É CEO do Grupo Evolutio em Portugal desde maio de 2023 e da Warpcom desde 2024. Que balanço faz deste período?
O balanço é bastante positivo. Ao longo do tempo construímos uma base sólida, conseguimos incorporar novas capacidades e ajustar a empresa de forma a manter o seu crescimento, focando-nos na melhoria contínua do serviço prestado aos nossos clientes. Portugal é um mercado prioritário e estratégico para o Grupo Evolutio, e a Warpcom é um ativo crucial na concretização desta visão.
A Warpcom tem reforçado a sua liderança nas áreas de cibersegurança, cloud, networking e experiência digital e feito um forte investimento no sentido de entregar serviços especializados e soluções inovadoras aos nossos clientes. O nosso foco é, de facto, continuar a escalar este sucesso, mantendo a aposta em serviços diferenciadores como o MXDR (Managed Extended Detection and Response), e na dedicação das nossas equipas locais, que asseguram a proximidade necessária para preparar os clientes para os desafios atuais e futuros. Esta combinação de know-how, experiência, inovação tecnológica, proximidade e confiança dos nossos clientes, coloca-nos numa posição ímpar.
Quando tomou posse disse que se manteriam atentos a operações de crescimento inorgânico. Neste âmbito, está prevista alguma operação para breve?
Mantemos o compromisso de explorar oportunidades de crescimento inorgânico que fortaleçam a nossa oferta e posição no mercado. Estamos atentos a potenciais aquisições que adicionem valor, seja pela expansão de competências ou acesso a novos mercados.

Acreditamos que ter uma cultura de inovação, onde incentivamos a formação dos nossos colaboradores e, paralelamente, nos desenvolvemos em conjunto com os nossos parceiros, permite mantermo-nos na vanguarda da inovação
Em 2024, a Warpcom registou um volume de negócios de 52,9 milhões de euros. Que factores permitiram este crescimento de 20,2% face ao ano anterior?
Apesar dos desafios impostos pela incerteza geopolítica internacional e o impacto da inflação nas decisões de investimento dos nossos clientes, conseguimos manter uma trajetória de crescimento graças à combinação de alguns fatores. Em primeiro lugar, a nossa equipa demonstrou uma dedicação incansável e uma capacidade de adaptação excecional, garantindo a excelência na entrega dos nossos serviços e projetos. Em segundo, a confiança contínua dos nossos clientes foi decisiva. A Warpcom foi capaz de conquistar novos projetos de grande impacto, especialmente em setores estratégicos como a Administração Pública, o setor Financeiro, Indústria e Utilities. Esta confiança reflete a qualidade das nossas soluções e o nosso foco em oferecer serviços de alto valor. Por último, a captação de novos clientes também foi um fator determinante ao permitir-nos diversificar a base de clientes existentes e aumentar a presença em áreas de grande relevância para o futuro.
Estes fatores permitiram-nos manter o crescimento expressivo em 2024, que se materializou num volume de negócios de 52,9 milhões de euros, o que representa um crescimento de 20,2% face a 2023.
Com quantos colaboradores contam atualmente em Portugal e em que áreas?
Atualmente, a Warpcom conta com cerca de 150 colaboradores distribuídos pelos escritórios em Lisboa, Porto, Funchal e Madrid. A nossa equipa está organizada em torno de várias áreas estratégicas, com destaque para Cibersegurança, Networking & Infrastructure, Data Center & Cloud, Digital Experience e Serviços (Consultoria Tecnológica, IT Operations, NOC, SOC e Serviços de Suporte).
Qual a importância do programa Warp Trainee, que estrearam este ano? Irá manter-se nos próximos anos?
O programa Warp Trainee tem um papel central na nossa estratégia de atrair e desenvolver os melhores talentos na área das tecnologias. Este programa não só proporciona aos estagiários uma formação técnica sólida, como também promove o desenvolvimento de competências interpessoais que consideramos fundamentais para o sucesso de cada colaborador, e da empresa como um todo. Acreditamos que a inovação e o futuro da nossa empresa passam pelo investimento nas pessoas, e no seu desenvolvimento profissional. O Warp Trainee é um reflexo desse compromisso.
Através deste programa, fomentamos a inovação e proporcionamos uma melhor integração dos trainees na nossa cultura organizacional, o que é crucial para garantir que os novos talentos estão alinhados com os nossos valores e objetivos de longo prazo. Investimos significativamente neste programa porque acreditamos muito no seu potencial transformador.
