Ao fim de uma semana sobre a tempestade Kristin, o Governo que ignorou a Estratégia Nacional de Proteção Civil Preventiva, tal como fizera antes dos incêndios do ano passado, e que se atrasou na resposta à tragédia que só arrastado qualificou como calamidade, continua mais interessado em salvar a pele através da gestão política do que em ter uma estratégia sustentada de resposta que dê confiança aos portugueses.

A capacidade científica de antecipar fenómenos extremos é hoje bastante superior à existente nos tempos da “outra senhora”, antes dos 50 anos de democracia que André Ventura abomina e que cabe aos portugueses defender com a sua opção no próximo domingo.

Não é verdade que a depressão Kristin, na sequência de uma cadeia de vários fenómenos provenientes do Atlântico num período curto devido à retração do anticiclone dos Açores para uma posição mais a sul, tenha sido um fenómeno único no último século.

O ciclone de fevereiro de 1941 provocou mais de uma centena de mortes e destruição maciça, quer devido a ventos de 165 Km/h quer por causa das inundações que provocaram afogamentos de pessoas surpreendidas, e não avisadas pela inexistente estrutura de prevenção de riscos, sobretudo na zona de Lisboa, em Alhandra, Alhos Vedros ou Sesimbra.

As cheias de 1967 na região de Lisboa, novamente com efeitos alavancados pela falta de informação, pela falta de ordenamento do território e pela ausência de estrutura de proteção civil, terão provocada mais de 700 mortes que a ditadura tentou esconder e desvalorizar.

Mas o fenómeno Kristin é comparável ao Leslie de outubro de 2018, o único furacão que atingiu Portugal continental como depressão tropical nas últimas décadas, afetando igualmente a região centro litoral, com grande impacto em Soure, Marinha Grande, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.

Nessa altura, o vento atingiu a intensidade de 176 km/h, semelhante à maior rajada de 178 km/h registada a semana passada em Monte Real, mas a diferença é que a situação de alerta em 2018 foi declarada antes da chegada da tempestade, o local de entrada em terra foi monitorizado com informação permanente às populações, os geradores da proteção civil já estavam a caminho e os autarcas sem eletricidade nem comunicações privadas receberam rádios SIRESP que funcionaram.

Desta vez a calamidade só foi oficial mais de 24 horas depois da tormenta, o MAI não existiu na liderança da resposta e a proteção civil não fez comunicação permanente para as populações, não mobilizou a intervenção logística das Forças Armadas nem acionou antecipadamente o satélite Copérnico nem qualquer outro mecanismo de apoio europeu.

Nunca se viu a central de comando da ANEPC em Carnaxide, mas tivemos imagens do estúdio de propaganda de Leitão Amaro que, entretanto, provavelmente por prudente vergonha, foi retirado para o bunker da invisibilidade que partilha agora com Lúcia Amaral e Ana Paula Martins.

Depois do passo em falso do ministro da propaganda, o terreno foi deixado, para além dos secretários de Estado sapadores, para os ministros políticos como Castro Almeida e Pinto Luz e para a referência de bom senso humanista que é Graça Carvalho.

As medidas de apoio à recuperação dos danos, anunciadas na primeira declaração formal de Luís Montenegro, mais de 96 horas depois de a tempestade passar, são essencialmente, em 3/5 do valor anunciado, linhas de crédito para endividamento das empresas, algumas moratórias recomendadas por bom senso e propostas por António José Seguro e uma compreensível aplicação do regime simplificado de lay-off, testado durante a pandemia.

Já os 10 mil euros para recuperação de habitações permanentes parecem desconhecer realidades que podem variar muito, desde algumas telhas partidas até à completa destruição de habitações a exigir reconstrução total. Esperemos que cheguem rapidamente aos necessitados e que Paulo Fernandes seja agora tão eficaz como Ana Abrunhosa foi na recuperação das zonas afetadas pelos incêndios de 2017.

Castro Almeida surge como o homem da mala dos subsídios, repetindo o modelo de caixeiro-viajante das boas novas que ensaiou depois dos incêndios de 2024 e de 2025. Os seus resultados no Governo, ao desperdiçar os fundos do PRR para a floresta, a habitação, os cuidados continuados ou os lares, que foram substituídos por um baú de crédito a distribuir pelo Banco de Fomento, levantam as maiores reservas, mas o teste decisivo será o da capacidade de efetiva recuperação das empresas, das infraestruturas e das habitações das zonas atingidas.

Pinto Luz, que foi ao local dizer que o Estado falhou, não foi nada claro a esclarecer por que razão, tal como no apagão, as operadoras de telecomunicações (quatro grupos de grande dimensão) falharam tão clamorosamente e ao fim de uma semana o serviço continua interrompido em tantas localidades da região Centro.

