Quando nadamos entre os pólipos coloridos e ondulantes de um recife de coral com 20 milhões de anos é o passado que vemos, mas é no futuro que pensamos. Até quando continuará por aqui o maior organismo do planeta? Outros 20 milhões de anos? 20 mil? Vinte? É certo que os corais que rodeiam a pequena Ilha de Lady Elliot, a 80 quilómetros da costa do estado de Queensland, no nordeste australiano, aparentam farta vitalidade: minúsculos mas vistosos peixes serpenteiam lado a lado com grandes tartarugas marinhas e gigantescas mantas, que flutuam com elegância perto da superfície; rente ao fundo, tubarões-de-ponta-branca com metro e meio de comprimento varrem com o ventre as areias que intercalam os corais. Mas este paraíso subaquático não reflete o real estado da Grande Barreira de Coral, que tem sido dizimada nas últimas décadas. Em 27 anos (entre 1985 e 2012), desapareceu metade da cobertura de corais, sobretudo na zona sul. Com o sumiço deste ecossistema, englobado numa área protegida quase quatro vezes maior que Portugal, esfumam-se os animais que nele, e dele, vivem. A preocupação não é de somenos – o recife e as suas 900 ilhas são casa ou local de procriação para 1600 espécies de peixes (10% de todas as espécies do mundo), seis das sete espécies de tartarugas marinhas, 3 mil moluscos, 215 espécies de aves e 30 de baleias e golfinhos.
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