Até agora, todos os buracos negros conhecidos foram detetados pelas suas interações com uma estrela companheira, cuja luz é distorcida ou influenciada pela presença daquele. Agora, uma equipa (re)confirma a descoberta avançada há já alguns uns anos, e que foi desafiada por outros investigadores, de um buraco negro a pairar isolado na constelação Sagitário.
A descoberta original só foi possível porque o buraco negro passou brevemente em frente a uma estrela distante, não relacionada, resultando num evento que aumentou a luz de fundo da estrela, revelando a presença do buraco.
A equipa observou o buraco pela primeira vez com recurso a dados recolhidos pelo Telescópio Hubble entre 2011 e 2017. Agora, os investigadores juntaram dados do Hubble de 2021 e 2022 a leituras feitas pela sonda Gaia e confirmam que o objeto tem sete vezes a massa do Sol e é demasiado pesado para ser uma estrela de neutrões, como tinha sido proposto pela equipa que desafiou as primeiras conclusões. “A análise da curvatura de luz e da astrometria levou o nosso grupo (e outros grupos independentes depois) a concluir que é um buraco negro isolado de massas de estrelas – o primeiro e único buraco desambiguo descoberto até agora”, cita o Interesting Engineering.
Também o grupo que desafiou as primeiras conclusões publicou, em 2023, uma revisão e concluiu que o objeto era, na verdade, um buraco negro. Nessa altura, estimaram que o buraco tinha seis vezes a massa do Sol.
A confirmação de que é possível buracos negros existirem separados de estrelas valida anos de observações e debates e abre a porta a descoberta de outros objetos semelhantes.
Leia o novo estudo completo publicado no The Astrophysical Journal.