A Plataforma Lisboa foi apresentada, esta quinta-feira, para dar resposta ao que consideram ser a degradação do espaço público na capital, com um alegado aumento da insegurança, da insalubridade, da degradação e da descaracterização da cidade. O coletivo reúne mais de dezena e meia de associações e movimentos de cidadãos e tem como mandatária a social-democrata Paula Teixeira da Cruz, que não poupou nos qualificativos para descrever um cenário dantesco, na cidade que é gerida há quatro anos por Carlos Moedas.
“Já não há nenhum bairro que não tenha problemas, ou de ruído, ou de salubridade ou de circulação”, disse Paula Teixeira da Cruz ao Correio da Manhã, recusando-se, porém, a responder sobre a avaliação que faz do mandato de Moedas.
“Esta questão é tudo menos partidária. É um problema de direitos fundamentais. Eu habituei-me a ver o PSD como um espaço de liberdade”, limita-se a dizer ao diário.
Em declarações à Time Out, a advogada que é mandatária da Plataforma Lisboa, também carrega nas cores para falar do estado em que considera que a cidade está. “Lisboa é hoje um imenso bar aberto, onde se consome álcool e droga, com ruas transformadas em casas de banho públicas”, deixando claro que este coletivo servirá para obrigar o poder local a assumir as suas responsabilidades.
“Vamos dialogar com os órgãos municipais e com a administração central. Muitas das associações aqui presentes, aliás, já apresentaram propostas e nós vamos continuar esse caminho, só que não vamos esperar muito. Temos uma agenda claramente definida e vamos tratar disto de uma forma muito profissional e objetiva. Os órgãos da administração pública estão obrigados a exercer as suas competências”, afirma Teixeira da Cruz, citada por aquele órgão.
A Plataforma Lisboa junta movimentos como o Aqui Mora Gente, fundado para reclamar os direitos dos habitantes do Cais do Sodré face à pressão da vida noturna naquela zona da cidade, mas também o Fórum Cidadania Lx, que se ocupa sobretudo de questões relacionadas com o património e o espaço público.
Paulo Ferrero, do Fórum Cidadania Lx, descreve uma cidade suja e grafitada, com “lagos secos da Avenida da Liberdade”, venda ambulante ilegal onde não é cumprida a distância mínima que deve ser deixada entre uma esplanada e o fim da via pedonal, deixando espaço para os peões circularem. “Só com mais pressão sobre as entidades responsáveis é que talvez se consiga mudar alguma coisa”, assume Ferrero.
Alexandra Leitão promete fim do botellón
As críticas lançadas pela Plataforma Lisboa serviram de mote para Alexandra Leitão, anunciar ao Expresso, que pretende restringir o botellón nas ruas da cidade, se suceder a Carlos Moedas.
“Se for presidente da Câmara Municipal de Lisboa, vamos proibir a venda de bebidas alcoólicas para consumo na via pública depois de determinada hora, regulamentar e fiscalizar com rigor a vida noturna na cidade”, promete a candidata socialista.
Alexandra Leitão junta-se, de resto, ao coro dos protestos da Plataforma Lisboa, acusando Carlos Moedas de não resolver os problemas da cidade.
“Fala muito de segurança, mas não age. O número de agentes da Polícia Municipal está no valor mais baixo dos últimos anos (412), as lâmpadas LED prometidas na campanha eleitoral não existem e quatro anos depois estão instaladas 64 das 216 câmaras de videovigilância que o anterior Executivo deixou licenciadas”, acusou Alexandra Leitão em declarações ao semanário.