Subir uma escada deixou de ser um gesto banal. Para milhares de professores portugueses é um ato de resistência contra o esquecimento – uma metáfora da luta diária por dignidade, reconhecimento e futuro.

Entre corrimãos apertados e degraus vencidos, carrega-se não só o peso do corpo cansado, mas também o peso de sonhos acesos e vidas moldadas. Quando os alicerces de quem ensina se desfazem, a sociedade perde raízes, memória e esperança.

Cada corrimão apertado é um gesto de coragem e cada degrau vencido é uma prova de fé na educação. Os professores portugueses sobem escadas físicas e simbólicas, carregando não apenas o peso do corpo cansado, mas também milhares de vidas moldadas ao longo de décadas. Esta subida deixou de ser um gesto banal e tornou-se uma metáfora da luta contra a erosão da memória e contra a indiferença social.

Vejo-os todos os dias agarrados ao corrimão como quem se agarra à própria vida. Subir a escada para chegar à Sala de Professores é hoje um ato de resistência contra o esquecimento. Cada degrau é uma cicatriz que guarda a dor do corpo e a dor da alma: ossos cansados, articulações que protestam, corações que carregam décadas de luta silenciosa. Não pesa apenas o corpo – pesam sobretudo a desconsideração, a invisibilidade e a ingratidão. Essa escada, que deveria ser apenas caminho, tornou-se símbolo da luta diária: subir é sobreviver.

São arquitetos de futuros, alquimistas do ser humano, que durante décadas moldaram vidas, abriram horizontes e acenderam luzes em mentes jovens. Mas hoje muitos sobem lentamente, com passos curtos, porque o corpo já não ajuda. E, paradoxalmente, continuam a subir para chegar ao único lugar onde ainda são imperadores: a sala de aula. Ali, entre quatro paredes, continuam a ser reis – mesmo feridos, mesmo exaustos, porque todas as vidas pelas quais são responsáveis merecem o seu respeito. Cada corrimão apertado é um gesto de coragem e cada degrau vencido é uma profissão de fé na educação.

Os números são esmagadores. Em média, um professor do Primeiro Ciclo acompanha cerca de 880 alunos ao longo de 40 anos. No Ensino Secundário, a escala é outra: entre 3 800 e 7 200 alunos numa carreira, dependendo do número e da dimensão das turmas, com uma média aproximada de 5 400 vidas tocadas. Cada degrau daquela escada carrega não só o peso físico, mas também o peso de sonhos acesos e futuros construídos. Esta dimensão humana não cabe em relatórios nem em algoritmos.

Mas há algo mais profundo: o desgaste humano. Décadas de sobrecarga, horários desajustados e burocracia sufocante; falta de recursos e ausência de reconhecimento. Professores que sacrificaram fins de semana, noites, saúde mental e física para preparar aulas, corrigir trabalhos e apoiar alunos em crise. Quantos perderam o precioso tempo com os próprios filhos para cuidar dos filhos dos outros? Quantos carregam hoje doenças crónicas, depressão e ansiedade, fruto de uma profissão que exige tudo e nada – ou quase nada – lhes devolve?

E não são só eles. Os alunos e as famílias também pagam este preço. A escassez de docentes, a instabilidade, as turmas sobrelotadas e os programas desajustados criam um ciclo de desigualdade que se agrava. Cada aula que falta é uma oportunidade perdida. Cada professor desmotivado é um futuro comprometido. A escola, que deveria ser casa de esperança, tornou-se para muitos um lugar de frustração.

Este descalabro não aconteceu por acaso. É o resultado de anos de políticas erráticas, cortes cegos e promessas incumpridas. Governos sucessivos trataram a Educação como despesa e não como investimento. Alertas não faltaram: da UNESCO, que há anos sublinha que sem professores não há educação inclusiva, equitativa e de qualidade, à necessidade de revalorizar a profissão e estancar a sangria de vocações. Sem professores não cumpriremos as metas da educação, insiste a UNESCO, porque sem eles a escola é apenas um edifício vazio. Em 2023, a própria UNESCO voltou a soar o alarme: para cumprir as metas até 2030, o mundo precisa de dezenas de milhões de professores adicionais, ao mesmo tempo que cresce a desistência nos primeiros anos por más condições, excesso de carga e salários pouco competitivos. Portugal não escapou ao tempo perdido: a idade média dos professores ronda os 51 anos e cerca de 60% têm 50 anos ou mais – um retrato que espelha o envelhecimento acelerado e a escassez de renovação.

