No comboio TGV Bordéus-Paris, Emmanuel Macron, 39 anos, ex-ministro da Economia e atual candidato presidencial, viaja em segunda classe.
O ar está abafado, em parte por causa da equipa de filmagens que o acompanha passo a passo. Macron tornou-se na sensação desta campanha, erguendo-se do estatuto de outsider para se tornar num dos favoritos à vitória. Foi uma ascensão ajudada pelo escândalo que envolveu o candidato conservador François Fillon, agora sob investigação criminal por alegada utilização de dinheiro do Estado para pagar empregos fictícios à sua mulher e aos seus filhos. Logo que as acusações foram conhecidas, Macron ultrapassou Fillon nas sondagens para a primeira volta das presidenciais de 23 de abril. A populista de extrema-direita Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, surge, nos mesmos inquéritos, praticamente empatada com ele, o que torna provável que Macron a derrote claramente numa segunda volta, em maio. Se o conseguir, tornar-se-á no Presidente da República mais novo de sempre.
Nesta campanha eleitoral, o senhor saiu quase do nada para se tornar no favorito, como candidato independente sem apoio de nenhum partido. Isso surpreendeu-o? E cria-lhe alguma pressão?
Se eu não pudesse aguentar a pressão desta campanha eleitoral, não me tinha candidatado. E o facto de ter chegado onde cheguei não me surpreende. Antes de avançar, calculei todas as hipóteses, e, se não acreditasse que poderia ganhar, não me teria incomodado com todo o trabalho que viria a seguir.