O único Plano de Paz que está em cima da mesa é a versão corrigida de Genebra, que passou de 28 para 19 pontos. Não há outro, por agora. A confusão noticiosa provocada pela CBS — que deu como certo que Kiev tinha aceite o plano dos EUA — fez correr horas de comentários sobre a primeira versão do plano, na qual a Rússia ficava com tudo: territórios, dinheiro, amnistia e regresso aos palcos internacionais. Isso morreu em Genebra.
O passo em frente foi dado por Zelensky, que, depois de informado sobre todos os pormenores da reunião de Genebra, disse que aceitava o atual plano, com dois ou três detalhes para acertar diretamente com Trump e com a Europa. São esses detalhes que podem impedir a luz verde, em particular o mais decisivo: a entrega dos territórios ocupados à Ucrânia. Sem mais nem mas.
Mal se percebe, por isso, a confusão gerada em torno do único plano que existe, que é o atualizado, mas que continua a ser dos Estados Unidos. A grande questão, contudo, reside em Moscovo: Putin não está disponível, em nenhuma circunstância, para se retirar dos territórios ocupados, que são o Donetsk, Luhansk, Zaporíjia e Kherson, sendo que os dois últimos puros despojos de guerra.
Assim sendo, esclarecida a trapalhada, a palavra pertence a Putin e a um encontro na Casa Branca entre Trump e Zelensky, que não quer estar sozinho. Curiosamente, Trump já está em Mar-a-Lago para o Dia de Ação de Graças, e dificilmente estará disponível para um encontro de “combate”. Uma coisa é certa: Zelensky quer cumprir o prazo dado, tal é o receio dos humores de Trump.
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