Não nos iludam com atalhos tecnológicos. A escola é encontro, desejo e resistência. A docência é uma prática de presença que nenhum algoritmo reproduz. Como lembrou Amina Mohammed, vice-secretária-geral da ONU, os professores são os guardiões do nosso futuro. Não há Inteligência Artificial que salve uma tragédia humana feita de cansaço, desvalorização e abandono. A miragem dos tutores digitais desfaz-se diante do real: professores exaustos, envelhecidos e esquecidos, que carregam a missão de educar enquanto o sistema lhes rouba força. Esta é uma catástrofe silenciosa que não se resolve com gadgets, mas com dignidade, investimento e respeito.

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Talvez um dia não consigam subir. Talvez um dia a escada seja demasiado íngreme. Mas, até lá, continuarão a agarrar-se ao corrimão com a mesma força com que se agarram à missão de ensinar. Porque sabem que, apesar de tudo, na sala de aula são soberanos. Chegou a hora de parar de assobiar para o lado. De transformar penúria em prioridade. Quando os alicerces de quem ensina se desfazem, a sociedade perde raízes, memória e esperança.

Não basta denunciar. É preciso agir – já, com calendário, orçamento e prestação de contas pública.

Um “Plano Nacional de Rejuvenescimento Docente” deve garantir bolsas integrais e estágio remunerado para mestrados em ensino, vinculação acelerada nas áreas carenciadas e incentivos à interioridade com habitação, mobilidade e bonificação salarial. É urgente rever a entrada na carreira, eliminando a armadilha salarial inicial e acelerando progressões para atrair talento.

A burocracia deve ser reduzida para metade, com processos simplificados e digitalização que liberte tempo para ensinar. A saúde ocupacional e o bem-estar exigem programas nacionais de apoio psicológico, consultas regulares, rastreios e prevenção do burnout. Carreiras pedagógicas de topo devem permitir valorização sem saída da sala de aula, com funções de mentoria e liderança de projetos.

As escolas precisam de equipas multiprofissionais com psicólogos, mediadores linguísticos, assistentes sociais e técnicos especializados, com contratos estáveis. As turmas devem ter condições para aprender, com redução de rácios, coadjuvação e crédito horário para apoio individual. O tempo profissional protegido é essencial, com horas semanais para colaboração e formação contínua.

É preciso garantir respeito e segurança, com protocolos antiviolência, linhas diretas e campanhas públicas de valorização da profissão. A tecnologia deve servir para simplificar e apoiar – nunca para substituir o professor. Um Pacto de Estado para a Docência, com metas anuais e relatórios públicos, é indispensável.

A contratação deve ser atempada e transparente, com calendário único e prioridade à continuidade pedagógica. É necessário atrair quem saiu e criar vias para segundas carreiras, com formação acelerada e supervisão robusta. Valorizar o apoio não docente é crucial, com carreiras ajustadas à responsabilidade real.

E, finalmente, o dinheiro deve ser aplicado onde faz diferença, com cláusulas que garantam que cada euro investido em tecnologia tem um euro espelhado em condições de trabalho, formação e bem-estar dos professores.

Porque, no fundo, a escada é mais do que degraus: é a linha de vida que separa o abismo da esperança. Cada corrimão apertado é um grito silencioso contra a queda, um gesto que sustenta não apenas o corpo, mas a missão de educar. Quando um professor se agarra à escada, agarra-se à ideia de que o conhecimento ainda pode salvar o mundo. Se um dia as mãos cansadas largarem esse corrimão, não será apenas um corpo a cair – será a sociedade inteira a perder o chão.

Palavras-chave:

O estudo do LabCom, no âmbito do ODEPOL – Observatório de Desinformação Política, monitorizou a desinformação relacionada com a presença digital dos pré-candidatos e candidatos nas redes com maior expressão em Portugal (Facebook, Instagram, X, TikTok, Threads e Youtube) e começou a ser elaborado em 17 de novembro de 2025, dia do primeiro frente a frente na televisão entre André Ventura e António José Seguro.

Os conteúdos desinformativos atingiram, no total, segundo os investigadores, 8.392.713 visualizações nas redes sociais (todas as vezes que o conteúdo aparece aos utilizadores, incluindo repetições), e geraram 347.228 reações, 64.151 comentários e 27.178 partilhas.

Na pré-campanha e campanha da primeira volta das presidenciais foram identificados 17 casos de desinformação. André Ventura, segundo candidato mais votado, foi responsável por 82,4% dos casos identificados, enquanto os restantes foram de pré-candidatos que não foram aceites pelo Tribunal Constitucional (TC) e André Pestana (5,9%).

O vídeo foi o formato preferencial para a desinformação, tendo sido utilizado em 70,6% dos casos, comparando com as fotografias, com 29,4 por cento.

Por tipo de desinformação, divide-se entre a descredibilização dos media e dos jornalistas (41,2%), seguida de conteúdo manipulado (23,5%), sondagem de empresa não registada na ERC e sem metodologia tornada pública (17,6%), conteúdo enganoso (5,9%), falsificação de informação (5,9%) e uso de contexto falso (5,9%).

