Do bairro onde Nininho cresceu, na zona oriental de Lisboa, avista-se o Tejo. Não de todos os cantos, mas daqueles mais altos. Ao olhar-se bem de frente para o rio, até se consegue ignorar os pormenores que transformam este pedaço da freguesia do Beato naquilo que costumamos classificar de lugar complicado: as casas degradadas, os descampados com mato selvagem, os caixotes do lixo a transbordar pelas ruas e as pombas, muitas, a pairarem sobre eles. Falar de Nininho aqui, só em off, e sempre para tecer as maiores loas ao artista, enfatizando a sua genuinidade: “Ele não criou uma imagem, é real.”
Avelino (tal como o pai) Vaz Maia, 37 anos, o fenómeno que hoje esgota salas por todo o País com músicas por si compostas, que misturam flamenco, pop e tradição cigana (ver caixa), é filho da antiga Curraleira, um bairro de barracas. Quando elas foram finalmente abaixo, e se construíram casas de betão e alguns prédios, passou a chamar-se Picheleira.
