A Europa vai investir 500 milhões de euros na construção do seu primeiro supercomputador com capacidade de fazer computação em exaescala, o JUPITER (de Joint Undertaking Pioneer for Innovative and Transformative Exascale Research). Metade do valor de investimento necessário virá do EuroHPC JU, a divisão de supercomputação da União Europeia, e o restante provém de fundos federais e estatais da Alemanha. A instalação vai ser feita no instituto Forschungszentrum Jülich, na Alemanha, em 2023. O diretor do Jülich Supercomputing Center, Thomas Lippert, congratula-se pelo projeto e antevê que “vamos resolver problemas do mundo muito mais depressa”.
Os supercomputadores à exaescala conseguem operar na escala dos exaflops – um trilião de cálculos por segundo, o equivalente a 1 exaFLOP/s (operações de ponto flutuante por segundo) ou mil petaFLOP/s. No caso do JUPITER, a instalação vai ser num edifício novo, com estruturas de arrefecimento a água do tamanho de contentores e cada um destes locais vai ter um conjunto de servidores com muitos nós de processamento individual. A máquina vai estar próxima do JUWELS, outro supercomputador que está em 12º na lista dos mais poderosos supercomputadores do mundo e que tem 3500 nós de computação.
Muitos dos detalhes da configuração técnica – processadores (CPU), unidades de processamento gráfico (GPU), memória e fornecedores – ainda não são conhecidos publicamente, mas sabe-se que a arquitetura está definida e que o supercomputador vai ter aceleradores baseados em GPU que se ligam a um cluster universal onde estão depois CPU. Há ainda discos e unidades flash de elevada capacidade, bem como sistemas de redundância e sistemas de cassete para arquivo do histórico, explica a publicação IEEE Spectrum.
Também ainda não é conhecida a capacidade máxima de processamento que o JUPITER será capaz de atingir. De recordar que os EUA detêm, neste momento, o supercomputador mais rápido do mundo, o Frontier, que foi o primeiro a chegar à exaescala.
Christian Plessl, cientista da Universidade de Paderborn, conta que “a indústria da computação olha para estes números como forma de medir progresso, como um objetivo muito ambicioso: voar até à Lua. A parte do hardware é apenas um aspeto. O outro é, como fazer bom uso destas máquinas?”.
Plessl faz parte de equipas de investigadores que estão a correr simulações a nível atómico para perceber melhor o vírus do HIV e proteínas associadas ao SARS-CoV2, o vírus que provoca o Covid-19. O JUPITER apresenta o potencial para executar tarefas ainda mais complexas do que estas e que são mais exigentes em termos de hardware, como as das dinâmicas de fluídos a grande escala, simulações planetárias e que incluam modelos climatéricos, por exemplo.
Este supercomputador vai precisar de 15 megawatts de energia durante a operação, o que vem acelerar a necessidade de se obter e aprimorar fontes de energia limpas, bem como economicamente mais acessíveis, para que a comunidade científica possa continuar a operar e investigar, de forma a melhorar o planeta.