A maioria dos casos foi identificada nas redes sociais da Meta, tendo a partilha de desinformação ocorrido de forma simultânea em 100% dos casos no Facebook e 94,1% no Instagram.

O X concentrou 82,4% das ocorrências, enquanto o Threads registou 29,4% e o TikTok, 17,6%.

Dos 17 casos detetados, quatro (23,5%) envolveram a utilização de Inteligência Artificial (IA), nomeadamente sobre a divulgação de intenções de voto, por André Ventura, geradas por empresas de análise política com recurso a algoritmos de previsão eleitoral.

O único caso de utilização direta envolveu André Pestana, que recorreu à IA para criar imagens hiper-realistas que simulavam André Ventura com expressões de raiva e a fazer uma saudação nazi.

O líder do Chega é o autor de todos os casos de desinformação com maior impacto, tendo a publicação mais visualizada 2.083.040 de visualizações.

Realizada no dia 26 de novembro de 2025, a publicação remetia para um caso documentado em 2018 pela organização PETA (sigla em inglês de People for the Ethical Treatment of Animals), relativa a maus-tratos a animais utilizados no transporte de turistas no Egito.

No vídeo partilhado por André Ventura, o candidato responsabiliza a comunidade cigana pelos maus-tratos, acrescentando uma legenda que questiona se os partidos portugueses à esquerda ficarão “em silêncio por ser esta comunidade”.

Foram as eleições presidenciais mais participadas do século XXI, só superadas pela dramática reeleição de Eanes em 1980 e pela histórica segunda volta de 1986 entre Mário Soares e Freitas do Amaral. Mas, desta vez, o que está em causa na segunda volta de 8 de fevereiro não é uma escolha entre um candidato de esquerda e um de direita, entre o campo progressista e o campo conservador nem sequer entre apoiantes e opositores do Governo. Pela primeira vez em 50 anos, apresenta-se aos portugueses uma alternativa entre um candidato democrático e um candidato que se assume como alternativa populista aos 50 anos de democracia.

António José Seguro foi o mais votado na primeira volta por mérito próprio e por uma estratégia de resiliência da apresentação da candidatura que suscitou muitas reservas a largos setores do PS e não encantou inicialmente os setores à esquerda que ansiaram por outras candidaturas que nunca surgiram. Fez uma campanha corajosa pela sua coerência e resistência à degradação do debate político. Ao superar os 31% foi muito para além do voto do PS, mobilizando já os eleitores de esquerda mas também chegando a setores de voto jovem e de voto urbano no centro-direita, como é visível nos resultados em Lisboa, Porto ou Cascais, que escaparam à esquerda nas duas últimas eleições legislativas ou nas autárquicas.

André Ventura consolidou o seu eleitorado com uma fidelidade tribal própria de uma claque de futebol, apesar de ter ficado a cerca de 100 mil votos do resultado das legislativas de maio de 2025. A ida à segunda volta de André Ventura representa um cataclismo para a direita democrática e abre uma fronda sobre a liderança desse espaço político, semelhante ao que levou à irrelevância da direita tradicional em Itália ou na França, engolida por Meloni e por Marine Le Pen, ou à atual deserção de figuras do Partido Conservador britânico para as hostes de Nigel Farage.

Cotrim Figueiredo teve um resultado notável para a área liberal, ocupando a maioria do espaço do PSD nas grandes cidades e entre os jovens, remetendo o candidato do Governo para o estatuto de representante de um Portugal rural, envelhecido e infoexcluído.

O drama dos liberais é a fragilidade política da IL, a arrogância social que trava o seu espaço de crescimento e a opção da sua base política em parecer mais um Chega “com estudos” e que sabe usar talheres, do que uma força defensora da desregulação da economia mas progressista nos valores sociais como são a maioria dos partidos com que Cotrim coabita no grupo Renew do Parlamento Europeu, desde os macronistas franceses, à Democracia 66 neerlandesa ou aos sociais-liberais dinamarqueses.

Gouveia e Melo revelou-se um candidato inconsistente que desbaratou, ao abandonar a farda e o distanciamento da pequena política, o capital de prestígio que o colocavam a liderar as sondagens até ao verão de 2025. Pela sua imprevisibilidade e sentido de autoridade, seria provavelmente o candidato democrático mais perturbador para Luís Montenegro mas, ao mobilizar sobretudo apoiantes de direita desavindos com as atuais lideranças e tentar ensaiar um pouco convincente discurso de esquerda, entrou em declínio para uma terra de ninguém sem retorno. Foi decisivo para liquidar Marques Mendes, mas com um estilo politiqueiro que causou danos na sua credibilidade de que nunca recuperou.

