Que as redes sociais andam a deixar as pessoas mais nervosas, ansiosas e têm aumentado significativamente os ataques de ódio e a facilidade com que se propaga a desinformação e a violência, já sabíamos. O que não sabíamos é que as pessoas estariam disponíveis para abandonar as redes sociais,  pagando para o fazer – se os seus congéneres também o fizessem. As evidências foram reveladas por um grupo de economistas da Universidade de Chicago, num artigo científico publicado no final do ano passado: se já era claro que as pessoas tendem a valorizar um produto ou serviço consoante o seu número de utilizadores – por exemplo, estão disponíveis para pagar mais por uns ténis que toda a gente tenha, mesmo que não lhes vejam grande utilidade – ainda não se tinha percebido que, no caso das redes sociais, os utilizadores estão mesmo dispostos a pagar para as abandonar, se souberem que outros também ficam desconectados.

“Os nossos principais resultados revelam uma “armadilha de mercado”, onde uma grande fatia de consumidores continua a usar plataformas redes sociais apesar de estas lhes provocarem um défice de bem-estar” – ou um bem-estar negativo, numa tradução mais livre. “Em média, os utilizadores precisariam de receber 59 dólares para desativar a sua conta de TikTok e 47 dólares para desativar o Instagram” durante quatro semanas, lê-se no artigo, intitulado “Armadilha dos produtos de mercado: o caso das redes sociais”.

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A Exame Informática, a Exame, a Randstad e a Martech Digital convidam-no a estar presente na conferência “Gestão de Talento no setor da Tecnologia”, que vai decorrer no dia 27 de junho, entre as 9h30 e as 13h00, em Lisboa.

AGENDA

9h30
Check-in

10h00
Boas-vindas
Tiago Freire, Diretor da Exame

10h10
Key Note Speaker
João Salvador Oliveira, Associate Director-Digital da Randstad Portugal

10h30
Estratégias inovadoras e captação de talento
Ana Filipa Meireles, Global Head of Talent Acquisition na Capgemini Portugal
Fernando Braz, Portugal Country Leader da Salesforce
João Miguel Rodrigues, Chief People Officer e Executive Board Member da Aubay
Moderado por Sérgio Magno, Diretor da Exame Informática

11h15
Coffee Break

11h30
Diversidade e Inclusão
Ricardo Teixeira, CEO da Compuworks
Teresa Alves, As Raparigas do Código
Moderado por Adriana Zappalá, Head de Pessoas e Cultura na Martech Digital

12h15
Cultura Organizacional e retenção de Talentos
Ana Barros, CEO da Martech Digital
Mariana Delgado, Manager of Information Technology da Randstad Portugal
Rita Marques, Happiness Manager & Global MKT da Milestone
Vitor Barros, Manager da Askblue
Moderado por Tiago Freire, Diretor da Exame

13h00
Encerramento
Sérgio Magno, Diretor da Exame Informática

O que fazer quando o smartphone cai na piscina? Qual é a melhor solução para quando se ‘perde’ o smartphone na areia? Há uma forma segura de o arrefecer quando a temperatura dispara? Agir rapidamente é crucial em caso de acidente e nem sempre há tempo (ou forma) de pedir ajuda ao ‘Dr. Google’ para encontrar uma solução. 

Para o ajudar a desfrutar do Verão sem frustrações e sem ter de gastar dinheiro a comprar um novo smartphone, deixamos um conjunto de dicas úteis em formato de ‘manual de sobrevivência’. Mas, antes de avançarmos, deixamos uma nota importante. 

Os smartphones contêm uma variedade de componentes sensíveis que, quando são expostos a condições fora do normal, podem tornar-se voláteis rapidamente. Em caso de acidente deve avaliar o grau de risco. Se não se sente confortável para solucionar o problema e se receia piorar a situação, não arrisque: leve-o a um especialista de confiança. 

Aposta na prevenção 

Atualmente a maioria dos smartphones tem algum tipo de proteção contra a água ou contra a intrusão de poeira. Além disso, é possível encontrar no mercado uma variedade de soluções de proteção – entre capas e bolsas – que permitem manter o smartphone a salvo de condições mais inóspitas ou até fazer algumas experiências de fotografia subaquática. 

Antes de dar uns mergulhos com o smartphone (ou de o levar para a praia) é importante que perceba qual é o grau de IP (Ingress Protection) do equipamento. É possível encontrar esta informação no manual de instruções do smartphone ou nos dados disponibilizados pela fabricante no seu respetivo website. 

