Nos últimos dias, são muitos os apoios que António José Seguro tem recebido na sua candidatura presidencial. Mais que discutir o mérito ou o demérito, falemos de Seguro ou do “senhor que fala alto”, seguindo a nomenclatura de Paulo Portas, esta eleição não se transformou numa repetição da de 1986, com “sapos” a serem engolidos para que ganhasse o mal menor; esta eleição está a transformar-se numa muito salutar afirmação de regime.
António José Seguro tem o perfil certo, sendo alguém com um passado de diálogo. Seguro afirma-se como o candidato com “sentido de estado” pela serenidade, pela calma e pelo peso correto dado seja às funções a que se candidata, seja ao seu compromisso para com a Constituição. Mas o candidato apoiado pelo PS tem algo mais que, num primeiro olhar, podemos justificar com a rejeição que a larga maioria da população tem ao tal “senhor que fala alto”.
É que, por vezes, seja nas nossas vidas, seja na dos coletivos, há momentos em que nos devemos definir, dizer onde estamos e até onde vão os nossos limites, nomeadamente os éticos. E, neste campo, no dos valores, é importante que por vezes tenhamos sobressaltos, que passemos por sustos, para que sejamos obrigados a clarificar o que, de facto, é essencial. Em torno de Seguro gerou-se um claro “consenso de regime”.
Podemos perguntar o que é um “consenso de regime”. A definição, por mais que se possa complexificar, segue sempre para aquilo que reúne em torno de si, não apenas uma larga fatia da população, num sentido estatístico, mas aquilo que, ao criar essa agregação, afirma de forma clara qual a matéria, qual a cola que faz esse notável feito.
E, hoje, perante o que se está a passar, com a franca e clara declaração de voto em António José Seguro por parte de tantas e tão variadas figuras, não é uma rejeição à outra parte, é uma afirmação de onde queremos estar. É uma afirmação dos limites éticos que temos como regime político.
António José Seguro recebe, com esta eleição que se avizinha, nos resultados que desejamos, um mandato que é muito além do que todos os outros Presidentes da República receberam. Seguro será a imagem, e desejamos que seja a ação, que une, que agrega, que demonstra, na forma como foi eleito, o que todos queremos: que quando falamos de regime, que quando nos focamos no essencial, os nossos limites estão na manutenção do Estado de Direito, no Humanismo, no respeito pela diferença e no diálogo. Não no “falar alto”. Isso fica para as conversas de café ou para a tasca da esquina. Quando é Estado, falamos a sério.
Encontramos tremendas diferenças políticas entre todos os que agora apoiam esta candidatura, da esquerda à direita. Mas todos quiseram afirmar bem alto de que lado da barricada estão. E, aí, foram todos claros: estão do lado da Democracia e da valorização do que construímos juntos. Que não é perfeito, mas não legitima a destruição e a aventura do radicalismo.
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