Num país historicamente marcado por ciclos económicos irregulares e por um tecido empresarial dominado por pequenas e médias empresas, o empreendedorismo tem ganho um papel cada vez mais relevante no debate sobre o futuro de Portugal. Longe de ser apenas um conceito associado a startups tecnológicas, o empreendedorismo traduz-se hoje numa atitude estratégica que atravessa setores, territórios e gerações. A sua importância para o desenvolvimento económico e social do país é inegável e torna-se, a cada ano, mais evidente.
Portugal tem vindo a posicionar-se como um ecossistema dinâmico e atrativo para a criação de novos negócios, através de programas públicos de inovação, incubadoras e uma crescente rede de investidores que têm contribuído para fortalecer este ambiente. O Centro de Incubação Atlântico, instalado na Atlântico Business School, que é uma Escola Superior que procura fomentar o espírito empreendedor nos seus alunos, ao proporcionar uma formação que alia teoria e prática num contexto global, é um bom exemplo do que já é realizado nesta área.
No entanto, o verdadeiro motor deste movimento reside nas pessoas, jovens com novas ideias, profissionais em transição de carreira, investigadores que procuram transferir conhecimento para o mercado e até pequenos empresários que reinventam modelos tradicionais. Todos eles compõem um mosaico empreendedor fundamental para a renovação da economia nacional.
A importância deste fenómeno manifesta-se, antes de mais, na capacidade de criar emprego qualificado. Os projetos empreendedores têm sido responsáveis por gerar oportunidades e ajudar a fixar talento local. Além disso, as empresas inovadoras impulsionam a competitividade do país ao introduzir soluções tecnológicas, produtos diferenciadores e serviços com maior valor acrescentado. Num contexto global onde a diferenciação é decisiva, a capacidade de inovar tornou-se uma questão de sobrevivência.
Mas o impacto do empreendedorismo não é apenas económico, é também cultural. Portugal, durante décadas, conviveu com uma perceção de risco avessa à mudança. A emergência de uma nova geração de empreendedores trouxe consigo outra mentalidade, a valorização da experimentação, a legitimidade do erro e a convicção de que criar algo novo é um contributo valioso para o coletivo. Esta transformação cultural tem repercussões importantes, pois incentiva a participação ativa dos cidadãos e reforça a confiança nas suas próprias capacidades.
Ainda assim, os desafios mantêm-se, o acesso a financiamento, apesar de ter melhorado, continua a ser um obstáculo para muitos projetos. Por outro lado, a burocracia, frequentemente apontada como excessiva, provoca desmotivação num processo que deveria ser simples e estimulante. Relativamente à educação, continua a faltar um investimento mais robusto na formação para competências empreendedoras, que deveriam estar integradas desde cedo no percurso escolar.
Para que Portugal continue a afirmar-se como um país onde vale a pena empreender, é essencial reforçar políticas públicas consistentes e de longo prazo, bem como promover uma maior articulação entre universidades, empresas e governo. O empreendedorismo não pode depender apenas do esforço individual, precisa de um ecossistema que o acompanhe e sustente.
Apoiar o empreendedorismo é investir no futuro do País. É reconhecer que as respostas para muitos dos desafios contemporâneos, da transição energética à digitalização, da coesão territorial à inovação social, passam pela capacidade de criar, transformar e arriscar. Portugal tem talento, criatividade e recursos para continuar a trilhar este caminho. O que está em causa não é apenas a criação de novas empresas, mas a construção de uma sociedade mais dinâmica, resiliente e preparada para o futuro.
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