A sonda Tianwen-2 foi lançada para o espaço com sucesso ontem. A agência espacial chinesa CASC confirmou o sucesso uma hora após o lançamento e explica que “os painéis solares foram desfraldados com sucesso”, com a sonda a colocar-se a caminho do asteroide 469219 Kamo’oalewa (2016 HO3). Depois da aproximação, recolha de amostras e o envio para a Terra, a sonda vai colocar-se na direção do cometa 311P/PANSTARRS, com chegada prevista para 2035.
A chegada ao asteroide deve acontecer em meados de 2026 e o envio das amostras recolhidas para a Terra deve ocorrer em 2027. Este cometa foi descoberto em 2016, mede 40 a 100 metros de diâmetro e acredita-se que se trata de um fragmento da Lua. A análise próxima da estrutura e do conteúdo mineral deve permitir confirmar ou desmentir esta hipótese.
A missão vai depois utilizar a gravidade da Terra para se posicionar em direção do cometa 311P, que orbita entre Marte e Júpiter, com um comportamento semelhante a um asteroide, tornando-se ideal para estudar objetos transitivos no sistema solar, explica o InTeresting Engineering.
Franco Perez-Lissi, engenheiro da Agência Espacial Europeia, conta que as missões em torno de pequenos corpos celestes são particularmente difíceis: “estes corpos têm campos gravitacionais extremamente fracos e irregulares. Por isso não podemos confiar em órbitas tradicionais, como fazemos em torno de planetas”. A missão espacial terá de replicar de forma bastante próxima a rotação e velocidade do asteroide para conseguir então recolher amostras com sucesso. O especialista detalha que a manobra necessária é semelhante a tentar “ancorar um barco a uma montanha a flutuar no espaço e a girar de forma imprevisível, quase sem gravidade”.
A bordo da Tianwen-2 vão 11 cargas científicas, incluindo aparelhos como espectrómetros, câmaras de elevada resolução, radares e detetores de partículas, destinados a estudar a composição, características geológicas, campos magnéticos e interações com ventos solares do asteroide e do cometa.
Esta missão faz parte de planos ambiciosos da China para enviar sondas para recolha de amostras em Marte e explorar Júpiter, bem como construir uma estação espacial na Lua.