Mas o que significam estes números? A tabela que disponibilizamos aqui, adaptada para português a partir de informação do comité técnico da Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC na sigla em inglês), dá uma ajuda. 

Smartphone verão manual de sobrevivência
Fonte: Comité técnico da Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC)

Tendo em conta esta informação poderá ajustar o tipo de atividades a realizar, assim como a solução de proteção mais adequada às suas necessidades. 

Capa ou bolsa?

Com tantas opções disponíveis no mercado, nem sempre é fácil escolher uma capa ou bolsa para proteger o smartphone da exposição à água ou areia/poeiras. Eis o que importa saber: 

Que tipo de atividades tem em mente? Tanto as capas como as bolsas podem oferecer proteção contra os elementos, mas há modelos que se adequam melhor a determinadas atividades. Por exemplo, se quer dar uns mergulhos com o smartphone e aproveitar para tirar umas fotos subaquáticas, uma capa poderá oferecer uma maior resistência à pressão do que uma simples bolsa. 

Preste atenção às características Durante o processo de compra verifique cuidadosamente as especificações da capa ou bolsa, assegurando que tem um grau de proteção IP adequado e que tem mecanismos concebidos para evitar a entrada de água/areia ou poeira. Preste também atenção à compatibilidade com o seu modelo de smartphone. As reviews deixadas por outros utilizadores são também úteis para perceber como é que o produto se ‘comporta’ na vida real e se vale mesmo a pena comprar

Ponha à prova antes de levar para a praia ou para a piscina Para confirmar que tudo está a funcionar como é suposto (e para evitar surpresas desagradáveis), teste a capa ou bolsa antes de colocar o smartphone lá dentro. Algumas fabricantes até o incentivam a fazer isso antes de usar o produto e incluem instruções sobre como o testar.

A par da água e da poeira, o calor é outro dos grandes ‘inimigos’ dos smartphones. Nem sempre é fácil fugir a temperaturas mais elevadas, mas existem certas medidas que deve colocar em prática. 

Entre elas contam-se evitar a exposição direta à luz solar; moderar ou limitar a utilização de aplicações que consomem mais recursos; e não deixar o smartphone em espaços que têm tendência para aquecer demasiado (como no interior do carro). 

O que fazer em caso de acidente? 

Caiu na água? 

Quanto mais elevado for o grau de proteção IP do seu smartphone, maior é a probabilidade de sobreviver a um incidente deste tipo. Atenção: a ideia de que o arroz pode ajudar a salvar milagrosamente um smartphone molhado não passa de um ‘mito urbano’. 

De acordo com recomendações deixadas por especialistas da área e pelas fabricantes, o arroz não é capaz de absorver toda a humidade que se pode infiltrar no interior do smartphone. Além disso, pequenas partículas de arroz podem danificar ainda mais o equipamento. 

Eis o que deve fazer: depois de ‘resgatar’ o smartphone, seque imediatamente o exterior e desligue o equipamento. Remova a capa, o cartão SIM e quaisquer outros elementos amovíveis (como cartões MicroSD). 

Limpe o equipamento o melhor que conseguir e, de seguida, deixe-o a secar num local bem ventilado. Há também quem opte por colocar o smartphone dentro de um recipiente fechado com várias saquetas dessecantes à base de gel de sílica. 

Não use fontes de calor externas (como secadores e aquecedores) para secar o equipamento. Não use ar comprimido para tentar remover água que esteja presa nos conectores. Neste caso, opte por bater gentilmente com o smartphone na palma da mão, com o conector virado para baixo. 

Aguarde, pelo menos, 24 horas antes de voltar a ligar o equipamento. Certos modelos alertam o utilizador caso ainda exista água no conector ou entrada USB. Se este for o caso, terá de deixar o smartphone a secar novamente. 

Se o smartphone não liga ou se receia que a água possa ter chegado ao interior do equipamento, leve-o a um especialista, pois a exposição dos componentes interiores a líquidos implica a eventual corrosão dos mesmos, lembram os especialistas da iFixit

Ficou perdido na areia?

O seu smartphone tem um elevado grau de proteção IP? Há menos motivos para preocupação. No entanto, a areia pode causar abrasões no ecrã se não estiver devidamente protegido, podendo também infiltrar-se nas entradas do equipamento. 

Usar ar comprimido para tentar expulsar os grãos de areia pode parecer uma boa ideia. Aliás, uma rápida pesquisa online permite ver que esta opção é frequentemente sugerida em blogs ou fóruns. No entanto, fabricantes como a Apple não recomendam esta técnica. O uso incorreto de uma lata de ar comprimido pode danificar o equipamento 

Uma solução alternativa é usar um ‘soprador de poeira’, acompanhado por uma escova suave, caso seja necessário. Não se esqueça: antes de qualquer tentativa de limpeza deve assegurar que o smartphone está desligado. 