Graça Carvalho mostrou mais uma vez ser uma exceção num Governo de soberba e incompetência. Mostrou empatia ao ir a Alcácer do Sal quando a cidade tinha sido ignorada na declaração inicial do Estado de Calamidade, foi ponderada na declaração do que era necessário fazer e nos riscos dos próximos dias e tem sido a responsável política pela gestão prudente das descargas das barragens, que têm limitado os danos nas bacias do Mondego, do Tejo e do Guadiana. Só não conseguiu explicar, apesar de ter razão na defesa de que a alta tensão tem de circular em cabos enterrados, como é possível que as monopolistas privadas REN e E-Redes deixem, ao fim de uma semana, mais de 120 mil clientes sem energia.

A responsabilidade final é do primeiro-ministro, até pela culpa reincidente nas escolhas para o MAI, mas pelas unhas roídas no filminho promocional, fingindo nervosismo ao gerir o que não soube prevenir nem proteger, o prémio Laranja Amarga da depressão Kristin vai para o ministro da propaganda Leitão Amaro.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

“Com base neste quadro meteorológico, o País foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível”, afirmou Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Face à situação meteorológica muito complexa que está prevista, o comandante nacional apelou às populações que tenham em atenção os fenómenos meteorológicos, como chuva e vento forte, agitação marítima com ondas que podem atingir os 11 metros, queda de neve e possibilidade de inundações.

A depressão Kristin não foi apenas mais um episódio de meteorologia extrema. Foi um teste à capacidade do Estado português para antecipar, coordenar e liderar em situação de crise. E, mais uma vez, o resultado foi preocupante.

Quando os efeitos do mau tempo já eram evidentes no terreno — populações isoladas, estradas destruídas, prejuízos significativos — a resposta do Governo surgiu tarde e a reboque dos acontecimentos. Não houve sinal de antecipação estratégica, apenas uma sucessão de reações avulsas, muitas vezes desencadeadas pela pressão mediática.

Situações de crise não nos são completamente estranhas. A tal aprendizagem a que a ministra da Administração Interna não se cansou de aludir podia e deveria ter sido feita por observação do que se passou noutros países aqui ao lado.

Em Espanha, por exemplo, episódios recentes de tempestades severas e cheias em regiões como Valência, Andaluzia ou Catalunha levaram à ativação imediata de planos de emergência multinível, com comunicação coordenada entre governo central, comunidades autónomas e municípios, mobilização precoce das forças armadas (UME) e mensagens claras à população desde as primeiras horas.

Em Portugal, porém, a liderança política demorou a surgir — e, quando surgiu, foi fragmentada.

A ausência política da Ministra da Administração Interna foi particularmente notória. Num contexto em que a Proteção Civil exige liderança visível, comunicação clara e coordenação institucional, o silêncio não foi neutro: foi um fator de agravamento da crise. A incapacidade de comunicar de forma regular, empática e orientadora deixou um vazio que o Estado não pode permitir-se em situações de emergência.

Poderia ter aprendido com o exemplo da França, durante tempestades como Alex ou Ciarán, onde a presença constante do ministro do Interior, com briefings regulares e informação atualizada, foi central para manter a confiança pública, mesmo perante danos elevados. A comunicação não evitou a destruição, mas evitou o caos político e o pânico generalizado bem como a sensação de abandono.

A passagem da Kristin voltou a expor a fragilidade crónica da comunicação de crise em Portugal, já observada aquando do apagão. Também aí não existiu uma mensagem central, nem orientações consistentes, nem uma narrativa que enquadrasse o risco e explicasse a resposta pública. Comunicar em crise não é apenas informar — é governar. Quando essa função falha, a perceção de desorganização instala-se rapidamente.

A prevenção é anestesiada por posicionamentos de “isto não há-de ser nada”, “depois logo se vê” e “a malta desenrasca” que continuam a moldar a ação política bloqueando o planeamento. Enquanto outros países investem em prevenção estruturada, Portugal insiste no improviso como virtude nacional e alimenta a ideia perigosa de que a resiliência popular compensa a ausência do Estado. Todos somos Ronaldo — até ao momento em que o improviso falha e os Ronaldos se lesionam.

Também o envolvimento tardio das Forças Armadas levanta questões sérias. Em países como a Grécia, habituada a incêndios e cheias, os militares são mobilizados de forma quase automática nas primeiras fases da resposta, assegurando logística, engenharia e apoio às populações.

É do conhecimento generalizado que os militares dispõem de meios logísticos, de engenharia e de apoio no terreno, fundamentais em situações de calamidade e a sua mobilização deveria fazer parte dos primeiros momentos da resposta e não surgir quando a crise já está instalada. A demora na sua mobilização bem como a forma como foi comunicada, reforçou a perceção de descoordenação e de falta de um comando político claro.

