O Event Horizon Telescope captou a primeira fotografia de um buraco negro, o M87*, em 2019. Agora, registou-se uma explosão massiva de raios gama naquele buraco negro, o que pode vir a ajudar os cientistas a perceber melhor os comportamentos e acontecimentos neste tipo de fenómenos.
Já se sabe que, durante a existência do buraco negro, da matéria a criar o disco de acreção e das ejeções de algum material para o campo magnético envolvente, as partículas ganham uma enorme quantidade de energia, num processo ainda desconhecido.
Agora, com a deteção da explosão de raios gama no buraco no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz, foi possível identificar fotões, ou pacotes de luz, cada um com energia equivalente à de um mosquito a voar. “Estão a viajar perto da velocidade da luz e queremos perceber como e onde ganham essa energia”, descreve Weidong Jin, referindo-se às partículas, ao website Live Science.
A equipa recolheu e analisou os dados captados pelo VERITAS, de Very Energetic Radiation Imaging Telescope Array System, no Arizona, com uma técnica chamada distribuição espectral de energia: “é como dividir a luz num arco-íris e medir quanta energia está presente em cada cor”, detalha o investigador.
Além da análise da explosão propriamente dita, a equipa conseguiu perceber modificações no disco de acreção do buraco, que viu alterada a sua posição relativa ao jato, sugerindo que o horizonte de evento, ou seja a fronteira na qual a matéria não consegue escapar à gravidade do buraco negro, influencia o tamanho e trajetória das explosões.