O smartphone sobreaqueceu?

Deixou o smartphone exposto a luz solar direta ou então esqueceu-se dele no carro durante um dia muito quente? Se ainda está funcional é muito provável que surja um aviso a indicar que a temperatura é demasiado elevada para o utilizar. Desligue-o e remova a capa (caso esteja a usar uma) para assegurar uma melhor dissipação do calor. 

Mantenha o smartphone num espaço fresco e arejado até que a temperatura diminua. Faça o que fizer, resista à tentação de o colocar no congelador, frigorífico ou até numa geleira. A mudança súbita de temperatura e o nível de humidade presente neste tipo de ambientes podem causar mais estragos aos componentes sensíveis no interior do smartphone.

Está convencionada, a nível científico e internacional, uma idade a partir da qual a pessoa torna-se idosa?
De um modo geral, olha-se para um critério cronológico e, para o idoso, são os 65 anos. Mas a variabilidade do nosso funcionamento físico ou as trajetórias do envelhecimento são diversas. Uma pessoa aos 65, aos 70 ou até aos 80 anos, embora cronologicamente seja considerada idosa, do ponto de vista funcional ou da saúde pode apresentar características de envelhecimento mais ou menos aceleradas. Considerar uma pessoa idosa porque tem 65 ou 70 anos é objetivo, por causa do critério da idade, mas é subjetivo em relação ao que damos importância: a questão da saúde e da competência funcional diária.

Na atividade física por pessoas idosas, Portugal compara-se mal com boa parte da Europa. Porquê?
No meu livro uso como instrumentos de comparação questões relacionadas com práticas de natureza mais formal. Se dissermos que as pessoas são menos ativas em Portugal, sobretudo as mais idosas, temos também de afirmar que os fatores mais determinantes se relacionam com a própria pessoa – o conhecimento que ela tem sobre a relevância da atividade física para a saúde e para a competência funcional – e com a oportunidade. Isto é, com fatores mais relacionados com o envolvimento de natureza mais física ou psicossocial e, aqui, com aspetos económicos, quanto a atividades mais organizadas ou estruturadas. Não é preciso ter mais ou menos dinheiro para fazer uma caminhada, mas é necessário algum capital financeiro para uma inscrição num ginásio, por exemplo. Em termos comparativos, contudo, temos de olhar para as características da nossa população idosa, menos informada para a relevância de ser mais ativa e, se calhar, também com menos capacidade de ser mais ativa.

A massa muscular, com a idade, tende a diminuir 3% a 8% por década após os 30 anos, com taxas de perda mais acentuadas depois dos 60 anos

Como estimulá-la, então?
O que por norma se recomenda é o mais básico, o que é possível de ser feito pela maioria das pessoas – a caminhada. Não é necessário dinheiro nem nenhum equipamento especial. Quando falamos de atividade física, abrangemos o total, não especificamos coisa nenhuma. E esse total quer dizer: “Pelo menos, mexa-se.” Mas dentro do “mexa-se” pode entrar o exercício físico. É importante que haja exercícios de equilíbrio, de força, eventualmente até de natureza aeróbia, um pouco mais vigorosos, mas aqui são especificidades que necessitam de acompanhamento ou de supervisão. Não é o “faça por si próprio”, como são as caminhadas.

Recomenda-se uma consulta médica antes de uma pessoa idosa iniciar uma atividade física?
O corpo sabe o que é mexer-se. A pessoa não precisa de ir ao médico para saber se pode fazer caminhadas. Só faz sentido ir ao médico se tiver alguma condição clínica que a possa limitar ou que represente um risco para realizar sobretudo esforços de intensidade vigorosa. Agora, no esforço moderado, à partida não se recomenda a ida ao médico para lhe pedir permissão para fazer uma caminhada. Isso constituiria uma barreira imensa para as pessoas poderem ser mais ativas.

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“Abraçar a jornada do envelhecimento com vitalidade não significa apenas adicionar anos à vida, mas acrescentar vida aos anos”, diz Fátima Baptista, professora da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), da Universidade de Lisboa, no seu livro Atividade Física na Pessoa Idosa, recentemente publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Esta é uma obra que contraria quem classifica o envelhecimento como uma doença com tratamento médico específico.

