A PORDATA permite-nos ter uma boa imagem da evolução do sistema de ciência e tecnologia em Portugal ao longo das últimas décadas. Podemos, por exemplo, ver as entradas no sistema e podemos também ver as saídas.
Já que não se fazem omeletes sem ovos, um índice assaz relevante é o financiamento do sistema, que costuma ser medido pela percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), que é investida nesse sector, tanto pelo público como pelo privado.
Despesas em actividades de investigação e desenvolvimento (I&D) em % do PIB

http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5690487
A Figura mostra a evolução dessa percentagem. Verificou-se um crescimento permanente, de facto notável, até 2009, para depois, ao longo dos últimos quatro anos ter havido um decréscimo. Aquela percentagem passou de 1,6% em 2009 para 1,3% em 2013.Chegou a 1,6 % do PIB em 2009 e, no ano de 2014, tinha baixado, em consequência da crise financeira e económica, para 1,3%. Esse desinvestimento, que se traduziu não só na diminuição da percentagem do PIB mas também no decréscimo do PIB, não podia deixar de afectar seriamente a ciência nacional, sendo um indicador, do lado do sector público, a enorme diminuição de bolsas atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), para não falar já do corte de 50% no número de unidades de investigação com um financiamento mínimo.

http://www.pordata.pt/Europa/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5690504
Comparando com outros países europeus verifica-se que os actuais 1,3% do PIB estão longe da média da União Europeia, que é de 2,1%. O investimento calculado em percentagem do PIB no ano de 2013 coloca Portugal no 14.º lugar nos 27 países da União Europeia, ficando nós praticamente a meio, entre a Finlândia (3,3%) no topo e a Roménia (0,4%) no fundo.
Um dos indicadores inequívocos da boa produtividade do sistema nacional é o número crescente de doutorados que todos os anos saem das universidades.
Doutoramentos por 100 mil habitantes

http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5690492
Dividindo pelo número total de habitantes para poder proceder a comparações internacionais, verifica-se que aquele número tem crescido expressivamente desde o 25 de Abril de 1974 até chegar a 25 novos doutorados em cada 100.000 habitantes em 2013, sem nenhum sinal de que tenha sido afectado pela crise (o que significa investimento pelos próprios e pelas suas famílias). É patente, portanto, uma cada vez maior qualificação dos portugueses.

http://www.pordata.pt/Europa/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5690506
Efectuando a comparação internacional que se impõe, verificamos que, apesar do avanço notório, estamos ainda assim longe, neste indicador, de países mais desenvolvidos e até de países que, vindos de baixo, têm efectuado uma forte aposta na ciência, por saberem que ela é uma condição indispensável de desenvolvimento. Em 2012, estávamos apenas no 17.º lugar europeu apesar do crescimento acentuado nos últimos anos. No topo, está a Eslováquia, que conseguiu passar a Alemanha e o Reino Unido.
A conclusão só pode ser que nesta área da ciência e Tecnologia é necessário reforçar o processo de convergência com a União Europeia. A União Europeia apontou como metas o reforço do investimento da ciência e da qualificação dos cidadãos, sendo obrigação de Portugal ser parte desse esforço comum.
Links
PORDATA (www.pordata.pt)
Encontro A Ciência em 3 actos (http://ffms.pt/ciencia3actos)