Mas a principal lição política da primeira volta é que Montenegro e o PSD perderam a influência sobre o “povo laranja”, o voto de uma direita socialmente maioritária tornou-se fluido e a colagem ao Governo em áreas como a imigração, a saúde ou as leis laborais, conduziram Marques Mendes e o Governo à maior derrota da sua área política em 50 anos de democracia.

É neste quadro que a alegada neutralidade de Montenegro e de Cotrim na segunda volta são uma tragédia para a democracia e um caminho suicidário para o PSD, apesar de ocupar o Governo, os governos regionais e as maiores autarquias.

A democracia cristã alemã, polaca ou austríaca, tal como os liberais, desde França à Dinamarca ou à Roménia, nunca hesitaram entre as candidaturas democráticas e o risco de crescimento da extrema-direita populista antieuropeia e pós-democrática.

Certamente muitas destacadas figuras de direita não deixarão de expressar o apoio a Seguro na segunda volta, como já o fizeram Pedro Duarte, Poiares Maduro ou o líder parlamentar da IL, mas a aparente equidistância de Montenegro normaliza o Chega, enterra definitivamente o “não é não” e dá primazia ao calculismo político de um Governo que só existe para sobreviver, sobre a defesa dos valores democráticos e constitucionais.

Quase certamente António José Seguro será eleito em fevereiro, mas a probabilidade elevada de uma extrema-direita a superar os 30 %, e mesmo a votação da AD nas eleições de 2025, abrirá uma guerra civil na direita deixando o Governo a prazo dependente da evolução da economia e das sondagens.

Mais do que pela clamorosa derrota do candidato do Governo, o prémio Laranja muito amarga de hoje vai para o calculismo medíocre que impede Luís Montenegro de optar entre o candidato da moderação e da decência democrática e o candidato do ódio, da radicalização da sociedade e da erosão dos valores de 50 anos de democracia.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Sempre que uma investigação criminal envolve figuras mediáticas, o guião repete-se. Nos estúdios de televisão surgem os comentadores do costume, uns por manifesto desconhecimento, outros por deliberada má-fé e alguns ainda com agenda própria. Todos convergem na aclamação uníssona de que o Ministério Público teria deixado de ser um órgão de justiça para se tornar num poder oculto, conspirativo e seletivo.

Nada poderia estar mais longe da verdade.

O Ministério Público é uma magistratura constitucionalmente consagrada a quem compete representar o Estado e defender os interesses que a lei determinar, participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania, exercer a ação penal orientada pelo princípio da legalidade e defender a legalidade democrática. Para cumprir essa missão, goza de autonomia face ao poder político, económico e administrativo.

É precisamente essa autonomia que parece incomodar muitos dos seus críticos. Sempre que as investigações tocam nos interesses da alta finança ou da política, o Ministério Público passa, automaticamente, a ser o vilão da narrativa. As críticas multiplicam-se, muitas vezes absurdas, quase sempre previsíveis, e raramente sustentadas em factos ou conhecimento jurídico mínimo.

Importa sublinhar que o Ministério Público não é infalível, nem deve estar acima da crítica. O escrutínio público é essencial numa democracia saudável. Mas uma coisa é a crítica informada e responsável, outra bem diferente é a insinuação permanente, a suspeita gratuita e a construção de teorias conspirativas sempre que o visado pertence às elites económicas ou políticas.

Como bem escreveu António José Vilela, num artigo de opinião publicado na CNN Portugal em 30 de dezembro de 2025: “Para estes [comentadores], é sempre o MP que divulga segredos dos processos mesmo quando alguns nem sequer estão em segredo de justiça, que escolhe de propósito datas para operações de busca que atentam contra interesses económicos do País, que esconde processos melindrosos ou veta aberturas de investigações a um alvo e não a outro, que acusa de forma leviana, que intervém de propósito para condicionar campanhas eleitorais, que interpreta a lei de forma manhosa ou dúbia (as averiguações preventivas, por exemplo), que não ouve as testemunhas ou interroga os arguidos quando estes querem e exigem, que não fecha os processos com maior rapidez porque se trata de um político importante e que não se retrata ou vergasta em público sempre que uma acusação cai em julgamento”.

O Ministério Público não divulga segredos, não escolhe datas “maliciosas” para buscas, não condiciona eleições, não protege uns e persegue outros, não acusa levianamente e não interpreta a lei de forma enviesada ou condicionada.

O problema é que esta narrativa ignora factos básicos. Nos últimos cinco anos realizaram-se 12 atos eleitorais em Portugal. Só em 2024 houve quatro eleições. Perante esta realidade, a pergunta impõe-se: quando é que o Ministério Público deveria investigar? Em que datas deveria fazer buscas ou detenções? E mais: os processos que envolvem candidatos ficariam suspensos? E se ficassem, quem responderia por esse atraso?

Os defensores da tese da “interferência eleitoral” raramente se dão ao trabalho de responder a estas questões. Porque a verdade é simples e incómoda, a justiça criminal não pode, nem deve submeter-se ao calendário político.