Quanto à sua continuidade, o nosso plano é mantê-lo nos próximos anos, já que vemos nele uma ferramenta essencial para fortalecer a nossa equipa com novas ideias, perspetivas e, claro, para garantir que retemos os melhores talentos do mercado. Este mês (fevereiro) vamos lançar a primeira edição do Warp Trainee, dando as boas-vindas a cerca de dez jovens talentos para integrarem a empresa e desenvolverem competências em áreas estratégicas do setor tecnológico.
Vamos continuar a evoluir como um parceiro de confiança para as organizações que procuram inovar com segurança e resiliência no seu percurso de transformação digital
A inovação constante é um marco no mercado das TIC. Qual o segredo da Warpcom para se manter a par das tecnologias mais recentes?
Acreditamos que ter uma cultura de inovação, onde incentivamos a formação dos nossos colaboradores e, paralelamente, nos desenvolvemos em conjunto com os nossos parceiros, permite mantermo-nos na vanguarda da inovação. Só com este mindset conseguimos antecipar tendências e necessidades do mercado.
No entanto, não nos podemos cingir a acompanhar as tecnologias emergentes, temos de nos questionar constantemente como é que estas podem ser aplicadas de forma a criarmos soluções inovadoras que tragam verdadeiro valor acrescentado para os nossos clientes. Por isso, há que manter uma colaboração estratégica tanto com os nossos parceiros como com os nossos clientes. Só tendo uma abordagem colaborativa nestas duas frentes, conseguimos identificar oportunidades de inovação e de negócio. Esses fatores juntos garantem que a Warpcom não permaneça apenas relevante, mas também se posicione como um líder no mercado de TIC.
O foco na sustentabilidade tem sido uma marca no percurso da empresa. Que iniciativas estão em curso neste âmbito?
O foco na sustentabilidade reflete o nosso compromisso em conciliar crescimento económico com responsabilidade social e ambiental. Na Warpcom as preocupações com a sustentabilidade existem desde a génese da empresa e têm vindo a crescer, ocupando um lugar cada vez mais de destaque no dia a dia da nossa organização. Temos diversas práticas implementadas há muitos anos e procuramos diariamente envolver os colaboradores numa cultura ética e responsável em relação à proteção do planeta, de forma a despertar uma maior consciência sobre o impacto que cada um de nós pode ter no mundo.
Além disso, fazemos uma seleção muito criteriosa de fornecedores para que que sejam comprometidos com práticas sustentáveis, medimos e monitorizamos indicadores como emissões de CO2, consumo de energia e uso de água, mantemos uma aposta forte na mobilidade sustentável na tentativa de reduzir significativamente a nossa pegada de carbono e temos procurado realizar atividades que visam a preservação da natureza e dos ecossistemas. Estamos sempre à procura de novas formas de integrar práticas sustentáveis no nosso dia a dia, incentivando os nossos colaboradores a tornarem-se embaixadores da sustentabilidade tanto dentro quanto fora da empresa.
Quais as tendências do mercado das TIC que antevê para 2025?
Na minha opinião, o mercado das TIC em 2025 vai ser pontuado por três fatores principais: cibersegurança, inteligência artificial e o aumento da regulamentação. Com a digitalização das organizações e o valor crescente dos dados, a cibersegurança deixará obrigatoriamente de ser secundária para se tornar numa prioridade essencial. No caso da IA, esta tecnologia já desempenha um papel crucial na proteção cibernética, mas com ferramentas de machine learning, será possível identificar padrões suspeitos e prevenir ataques em tempo real, tornando a defesa mais preparada e proativa. Por fim, a implementação da NIS2 trará novas exigências para diversos setores. Mesmo empresas fora do alcance direto da Diretiva vão sentir a pressão, com a conformidade a estender-se a toda a cadeia de fornecimento.
Que novidades trará o próximo ano para a Warpcom?
Vamos continuar a evoluir como um parceiro de confiança para as organizações que procuram inovar com segurança e resiliência no seu percurso de transformação digital. A nossa estratégia está focada na oferta de serviços geridos onde pretendemos reforçar a nossa posição como Trusted Partner no mercado, para isso vamos continuar a desenvolver novas capacidades em áreas como a Cibersegurança, DC & Cloud, Digital Experience e Inteligência Artificial, para que possamos expandir ainda mais a nossa oferta de serviços.
Com o avanço da regulamentação, como a NIS 2, as empresas vão precisar de apoio especializado para garantirem conformidade e proteção, nesse sentido a cibersegurança será um dos pilares centrais da nossa abordagem, com o fortalecimento dos nossos serviços MXDR e soluções avançadas de deteção e resposta a ameaças e, é precisamente aí, que pretendemos fazer a diferença.