Com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o livro daquela docente, de 60 anos, descreve uma abordagem holística ao envelhecimento saudável, em que a atividade física em geral e o exercício físico em particular ocupam um lugar central, sendo explorados os benefícios tangíveis e intangíveis que ambos proporcionam.

Mas, em concreto, como define a OMS o envelhecimento saudável? “Consiste no processo de preservação da capacidade funcional, que determina em grande medida o bem-estar físico, mental e social na idade avançada”, escreve Fátima Baptista. E “não ter doenças não é obrigatoriamente um requisito para um envelhecimento saudável”, ressalva. “Muitas pessoas idosas têm uma ou mais doenças que, quando controladas, pouco influenciam o seu bem-estar. A capacidade funcional de um indivíduo decorre de envolvimentos com oportunidades para que as pessoas realizem o que entenderem ou valorizarem, incluindo a prática de atividade física.”

Também a definição de atividade física é lata. “Refere-se a qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte num gasto de energia, independentemente de esse gasto ser maior ou menor, ou seja, de o esforço físico ser mais ou menos exigente”, diz Fátima Baptista. Incluem-se, aqui, “as atividades físicas básicas e instrumentais da vida diária, como cuidar de si próprio (ou seja, vestir-se, lavar-se, alimentar-se ou movimentar-se dentro de casa), as atividades físicas instrumentais, como, por exemplo, efetuar trabalho doméstico, cozinhar, ir às compras ou utilizar transportes, e ainda outras atividades, como trabalhar, viajar ou praticar exercício físico ou desporto, que poderão ser fisicamente mais exigentes, sendo por isso consideradas atividades físicas avançadas”.

CENÁRIO NEFASTO

Sendo a inatividade física comum nas pessoas mais ou menos idosas, Portugal compara-se especialmente mal, neste particular, com boa parte da Europa. Lê-se no livro de Fátima Baptista, por exemplo, que “um estudo com indivíduos com 55 ou mais anos de 16 países europeus revelou que 12,5% dos participantes reportou nunca ou quase nunca realizar atividade física de intensidade moderada ou vigorosa, variando esta percentagem entre 4,9% (Suécia) e 29% (Portugal)”. E que, nas pessoas mais idosas, a prevalência da inatividade física chega aos 80%, após avaliação através de sensores de movimento. Esta é uma população “com depressão, limitações físicas, falta de sentido na vida, menor apoio social e com problemas de memória”, enquadra a docente.

Estamos, pois, nos grupos de alto risco da inatividade física. No seu livro – inserido numa coleção da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre os benefícios da atividade física na saúde humana, e que a VISÃO tem vindo a abordar nas suas diversas perspetivas –, a professora da FMH refere que, segundo dados de 2019 do Instituto Nacional de Estatística, Portugal está no topo da lista dos países da União Europeia com menos anos de vida saudável.

A esperança de vida saudável aos 65 anos para a população em geral situou-se em 7,3 anos, menos três anos do que a média europeia (10,3 anos). O País há de, assim, dar um significativo contributo para um nefasto número: a inatividade física resulta em aproximadamente um milhão de mortes por ano na região europeia da OMS.

Como explica Fátima Baptista, “não sendo uma doença em si”, o envelhecimento “está associado a um aumento do risco de vários problemas de saúde e doenças”. Nem podia ser de outra maneira em tal processo biológico natural e complexo, marcado por alterações nas unidades estruturais e funcionais dos seres vivos – as células. Estas alterações respeitam “à diminuição da renovação e da atividade celular devido a diversas causas, algumas genéticas e outras decorrentes da exposição a fatores internos metabólicos ou a fatores externos ambientais, como a radiação, poluição, infeção, tabagismo, dieta inadequada, inatividade física e sedentarismo”.

SEGREDO MUSCULAR

Também é certo que, entre os mais de 600 músculos que constituem o corpo humano, a massa muscular, com o avançar da idade, tende a diminuir 3% a 8% por década após os 30 anos, com taxas de perda mais acentuadas depois dos 60 anos. “A perda de massa muscular é maior nos membros inferiores do que nos membros superiores, o que é de realçar, uma vez que os membros inferiores são mais relevantes para a independência funcional e para o risco de quedas no envelhecimento”, escreve Fátima Baptista. E aquela perda “é uma das razões pelas quais a composição corporal e o fortalecimento muscular são considerados tão importantes para o envelhecimento saudável”.