Enquanto os holofotes mediáticos se fixam obsessivamente em processos envolvendo figuras públicas, o Ministério Público trabalha diariamente e longe das câmaras, em investigações de homicídios, abusos sexuais, crimes violentos, burlas, raptos e tantos outros ilícitos. Investigações conduzidas com discrição, rigor e profissionalismo, que protegem efetivamente os cidadãos. Mas como não envolvem nomes sonantes, não alimentam debates televisivos nem indignações seletivas.

Hoje, infelizmente, tornou-se mais fácil fabricar perceções do que discutir factos. É mais cómodo desacreditar instituições do que aceitar que ninguém está acima da lei. Para muitos comentadores – e até para alguns jornalistas – a verdade é moldável, desde que sirva para proteger uma certa franja da sociedade habituada à impunidade.

Precisamos de menos ruído e mais factos. De menos espuma mediática e mais debate sério. O Ministério Público cometeu erros nas últimas décadas? Naturalmente. Mas também obteve sucessos inegáveis. Investigou grandes empresários, desmantelou esquemas de fraude fiscal, levou banqueiros a julgamento, obteve condenações e expôs práticas financeiras que durante anos pareceram intocáveis.

Tudo isto foi feito por magistrados altamente qualificados, com sólida formação jurídica e profundo sentido de missão pública.

Por isso, a crítica e o escrutínio são bem-vindos, desde que feitos com seriedade. Mas o essencial é permitir que o Ministério Público exerça, com autonomia, as suas funções.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Há apenas um mês, António José Seguro ainda era o patinho feio das sondagens, com pouquíssimas hipóteses de passagem à segunda volta. Ainda antes disso, um glamoroso evento da CNN, em Alcobaça, incluía os “quatro candidatos principais”, excluindo do lote João Cotrim Figueiredo. Foi a pulso que ambos os candidatos foram subindo, mérito próprio de campanhas sólidas, competentes, bem dirigidas e com protagonistas de discurso coerente e credível, acima da pequena política. Parece que essas qualidades, haja esperança, ainda rendem, eleitoralmente…

É impossível avaliar que tipo de impacto teve, na votação de Cotrim, a semana horribilis correspondente à reta final da campanha. Teria batido André Ventura no photofinish? O mais certo é que os azares finais não tenham tido qualquer efeito. O resultado de Cotrim corresponde, mais ou menos, ao pico das suas sondagens, que em muito já tinham ultrapassado as expetativas iniciais.

Posto isto, o anúncio da inevitável vitória de Seguro na segunda volta é, manifestamente, se não exagerado, prematuro. A vitória do candidato moderado está longe de ser favas contadas. Como escrevi na VISÃO, esta semana, Ventura era o melhor adversário que Seguro poderia ter, na segunda volta, devido à taxa de rejeição do líder da direita radical e populista. Com uma maioria sociológica de direita, poderia perder para qualquer outro dos concorrentes, em relação aos quais não teria a vantagem da maior moderação e superior credibilidade, estando, nestes capítulos, mais ou menos em igualdade de circunstâncias. Mas, de igual forma, Seguro seria o melhor adversário que Ventura podia desejar. Explorando a tal maioria sociológica e eleitoral, o líder do Chega fará da pugna um confronto direita-esquerda ou, melhor ainda, entre a direita e o “socialismo” (deliberadamente ignorando que socialismos há muitos). E a única forma de Seguro desviar esse golpe e não cair nessa armadilha é fazer a pedagogia de convencer os eleitores que não está em causa uma escolha entre direita e esquerda, mas uma escolha entre duas personalidades, colocando a decência, a serenidade, a probidade e a capacidade de cooperação estratégica com qualquer Governo – incluindo o de Montenegro… – como vantagens suas sobre Ventura.

Neste ponto, talvez seja bom fazer uma comparação com a situação de Mário Soares, em 1986. Nessas eleições, Soares teve pouco mais de 25% dos votos, menos do que Seguro hoje. Mas a esquerda, no seu conjunto, tinha mais de metade do eleitorado e, tarde ou cedo, os eleitores cair-lhe-iam nas mãos. Hoje, a esquerda não só não tem mais de 50%, como se fica, mais coisa menos coisa, pelos 35 por cento. Onde será que Seguro pode ir buscar os restantes votos, na segunda volta?

O candidato apioiado pelo PS tem fundadas razões para desconfiar. Ventura pode mesmo arrebanhar a grande maioria dos eleitores de Cotrim, a começar na direção da IL (que, no entanto, envergonhadamente, não se manifestará) e a acabar no eleitorado jovem. Depois, metade dos eleitores da AD, estejam eles com Cotrim, Gouveia e Melo ou Marques Mendes, não terão quaisquer escrúpulos em votar no candidato extremista. Por isso é que, neste gelo fino, ao contrário da segunda volta de Soares, em 1986, Seguro vai ter de dirigir o seu discurso aos eleitores da direita – mas sem desmobilizar, para a abstenção, os da esquerda!

