Defende o fim dos contratos de associação com os colégios privados. Quer também terminar com as parecerias público privadas na saúde. Não aceita o aumento do IVA. Exige a mexidas nos escalões do IRS. E aceita geringonçazinhas para concorrer às autárquicas.
Em entrevista ao Diário de Notícias (5ª feira, 12), Catarina Martins, 42 anos, porta-voz do Bloco de Esquerda, explicou o que significa “esticar a corda”, expressão que usou durante as jornadas parlamentares para definir o papel do seu partido na maioria de esquerda que sustenta o governo.
Para a deputada, uma forma de garantir a recuperação de rendimentos é diminuir as rendas pagas ao setor privado. Além de defender o fim dos contratos de associação com os colégios privados – que alimentam mais uma polémica no setor da educação –, Catarina Martins pretende também que se atue nas parecerias público privadas na área da saúde e na excessiva contratualização de meios de diagnóstico complementares com privados. “Quem fala dessa, fala de outras, temos um número de rendas na energia brutal e que está a tirar capacidade ao país de fazer investimento”, defende na entrevista aos jornalistas Octávio Oliveira e Sílvia Freches.
Outras fronteiras da líder do Bloco de Esquerda já eram conhecidas e já estão negociadas com o governo: o aumento do salário mínimo e o fim da sobretaxa para quem ainda a paga. Mas o caderno de encargos para o Orçamento de 2017 vai mais longe: mexer nos escalões do IRS (que o anterior governo diminuiu e que o atual prometeu tornar mais progressivos) e reativar as progressões no setor público fazem parte das exigências da bloquista.
Catarina Martins defende ainda uma renegociação da dívida conduzida pelo governo português. “Não há ninguém em Portugal que seriamente diga que a dívida pública é sustentável e não tem de ser reestruturada”. E entende que o euro “não serve [a] economia mas a destrói”, embora não seja claro se defende uma eventual saída do país da moeda única.