José Luís Carneiro mal tinha aterrado de Bruxelas, vindo da reunião com o grupo dos Socialistas e Sociais-Democratas (S&D), e já tinha um fogo para apagar em Sintra. A crise era entre a candidata Ana Mendes Godinho e a concelhia local que, ao que VISÃO apurou, não ficou contente com o acordo firmado com o Livre, que prevê dar o quinto lugar na lista à Câmara ao partido de Rui Tavares e dois lugares elegíveis na Assembleia Municipal.
Ana Mendes Godinho terá mesmo chegado a ameaçar que não seria candidata se não pudesse escolher livremente as suas listas. Uma fonte socialista explica à VISÃO que a candidata, escolhida ainda no tempo de Pedro Nuno Santos, acredita que somar os cerca de 12 mil votos que o Livre terá no concelho é essencial, se não para ganhar, pelo menos para evitar ficar atrás do Chega, que tem a muito popular Rita Matias como candidata.
Contactada pela VISÃO, Ana Mendes Godinho não quis fazer qualquer comentário, mas está já marcada uma reunião na Federação da Área Urbana de Lisboa do PS para tratar a questão.
A solução deverá passar por a direção do PS avocar o processo autárquico em Sintra, permitindo assim a Ana Mendes Godinho passar por cima da concelhia. O processo pode, porém, abrir feridas entre a estrutura local e a candidata.
Uma batalha difícil para o PS
A eleição em Sintra, onde Basílio Horta (eleito pelo PS) cumpre o seu último mandato não deve ser fácil para os socialistas. Marco Almeida – que aparece bem colocado para ganhar nas sondagens internas do PSD – conseguiu fechar um acordo com a IL que, se olharmos para o resultado das últimas legislativas, poderá em tese somar mais cerca de 13 mil votos aos sociais-democratas.
Marco Almeida tinha entrado em rota de colisão com o PSD, depois de Pedro Passos Coelho ter escolhido Pedro Pinto como candidato. É que Almeida era o número dois do então presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, e era visto como o sucessor natural do autarca que saiu do lugar para concorrer por Lisboa, sofrendo uma pesada derrota.
Nessa altura, o PSD também perdeu Sintra e o PS ficou com aquela que é uma das maiores câmaras do País, graças a Basílio Horta, mas também a Marco Almeida, que dividiu o eleitorado, com uma candidatura independente que ficou empatada em número de vereadores com os socialistas, mas que teve menos votos, permitindo a Basílio fazer um acordo de governação com a CDU que lhe deu a maioria para governar no primeiro mandato.
Desta vez, Marco Almeida é o candidato laranja e leva Fernando Seara como cabeça de lista à Assembleia Municipal.
Chega foi a força mais votada nas legislativas
Acresce a este cenário o facto de ser Rita Matias a candidata do Chega. Muito popular nas redes sociais e entre os mais jovens, a deputada é uma aposta forte de André Ventura, que pode baralhar as contas.
Recorde-se que o Chega foi o partido mais votado no concelho de Sintra nas legislativas de 18 de maio, com 52 868 votos, correspondentes a 26,07% da votação, acima dos 24,78% alcançados pela AD de Luís Montenegro. O PS ficou-se pelos 23,81%, sendo a terceira força mais votada.