Em resumo, Seguro é favorito, mas tem de trabalhar com inteligência, sem abusar de expressões pouco valorizadas pelo eleitorado dos nossos dias, como “os perigos da extrema -direita” o “racismo” ou a “xenofobia”. Na noite eleitoral, um apoiante destacado de Marques Mendes, Miguel Poiares Maduro, declarou o seu voto em Seguro. O mesmo fez o próprio mandatário de Cotrim, José Miguel Júdice (historicamente insuspeito de quaisquer simpatias socialistas). Seguro tem de aproveitar e aparecer com figuras como estas, juntando-as a Santana Lopes, por exemplo, mas alternando-as com Manuel Alegre e outros representantes do “anti-fascismo”.

Ventura, mesmo perdendo, “arrisca-se” a ter mais de 40% dos votos, o que fará dele um líder formidável e uma ameaça de morte para Luís Montenegro. O ensaio da expressão “novo líder da direita”, por parte de Ventura, não foi por acaso. E isso já ninguém lhe tira, por erros próprios do PSD. Montenegro não leu os sinais, decidindo apoiar (com todo o mérito que o candidato tem, mas as coisas são como são) um “Marcelo de marca branca”, consentindo, assim, que o seu eleitorado se fragmentasse. Mas o PS não pode ficar a rir-se. O PS pós-costista tem aqui um exemplo de como deveria ter feito o ato de contrição necessário para não cair na depressão de 2024, agravada pela de 2025…

Antes de tomarmos por certo que Seguro se transformará num cisne resplandecente, teremos de reconhecer que está tudo em aberto. Ao candidato da democracia, não convém baixar a guarda.

Nem foi preciso esperar pelas 10 da noite para o PSD assumir a derrota nas presidenciais, tanto pelo seu candidato, Marques Mendes, como do seu presidente e atual primeiro-ministro, Luís Montenegro. E esse é um facto inédito em meio século de eleições democráticas em Portugal. Nunca se tinha visto antes o líder do partido no poder atirar tão depressa a toalha ao chão, numa tentativa quase desesperada de tentar que a derrota não se transforme num KO de maiores proporções.

No entanto, por mais que Luís Montenegro procure livrar-se o mais depressa possível desta derrota, com contornos algo humilhantes, dificilmente conseguirá sair ileso das suas consequências. Em especial se persistir no tom de “neutralidade” que procurou imprimir nas suas primeiras declarações – não por acaso, no momento exatamente imediato às da declaração de derrota de Luís Marques Mendes.

Percebeu-se, logo nesse momento, a estratégia que Montenegro pretende impor para as semanas que se seguem: a de se afirmar como imune à derrota, cabendo-lhe apenas procurar “governar o País”, enquanto “outros” vão continuar a disputar a Presidência da República.

A estratégia pode parecer prudente, mas arrisca tornar-se trágica. Especialmente, porque será a primeira vez, em 50 anos de história democrática, que o PSD irá estar arredado – condicionado à posição voluntária de espectador que Montenegro escolheu – da disputa decisiva sobre a escolha do Presidente da República, ao decidir não dar qualquer sentido de voto, aos seus militantes e simpatizantes.

Essa estratégia, apesar de poder ser vista como cautelosa, pode ser, extremamente arriscada. Ao não dar qualquer indicação de voto em relação à segunda volta, Montenegro procura eclipsar-se da decisão mais importante para o País nos próximos anos. E, ao fazê-lo e se persistir nessa posição, acabará por entregar de bandeja a André Ventura aquilo que este mais deseja (e de que já se vangloria): a liderança da direita em Portugal.

Se insistir na tecla que usou na mais curta noite eleitoral do PSD em eleições presidenciais, Luís Montenegro perderá a oportunidade de vincar aquilo que, especialmente neste momento atual do mundo, seria mais importante: sublinhar que há uma diferença relevante e que não pode ser escondida entre a direita e a extrema-direita.

Embora a política seja, muitas vezes, um jogo de compromissos e de calculismos, há momentos em que é preciso, mais do que nunca, assumir princípios. E saber escolher entre os democratas e os antidemocratas. Se não souber fazer essa escolha, a noite eleitoral mais curta do PSD pode tornar-se na mais longa de sempre para Luís Montenegro. Com consequências ainda imprevisíveis.

“O PSD não estará envolvido na campanha, não emitiremos nenhuma indicação”. A afirmação de Luís Montenegro, que falou logo após o discurso de derrota de Luís Marques Mendes, evita escolher entre António José Seguro, antigo líder do PS, e um André Ventura em crescente afirmação como líder da direita, que tem continuamente lembrado que esta segunda volta nas presidenciais é uma luta “contra o socialismo” e que é líder do partido que mais acordos fez no Parlamento com o Governo da AD.