Outro sinal dessa desarticulação foi a confusão pública em torno do eventual pedido de apoios à União Europeia. Num curto espaço de tempo, surgiram informações contraditórias sobre se Portugal teria ou não, acionado mecanismos europeus de apoio.

Esta oscilação comunicacional descredibilizou e transmitiu incerteza, tudo apontado para a ideia de improviso interno.

Igualmente sintomático foi o facto de o Governo definir apoios às populações de forma reativa, muitas vezes após propostas surgidas de cidadãos, autarquias ou comentários nas redes sociais. A solidariedade não pode depender da pressão pública.

Um Estado preparado tem instrumentos automáticos de resposta, critérios claros e mecanismos previamente definidos para situações de calamidade. Poderíamos ter feito as tais aprendizagens com vários países europeus, onde os apoios em situação de calamidade são automáticos, regulamentados e previsíveis, precisamente para evitar arbitrariedade e desigualdade na resposta.

Neste contexto, importa também discutir o papel que as grandes empresas de construção civil podem e devem desempenhar. Não para substituir o Estado, mas para integrar uma resposta coordenada. Empresas como por exemplo a Mota Engil e outras de semelhante dimensão, detêm meios técnicos e humanos capazes de intervir rapidamente na estabilização de infraestruturas, na reabertura de acessos e na reconstrução. A ausência de protocolos prévios com estas empresas, revela mais uma lacuna no planeamento nacional de emergência.

Num mundo e num país cada vez mais expostos a fenómenos extremos, persistir na cultura do improviso, da comunicação tardia e da descoordenação política é um risco que se paga caro.

Os fenómenos naturais não escolhem governos. Mas a forma como se responde a eles é, sempre, uma escolha política.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Milhares de pinheiros foram partidos ao meio pela força do vento num pano de fundo cinzento marcado pela ameaça de novas chuvas. Dezenas de casas com lonas a tapar partes do telhado que voara. Filas de famílias com crianças à chuva esperando a sua vez para encher os garrafões de água nas fontes. Uma azáfama nos centros de distribuição. Cansaço e olheiras nos rostos de quem, há dias, está a tentar gerir a situação, muitas vezes sem dormir. É um cenário de guerra confirmado. 

Na localidade de Marrazes, a poucos minutos de Leiria, o ambiente na Junta de Freguesia é frenético. As funcionárias, muitas delas filhas da terra, sabem que não há tempo a perder: todos os minutos contam para preparar a próxima chuvada que aí vêm e tentar que as necessidades mais básicas da população sejam supridas. Nessa manhã, deram o pavilhão desportivo da localidade como perdido para as chuvas. Havia demasiada água e demasiado telhado tinha voado com a tempestade. Mesmo que lá passássemos o dia inteiro a vazar a água, seria em quase em vão. Prontamente, mandaram-nos ir bater porta-a-porta para recolher as necessidades das casa da aldeia: Há luz? Há água a entrar em casa? Tem comida? A realidade é brutal. Filhos que cuidam dos pais idosos que têm de lhes dar banho de bacia com água fria, famílias tentam arranjar os telhados para impedir que ainda mais água caia sob as suas cozinhas, salas e quartos. Eletricidade? Só intermitente. Uma senhora contou-me que a mãe dela, já idosa e acamada por estar doente, morreu no dia seguinte à tempestade.

Na Marinha Grande, dezenas de voluntários vindos de todo o País arregaçam as mangas para trabalhar nas limpezas que precisam de ser feitas. Em apenas algumas horas e à chuva e vento, uma escola secundária cujo edifício lateral estava danificado pela queda de enormes pinheiros foi limpa por dezenas de pessoas comuns organizadas entre si, mobilizadas até à cidade para apoiar os trabalhos. A crise climática também é isto: centenas de alunos com as escolas fechadas, interrompendo a sua educação, devido às bombas climáticas que caem sob o território. Após os trabalhos estarem concluídos, conta-nos uma senhora já com alguma idade, em lágrimas, que aquilo que restava dos incêndios foi levado. 

A tempestade Kristin não foi um desastre natural, foi uma bomba acionada pela ganância daqueles que criaram e alimentam a crise climática. E não foi um fenómeno isolado, veio integrada num “comboio de tempestades” – Ingrid, Joseph, e Kristin. Agora, vem aí ainda outra. Em março passado, a depressão Martinho provocou mais de 8000 ocorrências e vários danos materiais. Em novembro, a depressão Cláudia matou três pessoas e várias ficaram desalojadas. A ciência é uníssona ao afirmar que a crise climática está a tornar estas tempestades não só cada vez mais frequentes, como cada vez mais intensas. Fogos devastadores em agosto, ciclones-bomba em janeiro: este é o novo normal da crise climática em Portugal. A indústria fóssil e os governos já sabiam há décadas que a queima de combustíveis fósseis iria provocar a alteração extrema das condições climáticas, mas continuaram. Como se viu e como foi corroborado por vários especialistas, a resposta do Governo à catástrofe veio tardia e os planos são simbólicos ou inexistentes. Se prevenir é o melhor remédio, então a primeira coisa a fazer, enquanto se garantem todos os apoios necessários às famílias afetadas e em situação de vulnerabilidade, é mesmo o passo mais essencial para fechar a torneira ao colapso climático: acabar com os combustíveis fósseis no País até ao final desta década, 2030. 