Para o músculo, “o órgão efetor do movimento, não importa nem o objetivo nem o contexto da atividade física aeróbica, mas sim a interação entre volume e intensidade”, diz a professora da FMH. Cabe aqui resumir que os mínimos recomendados pela OMS, em acumulação semanal, se situam entre 150 e 300 minutos, na atividade física aeróbia de intensidade moderada (como uma caminhada em passo acelerado ou outro esforço semelhante), e entre 75 e 150 minutos, na vigorosa (como a corrida ou outro esforço análogo).  

No entanto, Fátima Baptista destaca “o treino de força com cargas adicionais e a manutenção de uma dieta equilibrada” como “estratégias eficazes para preservar a massa muscular em pessoas idosas”. E o referido treino de força “envolve o uso de equipamentos específicos, como halteres, barras e discos, máquinas, elásticos e bandas de resistência, cintos ou coletes, de modo a proporcionar resistência (sobrecarga) durante os exercícios”.

Mas atenção: “É importante que qualquer pessoa que esteja a iniciar um programa de treino de força com cargas adicionais procure a supervisão de um fisiologista do exercício”, para garantir que tudo se faz de modo seguro e eficaz. Com a ingestão, após o treino, de proteína e de vitamina D, fomenta-se o “aumento de massa muscular e de força, reduzindo simultaneamente o risco de quedas e lesões nas pessoas idosas”.

A idade não é, pois, uma barreira ao aumento da massa e força musculares. “São expectáveis ganhos de 10% a 30% da área de secção transversal do músculo, de 20% a 100% da força muscular (ganhos que refletem adaptação muscular e nervosa) e de um a três quilos de massa muscular”, escreve a professora da FMH. De intensidade moderada ou vigorosa, a atividade física reduz o risco de certos cancros e previne patologias neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer (ver infografia). Do outro lado da moeda, porém, continuam a estar as pessoas idosas que passam cerca de 80% do tempo sentadas, 67% delas mais de oito horas e meia por dia. É um atalho para uma morte prematura.

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Ingredientes

Massa
100 g de ovos inteiros
60 g de açúcar demerara
65 g de manteiga vegana gelada
60 g de farinha de amêndoa
270 g de mix de farinhas sem glúten

Recheio
5 maçãs grandes
Canela em pó, a gosto
Noz-moscada, a gosto
5 g de pasta de baunilha
20 g de sumo de limão
180 g de açúcar demerara
50 g de uvas passas
50 g de nozes

Preparação

 Massa

Bata os ovos com o açúcar até este estar dissolvido.

Usando o acessório para amassar da batedeira, misture a manteiga vegana, a farinha de amêndoa e a mistura de farinhas sem glúten até formar um crumble.

Junte os ovos até ficar uma mistura homogénea (pode finalizar com as mãos).

Faça uma bola e embrulhe em película aderente, leve ao frigorífico por 30 minutos.

Divida a massa em duas partes, uma com ⅓ da quantidade e outra maior com a massa restante. Estenda a parte maior com o rolo (4 mm de espessura) e forre o fundo de uma forma de tarte, perfurando com o garfo para não estufar.

Adicione o recheio e nivele com uma colher.

Estenda a massa restante com a mesma espessura e cubra a tarte. Faça igualmente alguns furos com o garfo para que o vapor possa sair.

A tarte deve cozer cerca de 30 minutos no forno a 170 ºC.

Pode decorar com amêndoas em lascas antes de levar a tarte ao forno.

Recheio

Descasque e pique as maçãs, coloque-as numa taça com o sumo de limão.

Misture com os restantes ingredientes e recheie a torta. Adicione também o caldo formado pelas maçãs.

Em Uma Vida Doce, Sem glúten e Sem Laticínios (Casa das Letras, 176 págs., €19,90), a chefe pasteleira nascida no Brasil Fabiana Pragier propõe receitas de bolos, sobremesas e pães para quem tem restrições alimentares ou quer optar por uma alimentação mais saudável. O livro está dividido em quatro capítulos: Para começar bem o dia…; Chá ou café?; Para os miúdos e Final Feliz.

Apesar de já ter publicado diversos artigos científicos na sua área de investigação, a bioquímica nutricional, e de ser presença assídua na comunicação social para incrementar a literacia, aos 50 anos Conceição Calhau nunca havia escrito um livro. Fê-lo agora, deu-lhe o provocatório título Deixemo-nos de Tretas (Contraponto, 208 págs., €17,70) e é como que um murro na mesa, provocado por duas décadas de clínica a ouvir as mais equivocadas certezas sobre alimentação (um mês depois, já vai na segunda edição). Cansada dos mitos espalhados pelas redes sociais e da desinformação que grassa neste meio, a especialista, uma das mais conceituadas em Portugal no seu métier, desconstrói algumas ideias feitas – deixe-se já aqui escrito que a melhor forma de se comer peixe, aproveitando todas as suas propriedades, não é cozido nem grelhado, mas sim em caldeirada. Água na boca? Há muito mais para ler nas linhas que se seguem, mantendo a Dieta Mediterrânica debaixo de olho e a inflamação longe da vista.

