De todo o país chegam relatos de médicos que não conseguem testar pacientes com suspeitas de COVID-19. O impedimento está na Linha de Atendimento ao Médico (LAM), que tem estado congestionada e não dá resposta em tempo útil.
A validação por parte dos especialistas da LAM é, neste momento, necessária para que o teste seja feito a um caso suspeito. As queixas a que a VISÃO teve acesso estão a chegar a um grupo de discussão do Sindicato Independente dos Médicos e retratam sempre o mesmo tipo de situação. Um médico recebe um paciente com queixas sugestivas e por vezes até história de contacto com um caso confirmado, liga para a LAM a pedir validação que permita encaminhar doentes para um dos hospitais de referência para fazer o teste – Hospital de Santa Maria, Curry Cabral e Estefânia, em Lisboa; Hospital de Faro, no Algarve, Hospital de São João e Santo António (Porto), Pedro Hispano (Matosinhos), de Braga, Guarda e Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (incluindo o hospital pediátrico).
Em alguns casos, chega a haver pessoas com alta por falta de resposta da LAM. “Às vezes atende um enfermeiro que diz que voltaremos a ser contactados por um dos médicos da Linha, mas isso não tem acontecido”, conta à Visão um médico de um hospital da Grande Lisboa que não faz parte das unidades de saúde de referência para a COVID-19. A dada altura, o paciente desiste de esperar e vai embora para casa sem diagnóstico. “Chegamos a esperar mais de doze horas. Ninguém aguenta!”, desabafa o médico ouvido pela Visão.
Os profissionais que fazem atendimento ao domicílio também têm sofrido o mesmo tipo de obstáculos, mesmo quando se deparam com casos de pessoas sintomáticas com historial de contacto direto com um caso confirmado.
A Ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou na Assembleia da República que a Linha de Atendimento ao Médico seria reforçada, e aliás anda a circular um pedido de recrutamento de especialistas. No entanto o que os médicos exigem, nos emails consultados pela Visão, é que os hospitais públicos tenham autonomia para enviar amostras para os laboratórios preparados para fazer o teste.
Além dos hospitais de referência, também o Instituto Nacional da Saúde, Dr. Ricardo Jorge, e alguns laboratórios privados, como o Laboratório Joaquim Chaves e o Germano de Sousa, têm capacidade de identificar o vírus, numa zaragatoa (colheita de secreções da garganta) ou em amostras de sangue. O resultado demora pelo menos cinco horas.