Passamos muito tempo dos nossos dias nas redes sociais – dados da Marktest de novembro do ano passado revelam que, em Portugal, as pessoas entre os 25 e os 34 anos passam, em média, 163 minutos por dia nas redes sociais.
É nestas plataformas, principalmente no Instagram, que está no top das preferências dos portugueses, que nos comparamos constantemente com os outros e que temos pensamentos como “também gostava de estar a viajar como esta pessoa”, “adorava ter uma casa destas” ou “aquele corpo é lindo, nunca vou ter um assim”.
Vários estudos já têm vindo a alertar para as consequências negativas das redes sociais na saúde mental, já que instigam a uma comparação constante com modos de vida que, muitas vezes, não correspondem à realidade. E isto representa apenas uma ponta de um icebergue com muitos metros de profundidade.
Agora, um novo estudo desenvolvido por investigadores da Universidade de Sydney, na Austrália, que analisou 600 imagens publicadas no Instagram, deu conta de que as fotos irrealistas que as mulheres publicam nas redes sociais dos seus corpos pós-parto podem ser muito stressantes para as mães, levando-as a sentirem-se pior com o seu próprio corpo.
A equipa garantiu ainda que a maioria das fotos no Instagram com a hashtag #postpartumbody (corpo de pós-parto, em português), que são mais de mil novas por dia com esta mesma hashtag, refere a equipa, não refletem a realidade das novas mães.
A partir da sua análise, os investigadores chegaram à conclusão de que cerca em cerca de metade das imagens havia definição muscular “visível” ou “alta” e que quatro em cada 10 mulheres usavam roupas de ginástica.
De acordo com a investigação, apresentado no Congresso Internacional sobre Obesidade, que decorreu na Austrália, estas publicações podem afetar as novas mães porque as mulheres com maior gordura corporal têm menos tendência a publicar imagens de si mesmas no Instagram. Por isso, terem acesso a imagens de outras mulheres que demonstrem ter menos gordura corporal “pode piorar a sua satisfação corporal nesta fase já vulnerável da vida”.
“Essas imagens apresentam uma versão idealizada do corpo pós-parto, o que pode contribuir para a insatisfação corporal em mulheres no pós-parto que veem essas imagens”, explica Megan Gow, uma das autoras do estudo, citada pela Sky News.
Para combater esta situação, e “dado que o Instagram é altamente visitado por mulheres também durante o período de pós-parto”, os autores sugerem que a rede social deve incluir “informações de saúde” e formas de não mostrar o conteúdo “potencialmente nocivo” observado no estudo.
“Isto pode incluir informações direcionadas à dieta, exercícios, alimentação infantil e bem-estar psicológico para otimizar a saúde pós-parto”, sugerem os investigadores.
Também existem contas que promovem a aceitação do corpo, seja ou não no pós-parto. A jornalista Danae Mercer Ricci, que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e que teve, recentemente, um bebé, publica constantemente fotografias onde compara a realidade do seu corpo com as mesmas imagens, mas editadas ou a partir de ângulos específicos.
Numa publicação, por exemplo, a jornalista escreve que devíamos parar de tentar corrigir os nossos corpos, porque não há nada para corrigir. “Passamos anos a esconder a nossa pele, a comprar isto para encolher aquilo”, afirma. ” Você não é perfeita, é mais do que isso: Exclusiva. Interessante. Complexa. Humana. Portanto, não dê ouvidos às mentiras”, acrescenta ainda.