“É evidente que é um risco em cima da mesa” o PS usar a sua superioridade numérica na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à TAP para aprovar um relatório que lhe seja mais favorável, admite o deputado social democrata Paulo Moniz, que, em entrevista ao Irrevogável, nesta quarta-feira, nota que os socialistas “utilizaram um rolo compressor para obstaculizar de forma preponderante todas as iniciativas que foram sendo criadas” por esta CPI.
Mais de 160 horas distribuídas por 46 audições depois, chegou ao fim a fase de inquérito. Agora, os parlamentares terão de redigir as conclusões da investigação para apresentar ao Parlamento. O coordenador do PSD nesta comissão antevê que “o PS pode ter a tentação de fazer as conclusões que são suas, mas que não são a verdade”. Todavia, alerta que o “PSD tem instrumentos para veicular isto, caso o PS traga opacidade ao apuramento dos factos”.
Do trabalho desenvolvido pela CPI desde março, Paulo Moniz retira que este “deve servir para que se clarifique qual é a missão de acionista do Estado e o que é a gestão do dia-à-dia das empresas. As empresas não são extensão dos partidos políticos”. “Se há uma evidência que esta CPI veio exacerbar é que o PS confunde o Estado com o partido e com o Governo”, continua o parlamentar, acrescentando que há verdades que ficaram por apurar.
Mesmo assim, Paulo Moniz não vê como se substituiria o atual processo de funcionamento das comissões de inquérito. “Pode tornar-se um bocadinho fastioso”, mas “não vejo muitas alternativas para aprofundar tudo o que tem de ser aprofundado”. “O trabalho de uma CPI é difícil e leva muito tempo, porque é preciso voltar a questões que nos parecem não estar suficientemente esclarecidas ou até a incongruências durante a própria audição”.
Esta CPI foi particulamente complexa por causa do tema e teve perturbações de acontecimentos colaterais, que não deixam de ser importantes, como o caso dos graves incidentes no ministério das infrastruturas. Essas e outras circunstâncias, de facto, não ajudam a dignificar o papel das instituições.
PAULO mONIZ
Paulo Moniz acusa o PS de colocar em causa o papel das instituições democráticas, mas as últimas sondagens não alinham por este diapasão. “Estamos num ciclo eleitoral mais longo, ainda faltam três anos e as sondagens têm uma leitura precoce. E mais importante que olhar para as sondagens é olhar para a forma de estar [do PS], que revela uma falta de verdade, de respeito pelas instituições e cenas infelizes de desacatos como a que aconteceu no ministério das Infraestruturas [no dia 26 de abril]”.
Já sobre a apresentação de uma declaração por parte de dez deputados do PSD em desacordo com a disciplina de voto do partido favorável à criação de uma comissão de inquérito ao SIS, Paulo Moniz nega que haja problemas na bancada, referindo-se antes a uma “expressão individual de opinião saudável”, que “não tem a gravidade que se ouve comentar”. “Aliás, os comentários é que são, do meu ponto de vista, um oportunismo de quem quer criar instabilidade onde ela não existe”, afirmou.
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