Os hábitos alimentares acabam de ultrapassar o tabaco no ranking dos fatores de risco da mortalidade. É mais uma motivação para escrever um livro a pôr os pontos nos is?
Na realidade, contextualiza muito a motivação inicial para escrever. A evolução da Medicina, com os antibióticos e as vacinas, deu-nos mais anos para viver, mas depois enchemo-los de doenças crónicas e temos falta de qualidade de vida. O facto é que a alimentação potencia a saúde e que os hábitos desadequados estão associados à doença.

E à morte, como indiciam estes dados recentes divulgados pela Direção-Geral da Saúde, com base num estudo do Golden Burden of Disease.
É uma boa oportunidade para falarmos do assunto, pois temos a sociedade mais desperta para o tema e as pessoas a procurarem informação sobre alimentação e saúde.

Só que há um problema com as fontes às quais se vai buscar essa informação…
As redes sociais proliferam muita informação e há bastante gente que não é da área da nutrição nem do jornalismo com imensa influência.

Dê-me exemplos de ideias que circulam e que podem ser nocivas.
Saltar o pequeno-almoço constantemente, com a questão do jejum intermitente, as receitas mágicas dos detox, os superalimentos – que até podiam ter alguma coisa boa por detrás, mas que passam a ser a panaceia para todos os males –, a privação de hidratos de carbono não indo além dos 20, 30 gramas por dia, e toda a panóplia de dietas mirabolantes.

Quando se estabelece esta relação da alimentação com a mortalidade, não estamos só a falar de obesidade, pois não?
Claro que a obesidade é a doença que se manifesta de forma mais visível. Mas os hábitos alimentares desadequados têm uma relação com o cancro, por exemplo, e isso pode não ter uma manifestação clara. Ainda ontem estava a rever os números: um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres vai ter um cancro na vida, e 40% deles são evitáveis, porque estão muito relacionados com o estilo de vida.

Não se trata apenas de alimentação…
O estilo de vida são os hábitos alimentares, o sono, a atividade física, a gestão de stresse. Estas são as principais variáveis a que temos de prestar mais atenção e não é só quando já se tem a doença, nem só no envelhecimento, é para uma maior longevidade.

Afinal, o que buscam as pessoas que se perdem nas redes sociais?
Muitas vezes, já existe uma má relação com a alimentação, porque têm problemas até de outras ordens, como a questão da adição, e acabam por ter uma fome emocional, querem encontrar uma solução: continuar a comer, mas não engordar, ou até, no limite, continuar a comer o mesmo e perder peso. Isso não existe!

É mais ou menos assim que muita gente encara o Ozempic.
Trata-se de um fármaco que tem algumas vantagens de acelerar o processo, mas as pessoas têm de mudar o seu estilo de vida. Não faz sentido, seja para a perda de peso seja para o colesterol elevado ou a resistência à insulina, no caso da diabetes, termos uma terapêutica farmacológica sem uma terapêutica nutricional como adjuvante.

Nunca houve tanta disponibilidade de informação e tanta gente tão mal informada. Combate-se isto com livros como o seu?
Mesmo na eventualidade de os nutricionistas terem redes sociais para irem repondo a verdade, isso não seria suficiente – é humanamente impossível, porque a velocidade e o número ou volume de informação é absurdo.

Tem de ser frustrante…
Com o livro, o que tento é dar ferramentas para as pessoas se tornarem críticas e ter um filtro relativamente à informação. É um alerta para perceberem quem são de facto as fontes credíveis e onde devem procurar a informação. Sabemos que, por exemplo, a Direção-Geral de Saúde tem um programa de promoção da alimentação saudável e produz muita informação, muitos manuais. Só que não tem qualquer tipo de alcance, não tem sequer um alcance parecido com qualquer influencer. As pessoas não conseguem ter critério, perceber de onde vem essa informação e depois, se calhar, as mais credíveis são aquelas a que acedem menos.

Este livro chegará aos públicos que se intoxicam nas redes sociais?
A verdade é que o livro, em menos de um mês, chegou à segunda edição, o que significa que também há muito quem procure este tipo de informação credível. Foi uma surpresa – enquanto autora completamente desconhecida, sem redes sociais, não estava minimamente a contar que tanta gente tivesse vontade de ler o livro e que passasse a palavra.

