Fascinado e temeroso sobre a atuação dos serviços de informações em Portugal, o juiz de instrução Carlos Alexandre mostrou muitas vezes, e ao longo dos anos, que suspeitava de que seria seguido e até escutado ao telefone. No Tribunal dos Poderosos conseguiu que lhe mudassem várias vezes o número de telefone do gabinete e chegou a divulgar que ia para Mação em certos fins de semana e, de surpresa, deslocava-se para o Alentejo e vice-versa. Durante algum tempo, também mudou com frequência de telemóvel e de número. Numa ocasião, em 2009, durante a investigação do caso Freeport, que ameaçou envolver José Sócrates e vários familiares no conturbado processo de licenciamento daquele outlet localizado em Alcochete, o juiz chegou mesmo a gravar no telemóvel uma mensagem no voice mail que causou muita estranheza quando ouvida por quem lhe ligava: “Por este telemóvel se encontrar sob vigilância eletrónica, entenda-se escuta, não se mostra confiável estabelecer qualquer contacto por esta via. Obrigado pela compreensão do facto a que deu causa.”