Luís Marques Mendes também não quis dar indicação de voto. “Quero felicitar os candidatos que passam à segunda volta e dizer que não vou fazer o endosso dos votos que me foram hoje confiados”, disse Mendes, num discurso no qual se mostrou “sem amargura” em relação à escolha dos portugueses.

“Respeitarei sempre a escolha soberana dos portugueses, não ficou amargura, nem ressentido. Gosto muito do meu país, honrou-me muito servi-lo e ser candidato a Presidente da República”, afirmou Marques Mendes.

À chegada à sede de campanha de João Cotrim Figueiredo nesta noite eleitoral, a líder da IL também recusou falar sobre apoios, insistindo na hipótese – desmentida pouco depois pelos resultados oficiais – de Cotrim ir à segunda volta.

Mostrando como a direita se poderá dividir, Miguel Poiares Maduro, nos estúdios da RTP, não hesitou em anunciar que votará Seguro.

Carneiro dramatiza e apela a “união” dos democratas

Se a AD não declara apoio a ninguém na segunda volta, a esquerda já clarificou a escolha: Jorge Pinto, Catarina Martins e António Filipe apoiam Seguro.

Já José Luís Carneiro, num discurso de vitória feito no Largo do Rato, dramatizou a escolha que terá de ser feita a 8 de fevereiro.

“O que está em causa é muito relevante. De um lado temos uma visão democrática, do outro uma visão com tendências autocráticas. De um lado a ponderação e o equilíbrio, do outro a convulsão e o desequilíbrio e até a disrupção e a vontade de romper com conquistas fundamentais de 76 para cá”, disse o líder socialista.

António José Seguro e André Ventura são os mais que prováveis protagonistas da segunda volta das presidenciais, segundo as várias projeções. Um cenário de pesadelo para Luís Montenegro, que vê o candidato apoiado pela AD num provável quinto lugar.

A pergunta que fica é: quem apoiará Luís Montenegro num cenário destes? Manterá a ideia de que se deve afastar de “extremismos”, como disse num dos seus últimos apelos ao voto nesta campanha? Apoiará Ventura, que voltou a lembrar os acordos que tem feito com a AD no Parlamento?

Luís Montenegro pode não apoiar nenhum dos dois, mas esse também não será um cenário confortável. A passagem à segunda volta de Ventura (ou mesmo de Cotrim) deixa claro que há uma mudança à direita.

Outro dado significativo é o facto de os dois candidatos apoiados por PSD e PSD não conseguirem segurar sequer metade do eleitorado juntos.

Já Henrique Gouveia e Melo, que foi durante meses uma espécie de vencedor anunciado, perdeu em toda a linha. E fica de fora da segunda volta, segundo todas as projeções.

Por último, péssimas notícias para a esquerda, que quase desaparece. Pior: há o risco de António Filipe, apoiado pelo PCP, ficar mesmo abaixo de Manuel João Vieira. Uma derrota muito pesada.

O início de um novo ano continua a representar uma oportunidade simbólica de balanço, reflexão e redefinição de prioridades. À medida que o Ano Novo se aproxima, muitos de nós repetimos o mesmo padrão: prometemos comer melhor, fazer mais exercício, acordar mais cedo, aprender algo novo, ser mais produtivos, poupar mais, deixar de fumar… As intenções são genuínas, ainda assim os estudos, bem como a experiência individual de muitos de nós (e até o padrão cíclico de inscrições nos ginásios), sugerem que uma grande parte das resoluções é abandonada nas primeiras semanas do ano.

A questão que se impõe é: porque falham tantas resoluções de Ano Novo?

Uma parte importante da resposta está na biologia do nosso sistema nervoso. A maioria das resoluções falha frequentemente porque é vaga, excessivamente ambiciosa ou desligada de passos concretos e sustentáveis. Quando definimos metas demasiado grandes, irrealistas ou incompatíveis com os recursos que temos, sejam eles tempo, energia, corpo ou contexto de vida, o nosso organismo não interpreta isso como motivação para algo positivo, mas como “ameaça”.

O sistema nervoso humano, moldado por milhares de anos de evolução, está programado para preservar energia e evitar desconforto excessivo. Quando um objetivo nos empurra rapidamente para fora da nossa zona de conforto e da nossa capacidade, o sistema nervoso ativa a resposta de stresse. O problema não é o desafio em si, mas o facto de entrarmos na chamada zona de ameaça ou de pânico. Por exemplo, propormo-nos correr uma meia-maratona sem nunca termos corrido, ou ir ao ginásio cinco vezes por semana sem espaço real na agenda.

