
Olympus OM-D M1

Olympus OM-D M1

Aplicação do filtro artístico Pinhole

Exemplo de foto utilizando o filtro artístico “dramático”

Foto com alteração das curvas de luz e de saturação de cores

Imagem que resultou da “pintura” com luz utilizando uma grande exposição (cerca de um minuto) e o modo LiveTime, que permite antever no LCD a imagem à medida que se forma

Foto com o nível de ISO máximo (25600) feita durante a noite e sem tripé (1 segundo) recorrendo ao estabilizador de cinco eixos

Mais um exemplo de aplicação de filtros artísticos

Foto com diminuição da saturação de cor para aumentar a suavidade

Foto com Filtro SoftTone
No campo profissional, a passagem da fotografia analógica para a digital fez-se notar, sobretudo, na substituição da película de filme por um sensor eletrónico. Tirando esta mudança de fundo, as máquinas fotográficas profissionais SLR (Single Lens Reflex) mantiveram-se muito semelhantes às suas antecessoras. Aliás, as primeiras gerações de SLR digitais nem permitiam usar o ecrã LCD para enquadrar o motivo ou gravar vídeo. Na verdade, os líderes de mercado Canon e Nikon até continuam a usar o mesmo sistema de objetivas que usavam no analógico.
Desde muito cedo que a Olympus optou por um outro caminho, criando aquele que foi o primeiro sistema construído de raiz para o digital, o Quatro Terços (máquinas fotográficas relfex da série E), que nunca conseguiu afirmar-se no mercado. Apesar de este sistema ter sido pioneiro em muitas tecnologias hoje usadas por todas as marcas do segmento, como, por exemplo, o sistema de limpeza do sensor e o modo Live View (usar o ecrã LCD para enquadrar a imagem), a verdade é que algumas limitações de qualidade de imagem e desempenho fizeram que o Quatro Terços não tenha convencido os profissionais.
Mais tarde, a Olympus em parceria com a Panasonic – o sistema Quatro Terços é aberto e pode ser utilizado por outras marcas – lançaram o sistema Micro Quatro Terços, criado para máquinas fotográficas mais compactas, muitas vezes sem visor, mas que ainda assim permitiam a mudança de objetiva e eram compatíveis com as objetivas e outros acessórios lançados para o sistema Quatro Terços inicial. Este arquitetura conseguiu um sucesso assinalável entre os fotógrafos amadores entusiastas e levou a que outras marcas também criassem os seus sistemas de compactas de objetiva intermutável, fazendo nascer um novo segmento de mercado – um dos que, segundo os estudos de mercado, mais cresce atualmente.
Agora, a Olympus tenta levar o Micro Quatro Terços a um segmento de mercado superior, o que até já tinha conseguido em parte com a Olympus OM-D M5, que foi bem recebida pelo mercado dos entusiastas e até é utilizada por muitos profissionais. A nova OM-D M1 é apresentada pelo fabricante japonês como a câmara digital da marca com melhor qualidade de imagem de sempre.
A Olympus ainda não publicita a M1 como uma máquina claramente profissional, mas a verdade é que as características desta nova câmara demonstram que as aspirações do fabricante são maiores do que quer deixar transparecer.
A Exame Informática esteve na apresentação da M1, que decorreu na Irlanda, e teve a oportunidade de experimentar em primeira mão a nova OM-D durante um dia de fotografia livre.
Em termos de corpo, a M1 tem semelhanças evidentes com a M5, sendo até difícil de ver as diferenças físicas à primeira vista. Mas quando pegamos na máquina percebemos que foram feitas melhorias pequenas, mas importantes. O punho é agora maior (mais fundo), o que permite agarrar a máquina e operar as rodas de comando e o obturador de modo mais confortável. Esta alteração em conjunto com a mudança da disposição dos botões de comando traseiro fizeram também com que agora seja bem mais difícil pressionar botões acidentalmente com a palma da mão, uma crítica habitual à M5.
O interruptor que permite comutar entre funções nas rodas de comando da E-P5 foi integrado na M1, o que significa que, muito facilmente, podemos alterar os parâmetros mais importantes. De origem, as rodas de comando controlam a abertura e a velocidade de obturação na posição 1 e o valor de ISO e o balanço de brancos na posição 2. Mas o utilizador pode escolher outros parâmetros.
