O homem, foi detido às 23h30 de domingo em Carnaxide, por polícias da Esquadra de Investigação Criminal da Divisão de Oeiras, vestidos à civil, que o reconheceram “de algumas entrevistas televisivas” sobre os distúrbios nas Olaias.
O suspeito, detido num “local referenciado por tráfico de armas”, trazia consigo uma pistola Magnum .32, com seis balas, para a qual não tinha qualquer tipo de licença e foi a tribunal hoje de manhã para julgamento em processo sumário.
Depois dos distúrbios de domingo no bairro Portugal Novo, nas Olaias, a PSP “mantém no terreno o efectivo policial julgado necessário e adequado” para manter a ordem e investigar o que esteve na origem dos desacatos e os seus autores, refere ainda um comunicado da PSP.
Ao fim da tarde de domingo foram ouvidos vários disparos no Bairro, relativos a uma disputa que teve a ver com a disputa de uma habitação, segundo o presidente da Junta de Freguesia do Alto do Pina.
O policiamento no bairro foi reforçado por parte da Unidade Especial de Polícia, através do Corpo de Intervenção, deslocado para o local para restabelecer a ordem pública.
Os incidentes deste fim-de-semana foram previstos pelas autoridades policiais num relatório interno elaborado no início do ano, que alertava para “um possível conflito no Bairro Portugal Novo”, devido aos negócios imobiliários e conflitos étnicos.
No relatório dirigido às entidades competentes, incluindo a Câmara Municipal de Lisboa, a polícia descreve aquele Bairro como uma zona com elevado potencial de conflito, explicou fonte policial à Lusa.
O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP afirma desconhecer a “existência de qualquer relatório”, afirmou a sub-comissária Carla Duarte, do Comando de Lisboa.
A sub-comissária da PSP afirmou ainda que “não consegue confirmar a existência” do referido documento.
Além do Bairro Portugal Novo também consta uma outra zona habitacional daquela área, a cerca de mil metros de distância na Avenida Mouzinho de Albuquerque, também considerado pela polícia de elevado potencial de conflito.
Por seu lado o presidente da Junta de Alto do Pina afirma que “já tinha advertido a Câmara Municipal de Lisboa para a situação”, que classifica de “bairro problemático”, mas ainda não obteve qualquer resposta para a resolução do problema, explicou Fernando Braamcamp.
O autarca confirmou à Lusa que a esquadra das Olaias já tinha conhecimento da situação de conflito latente naquele bairro e ele próprio escreveu, “várias vezes” à autarquia alertando para a necessidade de uma solução para as casas construídas pela Cooperativa de Habitação Portugal Novo, que entretanto faliu.
Fernando Braancamp explica que “ninguém gere o bairro”, à semelhança de outros prédios “ao fundo da rua, geridos pela Gebalis”.