Menção Honrosa
Cena XI
Bobo, Rei e Pastor
(Rei Leandro feliz)
BOBO (para o público): Parece um sonho. Está tão feliz que nem embirra comigo.
REI: Sonho?! A realidade é que quero viver o resto dos meus dias a corrigir os meus erros.
BOBO (troçando): Pois, pois!
REI: Fui injusto e cruel, mas o amor tudo corrige.
PASTOR (ouvindo tudo): Isso é verdade, como sempre diz a minha Briolanja “O amor move montanhas”.
Cena XII
Príncipes e suas esposas
(Príncipe Felizardo convoca reunião inesperada)
PRÍNCIPE FELIZARDO: Vou deixar o meu coração falar. Chega de injustiças. O povo da Helíria está revoltado.
AMARÍLIS (indignada): O povo não tem voz.
HORTÊNCIA: Só tem que obedecer.
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca.
FELIZARDO: Estão todos a fugir para o reino de vossa irmã Violeta.
AMARÍLIS E HORTÊNCIA: Deixai-os ir. Menos importunam.
PRÍNCIPE FELIZARDO – Como viveremos? Quem cultivará as searas, quem cuidará dos pomares? Do que nos alimentaremos?
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca.
Cena XIII
Os mesmos e o Bobo
(Discutem)
PRÍNCIPE FELIZARDO: Não me deram ouvidos, vejam agora o nosso reino: searas abandonadas, pomares sem fruto, indústria falida.
AMARÍLIS: Uma desgraça: não temos que comer, nem que vestir, até os sapatos estão rotos.
BOBO (para o público): Rotos? Os meus estão há muito.
HORTÊNCIA (desesperada): Vamos morrer à fome!
BOBO (provocador) – Vão trabalhar como vosso pai.
PRINCESAS (entreolhando-se): O que fizemos nós a nosso pai! E à nossa irmã. Se pudéssemos voltar atrás!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Arrependidas? (Elas acenam afirmativamente) Partiremos para o reino de Violeta à procura de pão e perdão. (Tira um rolo de papel do bolso e começa a contar) Ora bem: levará cerca de 1 mês,2 semanas,3 dias e mais 4 horas.
Cena XIV
Pastor, Bobo, Rei, Violeta e Reginaldo
(Sala do Palácio de Violeta.)
PASTOR (para Violeta e rei): Dizem-se vossas irmãs e vossas filhas e trazem os seus maridos. Querem falar-vos.
BOBO: Serão mesmo essas desnaturadas? Grande lata!
VIOLETA: Depois de tantos anos!
REI (emocionado): Trataram-me como um cão.
PRÍNCIPE REGINALDO: Não agiram bem, mas…
VIOLETA (interrompe): Preciso saber ao que vêm. (Vira-se para pastor) Mandai-as entrar. (Entram e Violeta emociona-se. As irmãs ajoelham-se sendo imitadas pelos maridos)
PRINCESAS (para o rei): Não somos dignas de vos chamar pai. (Para Violeta) Nem de vos chamar irmã. (Pausa) Tende piedade de nós e de nossos maridos, dai-nos pão e abrigo e por nós sereis servidos.
(Violeta compadecida dirige o olhar ao pai e ao marido)
PRÍNCIPE REGINALDO: Pão e abrigo nunca aqui foram negados.
REI: Querida filha, desde que me perdoaste que sou a pessoa mais feliz do mundo, ouçamos o coração.
(As irmãs começam a chorar. Maridos imitam-nas)
Bobo (para público): Se calhar também devia chorar!
VIOLETA (para as irmãs): Estais perdoadas. Mas depois de se recomporem terão de trabalhar. Ajudareis nos afazeres do castelo.
PRINCESAS (fazendo vénia): Ao vosso dispor.
PRÍNCIPE REGINALDO: Vossos maridos ajudarão o pastor com os rebanhos.
PASTOR: Bem preciso!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Um criado ao vosso dispor.
(Simplício abre a boca mas é interrompido)
BOBO (jocoso): Tiraste-me as palavras da boca.
Cena XV
Final
Todos
(Para público)
BOBO: O velho Leandro finou-se. Hortênsia e Amarílis são famosas pelos cozinhados bem temperados. O Príncipe Simplício e Felizardo, aumentaram o rebanho real. O herdeiro de Violeta e Reginaldo nasce, Leandro o novo rei da Helíria. O povo é feliz. E eu fui promovido, passei a ser o bobalhão!
(Restantes voltam e fazem vénia)