Esta é uma área em que as pessoas tendem a posicionar-se em extremos?
É de facto muito mais fácil adotarem atitudes extremas. Uma delas é “o natural faz bem”. Quando falamos dos ultrapassados ou muito processados, aparece o outro extremo do tudo caseiro, tudo natural. Dou sempre este exemplo: o cianeto também é natural e mata. O facto de ser caseiro não tem necessariamente de ser melhor, porque se fizer uma alimentação cheia de sal, gordura e açúcar, mesmo em casa, não tem nada de adequado. Muitas vezes brinco com os doentes que me dizem: “Não como bolos, só caseiros”; “Só como bolachinhas de água e sal.” Costumo explicar que água e sal é mar, não é bolacha. Também há quem fale das bolachas integrais, que têm muita gordura, ou a bolacha de aveia. Aveia… aveia é saudável… mas a bolacha de aveia, frequentemente, tem 10% de gordura saturada, portanto está completamente desadequada. Depois é o biológico (muitas vezes, nem sabem muito bem o que quer dizer biológico ou orgânico) e o vegan.

É muito fácil as pessoas adotarem atitudes extremas. Uma deles é “o natural faz bem”. Quando falamos dos ultrapassados ou muito processados, aparece o outro extremo do tudo caseiro, tudo natural. Dou sempre este exemplo: o cianeto também é natural e mata

O que tem a dizer sobre os regimes vegetarianos?
Muitas vezes, os vegetarianos são indivíduos que têm mais preocupação, mais conhecimento nutricional e um estilo de vida mais adequado. O que não é a mesma coisa que dizer que, efetivamente, é o correto versus o não vegetariano.

São os comportamentos desadequados que levam à inflamação de que tanto se fala?
A inflamação é, de facto, um denominador comum para a maioria das doenças de hoje. Já dizia o professor Sobrinho Simões: “Estamos todos muito inflamados.” A inflamação aguda é necessária, trata-se de uma reação contra uma agressão ou uma situação estranha, mas depois temos de ser capazes de resolver o processo inflamatório. A não resolução significa a inflamação crónica de baixo grau.

Porque não estamos a resolver isso?
Deve-se sobretudo à inadequação relativamente à gordura, que se reflete na falta de gordura Ómega 3, sobretudo os EPA e DHA, que estão maioritariamente na gordura do peixe, comparativamente à grande ingestão que fazemos de Ómega 6.

Onde se encontra o Ómega 6?
Principalmente, nas carnes e nos óleos alimentares. A proporção deveria ser de um de Ómega 3 para três de Ómega 6, mas o que acontece é de um para 20, ou seja, quando precisamos de uma reação inflamatória, vamos precisar desses Ómega 6, mas depois não temos os Ómega 3 em número suficiente para resolver o processo inflamatório.

Quais são as consequências desse desequilíbrio?
Se tenho menos ingestão, menos reservas dos Ómega 3, vou ter dificuldade de fazer essa resolução. E como estamos com cada vez mais estímulos para a inflamação, ela vai acumulando-se de uns processos para os outros. Da neuroinflamação até à depressão major, passando pelo cancro e pela doença associada ao envelhecimento, já sabemos que tudo tem uma componente inflamatória.

De facto, está na base de tudo.
E ainda há a disfunção das mitocôndrias (a parte das células que mais contribui para queimar energia), que está muito associada a variadíssimas doenças, do cancro à obesidade. Portanto, quase tudo vem de um processo inflamatório. Daí que os alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios sejam importantes do ponto de vista nutricional.

Como podemos saber qual o nosso nível de inflamação?
Existem vários biomarcadores a que podemos recorrer, mas muitas vezes a manifestação mais evidente do ponto de vista clínico pode ser as doenças autoimunes, que são cada vez mais frequentes entre os 45 e os 55 anos. E isso vem exatamente desta confusão. Perante uma inflamação, o sistema imunitário fica altamente reativo e reage contra ele próprio. 

O que podemos fazer para termos uma “boa” microbiota, fundamental para a saúde?
A microbiota intestinal vai-se formando nos primeiros 2/3 anos de vida. Todos os fatores que atuam durante a vida intrauterina tem uma determinação muito mais acentuada. Trata-se de uma fase de muita vulnerabilidade e de oportunidades, em que também temos a formação do sistema imunitário, e que é influenciada por uma série de fatores – o tipo de parto, exposição ou não a antibióticos, quer durante a vida intrauterina quer durante o primeiro ano de vida, o tipo de alimentação, o stresse, acontecimentos traumáticos, animais domésticos, vida rural ou vida urbana e o tipo de dieta que se vai adotar do ponto de vista familiar.

