, como por exemplo bater o pé no chão quando se está à espera de alguém”. Dos ritmos coordenados que faz a partir de gestos comuns, passa então para um trabalho mais técnico e de coordenação. “O Dante cativa-nos pela forma descontraída como dá as aulas”, diz Rita Carapeto, que depois de 18 anos de ballet clássico decidiu aventurar-se no sapateado. De vez em quando ouve o professor chamar-lhe a atenção para a postura: “É diferente do ballet, o tronco tem de estar ligeiramente inclinado para a frente, para sentir o swing da música.
A adaptação foi complicada”, assume Rita. Mas valeu a pena: “Era aquilo que eu queria, poder libertar um pouco a energia e dançar”. Rita chegou ao sapateado pela mão da amiga Francisca Sá, 27 anos. “Sempre gostei de filmes que tinham sapateado e tem piada fazer uma coisa diferente do dia-a-dia”, conta. Não se dececionou: “O Dante explora não só os passos, mas também o ritmo. Consegue que vamos exteriorizando os ritmos que sentimos”. Já dançaram sapateado ao som de Deolinda, Gotan Project…
O início, asseguram as amigas, é fácil. “Com as coreografias começa a complicar, mas esse é o desafio”, diz Francisca.
Quanto a vantagens, segundo Dante, são inúmeras: “Traz musicalidade, ritmo, energia, desenvolve a coordenação motora, a consciência corporal.”
Aqui há gato R. D. Manuel II, 222 T. 91 206 6377 Porto
Academia Arte Dança Av.Mouzinho de Albuquerque, 38 T. 252 612 921 Póvoa de Varzim
Espaço danSer R. de Sta. Catarina, 310, 2.º Dto T. 96 624 3897 Porto
Estúdio de Dança Toustous Rua Cândido dos Reis, 74, 2.º Esq, sala 5 T. 91 78 1 1392
A PARTIR DE €30/MÊS