O visor eletrónico generoso tem também mais resolução e uma grande ampliação, oferecendo uma área de imagem superior à área dos visores óticos de muitas reflex. A qualidade deste visor é fulcral para convencer os fotógrafos mais conservadores e a Olympus fez um trabalho impressionante, que já conhecíamos do visor opcional lançado com a Olympus Pen E-P5. A elevada densidade de píxeis faz com que os pontos que constituem a imagem não sejam visíveis, resultando num preview límpido. A velocidade de atualização é elevadíssima, já que não conseguimos notar qualquer falta de fluidez, independentemente das condições de luz. E, claro, este visor tem uma vantagem clara sobre os visores óticos tradicionais: a informação disponibilizada ao fotógrafo, como os parâmetros da fotografia e os níveis eletrónicos, e apresentação de um preview em tempo real de como a foto vai ficar à medida que alteáramos os parâmetros de exposição e outros (aplicação de filtros, por exemplo). Em que é que este visor é inferior ao visor ótico? Talvez na situação em que o fotógrafo tem de acompanhar o motivo enquanto fotografa a elevado ritmo – fotografia desportiva, por exemplo –, já que entre fotos há sempre um intervalo de tempo reduzidíssimos em que perdemos a imagem em tempo real.
O sensor – outrora o calcanhar de Aquiles da Oympus – mostrou estar a um nível excelente. Ainda melhor que o sensor da M5, que ainda é uma referência de mercado. Talvez devido a melhorias no processamento, o ruído pareceu-nos ainda mais baixo quando a fotografar com valores ISO elevados. É difícil apontar falhas, mesmo quando comparamos este sensor a sensores de maiores dimensões (APS ou Full Frame), mas os mais exigentes vão notar que o “recorte” e o intervalo dinâmico ainda não estão à altura dos sensores utilizados nas melhores reflex. Mas, no global, os ficheiros gerados nesta experiência fotográfica são muito convincentes. De qualquer modo, temos de esperar para a análise final da máquina, incluindo os testes no nosso laboratório, para dar uma opinião definitiva e melhor fundada sobre as reais potencialidades qualitativas da M1.
Uma das novidades do sensor é a adição de elementos que permite a focagem por diferença de fase, o método de focagem automática tradicionalmente usado nas SLR e que está ausente na M5, que, como as máquinas compactas, foca por contraste. Esta funcionalidade permite tornar realmente usáveis as objetivas Quatro Terços, o que é importante para os profissionais que procuram a melhor qualidade possível e que já têm objetivas deste sistema. Já nas OMD-M5 e nas restantes Micro Quatro Terços era possível usar as objetivas Quatro Terços, mas a velocidade de focagem automática deixava muito a desejar, já que estas objetivas não foram criadas para serem focadas por contraste. Na M1, verificámos que focar com uma Quatro Terços é agora muito mais rápido. No entanto, ainda não sentimos aquela quase instantaneidade conseguida quando focamos com uma Micro Quatro Terços original nem com uma SLR profissional de alta gama. De qualquer modo, a focagem por diferença de fase na M1 pareceu-nos rápida o suficiente para entusiastas e até profissionais, excetuando aqueles que lidam com motivos em movimento rápido.
Quem já experimentou a M5 conhece certamente a eficácia do estabilizador de cinco eixo. O mesmo estabilizador está na M1, mas aquele que já era o melhor sistema de estabilização do mercado está ainda melhor. Tanto em foto como em vídeo. Ao ponto de ser possível fotografar em condições que seriam impensáveis sem o uso de tripé. No vídeo, este estabilizador até ajuda a fazer pans bem mais suaves. Uma característica que, só por si, pode fazer a diferença para muitos utilizadores. Aliás, a Olympus parece ter ouvido as críticas relativamente ao modo vídeo, já que a M1 tem agora uma entrada de som para microfone, o que torna esta câmara bem mais apelativa para quem trabalha com vídeo. Mas há aqui ainda algum trabalho para fazer, já que não podemos alterar a taxa de gravação – estamos limitados aos 30 fps predefinidos. E, já agora, seria interessante adicionar uma saída de áudio para auscultadores.
Como é habitual na Olympus, temos acesso a filtros em tempo real, que até podem ser conjugados. Há alguns realmente interessantes e como é possível sempre gravar a versão do ficheiro em RAW, mesmo os profissionais podem experimentar estes efeitos para um preview (pode ser importante para clientes) e manter o original para edição no computador. Novidade é um sistema de controlo de cor e da curva de contraste que nos permite, através das rodas de comando e de um modo intuitivo, alterar a saturação das várias cores base e os níveis de preto e branco.
Em suma, a M1 é uma câmara com o potencial para se tornar num marco histórico: a primeira câmara não reflex a adaptar-se a uma utilização profissional. Resta saber como vai ser a reação dos fotógrafos conservadores, sobretudo daqueles que consideram que é necessário ter uma câmara grande e pesada para ganhar o respeito dos seus pares e dos clientes. Porque isso, a OM-D M1 não é.
Na galeria de fotos presente no início deste artigo publicamos algumas fotos que fizemos durante a apresentação da Olympus OM-D M1 na Irlanda.