A partir daí, quais são os fatores que influenciam a microbiota?
A atividade física, o stresse, a alimentação e os medicamentos. Claro que temos muita capacidade de resiliência, ou seja, de resolução, se tivermos uma boa microbiota na primeira fase da vida. Mas essa capacidade vai diminuindo, quanto maior for a agressão. Por exemplo, está mais do que demonstrado que a toma de um antibiótico vai alterar a microbiota intestinal. Isso pode resolver-se ao fim de 4/6 meses, sobretudo se tiver uma boa microbiota da primeira infância. Se não tenho, a capacidade de resiliência será muito menor e o impacto muito maior. Quem diz os antibióticos, diz muitos outros medicamentos, assim como a exposição crónica aos adoçantes não calóricos e aos emulsionantes usados nos produtos light quando se lhes retira a gordura. Há cada vez mais conhecimento de que existem muitos fatores que influenciam a composição deste órgão metabólico endócrino, que vai mudando muito ao longo da vida.

Que comportamentos alimentares erráticos mais comprometem esse órgão?
Só comermos alimentos ricos em fibra de vez em quando, como hortícolas, leguminosas, fruta e cereais. Se não ingerirmos os 25 a 30 gramas de fibra por dia, de forma sistemática, as bactérias, que utilizam sobretudo esses ingredientes, não os vão encontrar, dando oportunidade para outros micro-organismos irem predominando. Temos cada vez mais a noção de que existe uma grande percentagem de proteobactérias na microbiota humana. Trata-se de um grupo patogénico que deveria ser apenas 3% em todo a microbiota, e já encontramos indivíduos com 20 por cento.

Como se chega a esse número?
Estas proteobactérias alimentam-se de proteína de origem animal. E muitas vezes também pode ser consequência de medicação em que fazemos mal a digestão das proteínas.

A culpa está toda do lado da indústria?
Temos de entender que a indústria alimentar e a farmacêutica não nos trazem só coisas más. Pelo contrário, a segurança alimentar, a disponibilidade de alimentos e de novas fórmulas mais adequadas às nossas necessidades é, sem dúvida, uma mais-valia. Confundimos isso com os ultraprocessados, com escolhas erradas. Como já disse, posso preparar um prato cheio de gordura, açúcar e de sal em casa, e ir comprar um alimento processado interessante, como, por exemplo, um kefir ou um iogurte natural. Estes alimentos fermentados são muito importantes na nossa alimentação, mas muitas vezes também são veículos de açúcar ou de adoçantes, se tiverem aroma. Ainda na semana passada fiz esse exercício e encontrei um iogurte de morango com 5% de açúcar, mas claro que também tinha adoçante para chegar ao ponto de doçura que o consumidor exige atualmente. O do lado, de mirtilo, tinha 16% de açúcar.

Qual é melhor?
Nenhum dos dois. Devemos comprar iogurte natural.

E depois juntar-lhe os mirtilos…
Exatamente. Mas há muita desinformação sobre isto, o que gera um preconceito quanto ao processamento – quando cozinhamos, estamos a processar alimentos. Agora, obviamente que a indústria vai fazer aquilo que a oferta procura. Só precisamos de um consumidor mais informado.

O jejum intermitente é mau para nós?
Temos evoluído imenso na questão da cronobiologia, que dá relevância à hora do dia em que comemos. O jejum bem interpretado é aquele que me diz que devemos ter uma pausa alimentar noturna. Mas as famílias fazem grande ingestão alimentar na segunda metade do dia, que é o jantar, que já não é às sete, nem às oito, muitas vezes passa para as nove ou dez. E, depois, procuram a compensação alimentar, porque estão durante todo o dia com uma salada, depois de saltarem o pequeno-almoço. Se comer à noite, vou ganhar tecido adiposo e colesterol. Mas não se trata apenas da questão da adiposidade, nem da resistência à insulina: comer à noite, e ter picos de insulina e chegada de nutrientes às células, também bloqueia os mecanismos de limpeza celular, que identificam um erro e são capazes de o parar. A cronicidade destes maus hábitos acaba por resultar em mutações e em cancro, por exemplo.

Como deve ser a distribuição das refeições?
Ter uma boa primeira refeição, um bom almoço e depois reduzir a quantidade de alimentos à noite, e sobretudo fazê-lo mais cedo.