Vivemos num novo normal. E temos uma escolha a fazer: continuar com este sistema económico absurdo em que o lucro é quem mais ordena e explorar combustíveis fósseis mesmo estando a provocar a destruição das nossas vidas, ou ter a coragem de puxar o travão de mão para evitar o colapso. O capitalismo, com a sua sede de combustíveis fósseis, é culpado pelas mortes diretas e indiretas destas tempestades. Ou fechamos a torneira já e prevenimos o pior, reconstruindo um sistema económico mais justo e onde ninguém é deixado para trás; ou continuamos com o business as usual e assinamos uma sentença de morte e destruição para esta e futuras gerações. A segunda opção é aquela que, de forma inequívoca, os governos e as empresas fósseis já demonstraram querer. Cabe a nós, pessoas comuns, afetadas ou não pela Kristin mas com a certezas de que os fogos, as cheias, o calor e outras bombas irão bater à nossa porta, apoiarmo-nos mutuamente nestes tempos de abandono e, ao mesmo tempo, lutarmos lado a lado. A única forma de prevenção eficaz para o que está a acontecer e pode piorar é acabar com o sistema fóssil, com as explorações de petróleo da Galp, com as emissões de luxo dos jatos privados, com primazia dos carros sob os transportes públicos gratuitos e eletrificados, com a noção de energia como mercadoria e não como bem essencial para todos. 

A crise climática é uma guerra declarada por governos e empresas fósseis à sociedade e ao planeta. Cada incêndio, cada cheia, cada ciclone só torna esta realidade mais clara. A crise climática não é o cenário apocalíptico Hollywoodesco em que, quase do dia para a noite, o fim do mundo aproxima-se, caem meteoros e todos morremos. É, pelo contrário, aquilo a que estamos a assistir agora em Portugal – as bombas caem sob a forma de cheias, secas e incêndios, vivem-se situações de aflição e morte, falham as infraestruturas públicas, degradam-se os serviços públicos, sofrem os mais vulneráveis (como os idosos dos lares evacuados na Kristin, os doentes do Hospital de Leiria que ficarão em stand-by, as famílias despejadas no bairro da Arroja em Odivelas em plena tempestade, etc). Meses depois, repete-se de novo. Nós somos o alvo. Ainda não é tarde para mudar o rumo desta história. Organizemo-nos contra o estado de calamidade que é o capitalismo.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

A intempérie que se abateu sobre o País destruiu tudo à sua passagem. Sabia-se que ia ser grave. Ninguém se atreveu a anunciar a sua dimensão. A tempestade Kristin mostrou-se com tal violência, intensidade e de tal forma que será invocada por muito tempo.

A noite de 27 para 28 de janeiro tem sido o marco para uma discussão onde se procura encontrar culpados. Mas como o vento não pode ser criticado busca-se quem está à mão, o Governo.

Porque o Governo não avisou. Apenas a Proteção Civil, que andou por serviços noticiosos durante quase uma semana. Porque o aviso emitido não era suficientemente agressivo e adequado à agressividade da tormenta. Porque o estado de prontidão de dia 27 não era assaz poderoso para o poder demonstrado pela ventania desenfreada e a chuva que a acompanhava. Porque apenas se esperavam ventos que podiam ser dos 140 a 160 km/h e não os 200 km a que se chegou. A tal “ciclogénese explosiva” que, afinal, ainda ninguém sabe o significado de tal palavrão. Exceto as pessoas que a sofreram.

Milhares sem eletricidade e água. Habitações destruídas, telhados que voaram de casas, fábricas e armazéns. Vidas levadas, feridos em consequência de todos os momentos dramáticos vividos, animais em risco. Infraestruturas de comunicação e de eletricidade enroladas em ferro, ramos, troncos de arvore. Cenário não recriável.

No depois, porque não se foi dramático bastante no famigerado dia 28. É verdade que houve membros do Governo no terreno. Mas eram apenas secretários de Estado. O vento podia ficar ofendido. O primeiro-ministro, que falou de imediato sobre o tema na manhã da tempestade, não foi enfático na desgraça que houve e na identificação do medo que deveria ter havido.

Contudo, neste tempo, a Proteção Civil estava, onde devia estar, junto das populações. Agentes da Proteção Civil, bombeiros, forças de segurança. Autarcas na sua missão de estar junto das suas gentes, sempre. Alguns agitando, outros preocupados em agir.