Nestes cenários, o corpo entra em stresse, não em crescimento. E o sistema nervoso faz aquilo que faz melhor – tenta proteger-nos. E por isso, evitamos, adiamos e desistimos. O stresse associado a estas tentativas dificulta a formação de novos hábitos, levando o cérebro a regressar a padrões antigos e familiares, não por falta de força de vontade, mas por biologia ancestral.

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Isto não significa que definir objetivos seja um erro, muito pelo contrário. A definição e a prossecução de objetivos pessoais são centrais à experiência humana e orientam grande parte do nosso comportamento; dão direção, estrutura e sentido à nossa vida e promovem adaptação, crescimento e bem-estar psicológico. E ainda nos ajudam a sair da zona de conforto que, quando mantida por longos períodos, pode diminuir a nossa flexibilidade e a nossa resiliência.

A chave está no ajuste entre o desafio e os recursos disponíveis. Quando um objetivo é calibrado à nossa realidade, entramos na chamada zona ótima de desafio – uma zona onde o desafio existe, mas é tolerável.

De cada vez que conseguimos cumprir aquilo a que nos propusemos, o sistema nervoso aprende: “Sou capaz.” Este processo fortalece a confiança, a autorregulação e a motivação intrínseca.

Para atingirmos os nossos objetivos, em vez de “Ano Novo, vida nova”, pode ser mais útil pensar em pequenas mudanças sustentáveis a longo prazo. Metas específicas e realistas, como “caminhar dez minutos por dia e marcar uma consulta de Nutrição” em vez de “perder dez quilos”. É igualmente importante definir passos concretos, planear, antecipar obstáculos e manter flexibilidade na forma de atingir o objetivo. E, por último, focarmo-nos em micrometas e na progressão gradual, em vez de apenas no objetivo final, o que permite que cada pequena vitória liberte dopamina e consolide o hábito no cérebro.

Um dos maiores obstáculos à manutenção das resoluções é a tendência para confiar excessivamente na motivação e na energia dos novos começos.

A motivação é, por natureza, temporária para todos. No entanto, aproveitar o período inicial de maior entusiasmo para criar rotinas e hábitos é essencial. Mudanças pequenas, realistas e consistentes constroem hábitos que permanecem, resistem ao tempo e às flutuações da força de vontade.

Talvez este ano a pergunta mais importante não seja “o que quero mudar?”, mas sim “o que é sustentável e realista, para o meu sistema nervoso, mudar neste novo ano que agora começou?”

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As mesas de voto abrem às 08:00 e encerram às 19:00, em Portugal Continental e na Madeira, fechando uma hora depois nos Açores, devido à diferença horários.

De acordo com a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), estavam inscritos nos cadernos eleitorais 11.039.672 eleitores à data de referência de 03 de janeiro.

Desses, 218.481 dos votantes recenseados no território nacional, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa, inscreveram-se no voto antecipado em mobilidade, que aconteceu no passado domingo.

A 11.ª eleição para a Presidência da República desde a instauração da democracia em 25 de Abril de 1974 conta com um número recorde de candidatos (11).

São eles, de acordo com a ordem no boletim de voto, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), o músico Manuel João Vieira, Catarina Martins (apoiada pelo BE), João Cotrim Figueiredo (apoiado pela IL), o pintor Humberto Correia, António José Seguro (apoiado pelo PS), Luís Marques Mendes (apoiado por PSD e CDS-PP), André Ventura (apoiado pelo Chega), António Filipe (apoiado pelo PCP) e Henrique Gouveia e Melo.

O boletim de voto conta ainda com os nomes de Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa, cujas candidaturas não foram aceites pelo Tribunal Constitucional devido a irregularidades processuais – qualquer voto num dos três será considerado nulo.

Estas eleições presidenciais, as mais disputadas de sempre em número de candidatos, mas também a acreditar nas sondagens, procuram inverter o crescimento da abstenção, que em 2021 atingiu o maior valor de sempre.

Há cinco anos, 60,76% dos inscritos não votaram nas eleições que reelegeram Marcelo Rebelo de Sousa, realizadas no momento mais grave da propagação da covid-19 em Portugal.

O baixo número de votantes resultou também do recenseamento eleitoral automático dos emigrantes com cartão de cidadão válido, que decorreu de uma mudança à lei, feita em 2018.

Em 2021, dos 1.549.380 inscritos no estrangeiro, apenas 29.153 votaram, meros 1,88%. A ‘gigante’ taxa de abstenção lá fora, de 98,12%, contrastou com a registada em território nacional, que foi de 54,55%.

Se algum candidato obtiver mais de 50% dos votos expressos será eleito já hoje chefe de Estado. Caso contrário, haverá uma segunda volta, em 08 de fevereiro, com os dois concorrentes mais votados.

Esta é a 11.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).