A Polícia Judiciária fez, no início desta semana, buscas a duas consultoras, em Lisboa: a Boston Consulting Group (BCG) e a Pricewaterhouse Coopers (PwC). Segundo informações recolhidas pela VISÃO, estas diligências foram realizadas a pedido das autoridades angolanas no âmbito da investigação a Isabel dos Santos. A empresária, apesar do mandado internacional de captura emitido pela Interpol, continua, entretanto, a partilhar nas redes sociais o seu quotidiano no Dubai.
Ao que a VISÃO apurou, a carta rogatória enviada pela procuradoria-geral da república angolana para a congénere portuguesa solicitava a apreensão de documentos nas duas consultoras, entidades que, segundo a investigação angolana, apenas terão servido para o desvio de dinheiro da Sonangol. Por sua vez, nos processos em Portugal, a empresária tem alegado que ambas as consultoras prestaram, efetivamente, serviços à petrolífera angolana no âmbito de um processo de reestruturação levado a cabo durante o seu mandato.
O universo de investigações a Isabel dos Santos, em Portugal, não se circunscreve ao alegado desvio de fundos da Sonangol. Ao todo, correm 17 processos contra a empresária angolana. Segundo fonte judicial, o resultado destas investigações deverá, em grande parte, ser remetido para Angola, país onde terão ocorrido os crimes precendentes ao branqueamento de capitais de que Isabel dos Santos é suspeitas em Portugal.
Em dezembro de 2022, o Tribunal Supremo angolano determinou o arresto preventivo dos bens de Isabel dos Santos, avaliados em mil milhões de dólares (941 milhões de euros), nomeadamente 100% das participações sociais da empresa Embalvidro, onde a arguida é beneficiária efetiva.
Segundo o acórdão, revelado pela Agência Lusa, a câmara criminal do TS referiu que o arresto abrangia também a todos os saldos bancários de depósitos à ordem tituladas ou co-tituladas, sedeadas em todas as instituições bancárias, incluindo as contas de depósito a prazo, outras aplicações financeiras que estejam associadas ou dossiês de títulos em nome de Isabel dos Santos.
O despacho do supremo tribunal angolano, datado de 19 de dezembro de 2022, indicou que, entre os bens indicados a arrestar, estão 70% das participações sociais na empresa UPSTAR Comunicação que a “arguida é beneficiária efetiva”.