As pessoas atingidas viveram e vivem momentos agitados. A natural ansiedade do desconhecido, da luta contra um inimigo que dizimou sonhos e partiu apressado. Esperam agora respostas do Governo. É o Estado que está em julgamento. A forma como ir ao encontro das necessidades das pessoas é a chave para manter a própria democracia dentro dos seus parâmetros.

Conscientemente dizemos que é a democracia que está em equação. Na estrita medida que são situações desta estirpe um palco para crescerem populismos, demagogias, promessas e ilusões. Perante a ansiedade das pessoas, num retorno rápido à normalidade possível. Escolas que reabrem, comunicações que se restabelecem, fornecimento de água e luz a todos, habitações que se reerguem na medida do possível. O tempo levará a uma situação onde os efeitos mais dolorosos se ultrapassam.

Mas a ansiedade dos primeiros dias vai permanecer se o Estado não providenciar as respostas sem burocracia injustificada, com pressa em resolver, atender e proporcionar esse regresso a uma normalidade desejada.

As medidas estão anunciadas de socorro imediato, de apoio económico e social, num envolvimento de setores múltiplos. Segurança Social, proteção do emprego e do rendimento no desanuviamento de preocupações diretas com bancos e seguradoras, na reconstrução. Apoios que precisam chegar a todos os que foram vítimas dos infelizes acontecimentos.

As ansiedades não se mostram apenas nas pessoas que sofrem. Há ansiedades de aproveitamento político, de demonstração de oportunismo, de demagogia. O tempo é de ação e de demonstração efetiva de ajuda. Ninguém compreenderá que o que foi anunciado não sirva esse propósito.

O exemplo dado por voluntários no terreno, ofertas de bens – comida, mas também de produtos para a primeira intervenção – ilustra bem a humanidade e a solidariedade que o povo português sempre se caracterizou.

Mas a melhor solidariedade é a que resultará da presença do Estado, próximo, efetivo e eficaz. Não é tempo da análise. É tempo da intervenção. O Estado não pode falhar. Pelas fissuras da falha entrará o veneno da fatalidade. As ansiedades apenas serão vencidas, se o tempo as contrariar do modo como as pessoas esperam. Com resultados concretos e sem desculpas. A falha é injustificável.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Em Portugal há milhares de homens e mulheres que continuam a ser vistos como “voluntários”, mas que na realidade trabalham como profissionais. Falo dos dirigentes desportivos.

Lideram clubes desportivos locais sem qualquer remuneração ou privilégio, assumindo responsabilidades enormes e uma exigência diária que poucos imaginam.

São eles que garantem que o clube abre portas todos os dias. Que há treinos. Que a água quente não falta. Que as inscrições dos atletas estão tratadas, os seguros ativos e a documentação em dia. Reúnem com pais, autarquias, forças policiais, federações e associações. Organizam eventos, angariam patrocinadores e garantem que o material de treino existe.

Em algumas modalidades, chegam mesmo a substituir-se às forças de segurança, assumindo funções de PCS — Ponto de contacto com a segurança.

A vida do clube depende desta dedicação silenciosa, feita longe dos aplausos e fora das câmaras.

Fazem-no por uma razão simples: porque acreditam no clube, no desporto e no papel que este tem na vida das crianças e dos jovens.

O dirigente associativo é um verdadeiro embaixador do desporto. Está onde o desporto realmente acontece — no pavilhão, no campo do bairro, na pista, no ginásio. É nos clubes chamados “amadores” que se formam valores, se promove inclusão e se criam oportunidades reais para milhares de jovens.

E convém dizê-lo com clareza: sem clubes amadores, não há atletas de elite. Neemias Queta começou no FC Barreirense. Cristiano Ronaldo no CF Andorinha de Santo António, na Madeira. Ricardinho no Gramidense Infante. O topo nasce quase sempre na base.

O desporto de base não vive apenas do talento dos atletas ou do trabalho dos treinadores. Vive, sobretudo, destas pessoas que carregam os clubes às costas.

Mas este trabalho tem um custo. Quem dirige um clube sabe o que é sair do emprego e ir diretamente para o treino ou para uma reunião. Sabe o que é abdicar de tempo em família, do descanso e da vida pessoal para garantir que tudo funciona ao fim de semana e durante a semana. Muitas vezes, é uma missão sustentada pela resistência de quem já está no limite.

E esta missão tornou-se cada vez mais pesada. Hoje, ser dirigente não é apenas “ajudar”. É cumprir certificações, processos burocráticos, regras de segurança, responsabilidades legais e exigências crescentes na área da saúde.

O dirigente desportivo é gestor, coordenador, mediador, relações-públicas e, muitas vezes, tudo ao mesmo tempo — quase sempre com poucos recursos e pouco apoio.

