Após a década de oitenta, em que João Paulo II, Papa de origem polaca, se notabilizou como uma das peças importantes no fim da chamada Guerra Fria, o final desse pontificado e o seguinte, com Bento XVI, foi uma longa fase de significativa irrelevância do Vaticano no mundo da geopolítica, apenas terminada com Francisco, quando este voltou a colocar o papado como central em muitas das questões internacionais.
Este é, podemos afirmar, o maior perigo da herança de Francisco, claramente reconhecida com uma imensa visibilidade mediática e um lugar muito forte na criação de opiniões. Isento, liberto, dos ónus de um normal Estado, Francisco conseguiu ser uma voz ouvida e tida em conta no palco internacional. Não seria qualquer pessoa a dizer a Trump, em 2016, ainda ele era candidato ao primeiro mandato, “uma pessoa que quer construir muros e não pontes não é cristã”.