Putin não quer saber de Mar-a-Lago. Não faz o shuttle. Só quer o Donbass. Servido por Trump, o seu ponta de lança. A expectativa de uma paz imediata nunca existiu, nesta fase. Atira-se tudo para 2026.
Zelensky acredita que 95% do acordo está feito. É possível. Mas é nos 5% que reside a paz que não existe desde 2022. Avançou-se nas garantias de segurança — Trump prometeu por 15 anos — mas com a Europa na primeira linha. «É uma guerra na Europa», diz Trump, bem-disposto.
Putin só quer o que conquistou. Como Territórios Autónomos da Federação Russa. Sem isso, nada feito. Não haverá acordo para assinar. Zelensky pretende fazer um referendo, mas Moscovo não alinha nessa inquirição democrática. Não gosta de surpresas. Nem de lamentos.
Assim sendo, a guerra continua. De baixa intensidade militar, mas de elevadíssima destruição humana e material. Alguém tem de convencer o senhor do Kremlin que basta o que basta. E não será Trump, nem a Europa. O primeiro porque só deseja que Kiev aceite o que Moscovo impõe; a segunda porque não é decisiva na pressão económica, política e militar.
Como fazer, então? Como fazer recuar Putin? Como acabar com esta guerra sem vencedores? Esse guião não está escrito, nem delineado. Tem de existir uma forma, um caminho, uma saída.
A propósito: Moscovo reclama que uma das dezenas de casas de Putin foi atacada. Kiev desmente, mas sabe que algum edifício especial, ou a própria casa de Zelensky, vai ser atacado. É a habitual prática de Moscovo.