Há anos que se fala na criação de um verdadeiro Estatuto do Dirigente Desportivo, capaz de reconhecer, valorizar e proteger estas funções. Mas continua por concretizar. Exige-se cada vez mais dos clubes e dos seus dirigentes, sem lhes dar condições compatíveis. Pede-se responsabilidade profissional sem enquadramento profissional.

Um estatuto sério não significaria apenas privilégios, mas o mínimo: reconhecimento, proteção, acesso à formação e condições para conciliar vida profissional, familiar e associativa.

Enquanto isso não acontece, há outro reconhecimento que também importa reforçar. É fundamental que também as famílias compreendam que a base do desporto assenta numa comunidade. Respeitar dirigentes, equipas técnicas e voluntários não é um detalhe: é uma condição essencial para manter um clube vivo. Infelizmente, apenas uma minoria dos pais participa, compreende e ajuda. Mas existe ainda uma maioria que apenas aparece para exigir e criticar, como se o clube fosse um serviço comercial. Convém lembrar: o clube é uma comunidade, e o dirigente não é um funcionário. É alguém que escolheu servir.

É tempo de o País olhar para esta realidade com seriedade.

Porque se continuamos a exigir tudo a quem tudo dá, sem reconhecer, sem proteger e sem apoiar, um dia teremos campos, pavilhões e equipamentos… mas já não teremos quem faça o desporto acontecer.

E quando isso acontecer, já será tarde de mais.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Há uma janela discreta que a televisão abre, todos os dias, para o mundo: o boletim meteorológico. Não lhe damos grandes honras, talvez por hábito, talvez por desatenção, mas essa pequena rubrica — tantas vezes reduzida a centímetros, apressada, improvisada, ferida pela simplicidade enganadora de uma aplicação de telemóvel mostrada em direto — podia ser um dos momentos mais nobres do serviço público. Podia, e deve, voltar a ser aquilo que em tempos já foi: um espaço de conhecimento, de orientação, de clareza, de cidadania.

Quando as tempestades apertam, quando o País enfrenta cheias, ventos fortes, fenómenos extremos, a meteorologia deixa de ser uma trivialidade e passa a ser um instrumento de proteção civil. É, por isso, perturbador vê-la tratada com leviandade. Rui Tavares Guedes, diretor da VISÃO, apontou com justeza essa erosão da informação meteorológica: a ficção de “direto permanente” que esconde a ausência de análise. E se a crítica é certeira, mais certeiro ainda é perceber que perdemos uma oportunidade pedagógica diária, desperdiçada pela televisão portuguesa.

Os franceses, por exemplo, não desistiram de ensinar. Há um canal que se destaca acima de todos, pela ambição geográfica, visual e pedagógica: a TV5Monde, talvez o mais extraordinário serviço meteorológico televisivo do mundo francófono. O seu boletim é internacional, plural, global; não se limita à Europa ou ao país de origem — percorre o planeta, zona a zona, hemisfério a hemisfério. Apresenta meteorologia da Europa, da Ásia, da Oceania, de África, da América do Norte e do Sul, num desfile que convida qualquer telespectador a situar-se no mundo real, não no mapa reduzido ao quintal nacional, umbilical.

Isto não é detalhe: é cultura. É educação geográfica pura.

E é, acima de tudo, uma dádiva para crianças e adolescentes. Há milhares que, antes do jantar ou durante o pequeno-almoço, param diante da televisão sem intenção de aprender — e, no entanto, poderiam ali descobrir o planeta: onde fica a Nova Caledóniacomo respira a cordilheira dos Andesqual a distância entre Helsínquia e Tóquioque mar rodeia o Sri Lankaonde neva no interior da Austrália.

A TV5Monde, ao mostrar sistematicamente a meteorologia do mundo inteiro, com uma clareza gráfica exemplar e uma organização por continentes, transforma o boletim num atlas vivo, num globo em movimento que educa sem esforço. Não é coincidência que o próprio canal ofereça conteúdos pedagógicos que usam estes boletins para ensinar línguas, geografia e leitura cartográfica. 

É esta a fasquia que deveríamos ambicionar. Imaginemos, então, o boletim meteorológico português como a última aula do dia, iluminada pelo modelo da TV5Monde e pelo rigor da geografia crítica.

Primeiramente, o mundo entra inteiro. O globo roda devagar, a mostrar Portugal e ilhas da Madeira e Açores, como ponto vivo num planeta em movimento. Sobre o Atlântico, uma tempestade cresce; ao mesmo tempo, no ecrã surgem capitais com temperaturas que contrastam umas com as outras — Oslo gelada, Cabo Verde árido, Maputo incandescente. Uma criança percebe, de súbito, que o mundo não é plano nem pequeno: é variado, vasto, surpreendente. Lacoste lembrar-nos-ia que a geografia só é cidadania quando devolve ao público a leitura crítica do espaço

Depois, a ciência chega com uma legenda. Nada de ícones que sugerem, mas não explicam. As frentes frias e quentes transformam-se em histórias em movimento; as pressões e os ventos organizam-se em camadas que fazem sentido; o satélite e o radar tornam-se narrativa, não ruído. É o que Bertha Becker sempre defendeu: a tecnociência deve ser clara, acessível, aplicada à vida real..

Quando existe risco, o boletim torna-se serviço público autêntico. Mapas de cheias, avisos de rajadas, efeito orográfico explicado em quinze segundos, três conselhos de autoproteção. O tempo regressa ao seu estatuto de cultura de segurança. É o “saber estratégico” de Lacoste ao serviço da comunidade..

E, porque aprender começa pelo olhar, a beleza não é ornamento — é método. Grafismo cuidado, paleta sóbria, foco no essencial, ausência de ruído visual. A modelação torna-se ponte entre o invisível e o compreensível.

Qual será o canal genial capaz de o fazer, em Portugal?

A pergunta impõe-se, inquieta: qual será o canal português que ousará aproximar-se do patamar da TV5Monde? Qual será a estação capaz de unir rigor científico, beleza visual, narrativa pedagógica e vocação planetária? Quem terá a lucidez de perceber que, num boletim de dois minutos (ou 10 minutos dolorosos e inúteis como a SIC faz a despejar a atroz publicidade, durante o seu Jornal das 19h55), pode formar cidadãos — e, mais ainda, inspirar crianças e adolescentes a ver o planeta com olhos novos?

Porque, se um miúdo de dez anos (e até os pais de 30, 40 ou 50 anos!) pode aprender onde ficam os Himalaias ou o arquipélago de Vanuatu, simplesmente a ver a meteorologia, então, estamos perante a ferramenta pedagógica mais subestimada da televisão portuguesa.

O boletim meteorológico pode e deve voltar a ser um lugar de encontro entre ciência e cidadania. Um momento de descoberta, em que o País aprende devagarinho a situar-se no mapa, a perceber o caminho dos ventos, a antecipar riscos, a reconhecer padrões, a olhar para o clima com curiosidade e sentido crítico.

Não basta prever o tempo: é preciso explicá‑lo. Não basta mostrar nuvens: é preciso narrar processos. Não basta indicar máximas e mínimas: é preciso ilustrar o mundo.

E talvez um dia, quando uma criança perguntar onde fica Reyjavik ou onde chove hoje na Polinésia Francesa, possamos dizer com orgulho: “Aprendeste no boletim meteorológico.”

Nesse instante, terá voltado a cumprir-se o milagre simples da televisão que educa — a última rubrica da noite como a melhor aula do dia, construindo, paulatinamente, cada um, a sua Cartografia Pessoal.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

“A abstenção é um ato de cobardia política. “
Francisco Sá Carneiro

(Faço um não raro mas desta feita longo disclaimer: não tenho especial simpatia por António José Seguro porque sempre me pareceu, em especial enquanto líder do Partido Socialista, demasiado low profile e pouco exigente no que eu entendia deverem ser as bandeiras de um qualquer partido que se diga de esquerda. Faço também o exercício oposto: nunca consegui deixar de ter André Ventura como um oportunista. Foi capaz de escrever um conto erótico de péssimo calibre e defender uma noção de família incompatível com aquelas linhas erráticas. Elaborou uma dissertação de doutoramento num sentido e, passando uma esponja sobre o assunto como se tal nunca tivesse sucedido, inviabilizando até a consulta da mesma, defender exactamente o oposto. Fala que pretende erradicar os designados “tachos” mas o que se tem visto nos últimos tempos, sob a sua batuta e sem qualquer demonstração de oposição da sua parte, com a capital tristemente à cabeça, é a distribuição de lugares entre familiares e apoiantes, em qualquer dos casos sem qualquer competência para o seu exercício.

Deixo um último e derradeiro comentário: nem sempre concordei com o meu Professor preferido, Marcelo Rebelo de Sousa, mas foi sempre o meu Presidente. Para os particularmente críticos, tenho apenas a dizer que, independentemente do resultado da segunda volta, creio que iremos ter saudades. Foi o Presidente dos afetos, foi por vezes excessivo nos comentários mas, nunca por nunca, perdeu de vista o Estado de Direito Democrático em que vivemos, nunca deixou para trás os valores mais básicos da Humanidade, nunca se fechou numa bolha, sem pelo menos ouvir as pessoas. De novo, Meu Professor: obrigada.)

Ao contrário do que se tem procurado fazer crer, o que se discute no dia 8 de fevereiro de 2025 é muito mais do que uma mera escolha entre dois perfis de candidatos.

No dia 8 de fevereiro de 2025, para além das visões políticas diferentes, está em causa o Estado de Direito Democrático tal como o conhecemos. Princípios que damos como adquiridos, como os da igualdade de oportunidades, em especial entre homens e mulheres, da presunção de inocência ou da separação de poderes, entre outros, podem passar a letra morta e é isso que devemos reter no momento do voto.

É absolutamente inegável que estas décadas de democracia não tiveram apenas virtudes e que o principal mal que se tem deixado proliferar é a corrupção, habilmente usada pelo Chega como se, no seu seio, a situação não seja igual ou pior.

Por outro lado, obviamente, André Ventura não pretende ganhar a eleição mas usar o seu resultado para tentar canibalizar o PSD, aliás à semelhança do que já fez ao CDS. Uma vez mais, trata de usar com total indiferença os meios errados para atingir os fins, igualmente errados, a que se propôs. Deste modo, um voto em André Ventura não se destina a escolher o Presidente da República mas é um meio para se procurar impor um caminho ainda mais xenófobo, racista, discriminatório e indiferente ao sofrimento, seja ele humano ou animal. De qualquer forma, se um dia Ventura se convencer, como parece já estar a suceder, que capitaliza votos junto dos trabalhadores, rapidamente tratará de alterar o discurso e procurar fazer até sindicatos, pese embora toda a gente minimamente informada saiba que ele é apoiado em especial pelos patrões.

Ventura dirá, desta forma, tudo o que tiver que dizer para granjear simpatias e não hesitará em mentir, ainda que contra si mesmo, como aliás tem feito desde que se iniciou na vida política lá para os lados do PSD.

Seguro nunca o conseguiria fazer, preso que está à sua circunstância de ser um homem honesto e educado e, pelo menos aparentemente, com princípios.

Dito de outra forma, nesta eleição, como provavelmente em nenhuma outra até agora, há de facto, dois lados da barricada e não há como ficar em cima do muro, a hesitar para que lado pender.

No limite, e para aqueles que, sabe-se lá como, ainda estão indecisos, há sempre uma derradeira pergunta: a qual dos dois compraria um carro usado? Tem aí a sua resposta.

(Numas derradeiras linhas, a outra interrogação que trago é a de saber quanto vale o jornalismo independente, para lá do crivo e dos interesses dos acionistas dos grandes grupos. Se considera que estar informado pode ser relevante, a sugestão é a que tenho feito: ajude o grupo de pessoas que, acreditando na valia do projeto, continuam a fazer milagres e a fazer sair a VISÃO a cada semana. Se não puder contribuir com dinheiro, pelo menos partilhe. Há boas ações que também se refletem em quem as pratica.)

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

A vida corre depressa, mas há momentos em que tudo pode mudar num segundo. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é essa paragem súbita, muitas vezes brutal, que altera o fluxo da vida tal como altera o fluxo de sangue no cérebro. Seja por um bloqueio, como uma “rolha” que impede o oxigénio de passar, ou por uma rotura de um vaso, o resultado é o silêncio onde deveria haver vida.

Em Portugal, esta é ainda a principal causa de despedidas prematuras acima dos 65 anos. Mas não tem de ser uma fatalidade. O corpo avisa, e nós precisamos de estar presentes para ler os sinais. Existe uma mnemónica simples, a regra dos 3 “F”, que nos pede para olhar verdadeiramente para o outro:

  • Face: Peça um sorriso. A boca mexe-se de forma diferente? Está descaída?
  • Força: Tente levantar os braços. Há um lado que cede, que não acompanha?
  • Fala: Uma frase simples. A voz sai enrolada, sem sentido?

Se notar algum destes sinais, ou uma súbita falta de visão ou dor de cabeça intensa, não espere. Não é altura para “ver se passa”, nem para beber um chá ou ir dormir um pouco. O AVC é uma emergência e o tempo é cérebro. Existe uma janela de esperança – quatro horas e meia – onde o tratamento pode minimizar os danos. Ligue imediatamente para o 112.

Prevenir passa por nutrir o corpo com bons alimentos e movimento, sim. Mas saber agir passa por não ignorar o que vemos. Às vezes, salvar uma vida depende apenas da nossa atenção ao detalhe.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Pela análise do gráfico das responsabilidades da revista Forbes que aqui apresentamos, a resposta à pergunta que colocamos lá em cima parece simples: ganha o próprio Donald Trump. Se durante o primeiro mandato, entre 2017 e 2021, a sua fortuna pessoal se manteve em valores estáveis e até desceu ligeiramente, neste ano do regresso à Casa Branca o valor líquido do património pessoal do Presidente dos Estados Unidos da América atingiu um valor estimado que ronda os 6,2 mil milhões de euros, o mais alto de sempre.